Atitude empreendedora virou pré-requisito para trabalhar em uma empresa ou abrir o próprio negócio. Para incentivar esse lado, 122 escolas públicas do Estado de São Paulo, que trabalham em tempo integral, passaram a oferecer aos alunos aulas de negócios no ensino médio. A meta até 2018 é ter mil escolas no sistema.
O projeto é uma parceira entre a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e o Sebrae-SP. Atualmente, 122 professores já foram capacitados pelo Sebrae para ministrar as aulas (eletivas) com foco em empreendedorismo nas escolas. “A previsão é que até 2018, mil escolas ofereçam as disciplinas de negócios”, afirma a coordenadora do ensino integral da secretaria de educação do Estado de São Paulo, Valéria Souza.
Segundo ela, o foco do projeto é incentivar atitudes de empreendedorismo entre os alunos para que, no futuro, eles possam abrir seus próprios negócios. Ou até atitudes intraempreendedoras, para que possam se destacar em uma empresa. “A nova perspectiva pode abrir o número de opções de projetos de vida”, diz Valéria.
Conforme a coordenadora, a participação em sala de aula e a postura dos alunos é a mudança mais visível entre os professores. “Em algumas escolas, a aula – que tem duração semestral – conta com fila de espera”. Para ela, a percepção do jovem também mudou. Hoje em dia, o conhecimento em empreendedorismo é mais valorizado e a expectativa de um negócio próprio é o sonho do jovem.
Números nacionais
O projeto de capacitação de professores faz parte do programa oferecido pelo Sebrae, chamado JEP (Jovens Empreendedores Primeiros Passos). Em 2013, esta metodologia já havia capacitado mais de 20 mil professores, dos quais 90% fazem parte da rede pública – estadual e municipal.
De acordo com a entidade, o programa procura atender a grande demanda de brasileiros que desejam abrir seu próprio negócio.
Segundo o Sebrae, a cada 100 jovens, mais da metade sonha em ter uma empresa e ser empreendedor. “No primeiro momento, os professores não entendem o projeto, mas ao conhecer a metodologia se engajam na iniciativa”, analisa a consultora de cultura empreendedora do Sebrae-SP, Mirza Laranja.
Para ela, a chance de sucesso do empreendedor aumenta com a capacitação que este possui, por isso se torna tão importante incluir no ensino de crianças e adolescente este modelo. “Não adianta capacitar e não inserir no mercado de trabalho”, afirma Mirza. Segundo ela, o projeto permite que em conjunto com as outras aulas da escola o aluno seja capaz de colocar em prática o conhecimento adquirido. “Assim, as chances de sucesso do negócio próprio aumentam”, completa.
Dificuldades
O maior desafio do projeto é ministrar a aula com poucos professores e recursos. De acordo com o professor da instituição paulistana Escola Estadual Alves Cruz, Messias Bortolini Romero, a dificuldade na realização do projeto foi a falta de uma equipe para preparar as atividades, uma vez que a capacitação é realizada com apenas um professor por escola.
“Algumas atividades exigiam tempo de preparação antes da aula”, explica o professor. Entretanto, segundo ele, os alunos se mostraram interessados em aprender sobre o assunto e aprofundar os conhecimentos em negócios.
Outro desafio, segundo ele, foi mostrar aos alunos que a atitude empreendedora não deve interferir nos projetos de estudo. “Uma parte importante das aulas foi mostrar que esses projetos podem ser realizados após a graduação”, diz.
Escolas particulares
A escola de educação financeira DSOP também oferece aulas de empreendedorismo e negócios em seu projeto direcionado a escolas. Cerca de 1,3 mil instituições – entre públicas e privadas – já adotaram o método em 10 municípios do País.
“A maior parte é privada, mas já oferecemos o método para algumas prefeituras”, explica o presidente DSOP, Reinaldo Domingos. “O número de empreendedores individuais já ultrapassou mais de 4,2 milhões de pessoas. Contudo, menos da metade chega a ser sustentável – capaz de manter seus negócios”, diz o presidente da companhia, Reinaldo Domingos.
Segundo ele, não basta apenas ter uma boa ideia ou ter habilidades técnicas, é necessário conseguir administrar os recursos para conseguir o sucesso. “Por isso, é tão importante que a educação empreendedora seja iniciada desde a infância”, analisa o empresário.







