O Mercado imobiliário da capital amazonense está em recuperação, segundo aponta o Censo do Mercado Imobiliário 2016, divulgado ontem (17), pelo Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas). Dos 106 empreendimentos lançados desde 2010, quase 32 mil unidades, apenas 13,5% ainda está sendo ofertado no mercado, o equivalente a 4,3 mil unidades. No último trimestre deste ano, foram vendidos 479 imóveis, sendo 394 apartamentos. Desses, 56% foram na faixa dos R$ 250 mil, valor considerado atrativo para quem quer adquirir um imóvel novo. A movimentação no período foi de R$ 170 milhões em VGV (Valor Geral de Venda).
Segundo o economista e consultor da Brain Inteligência de Mercado e Pesquisa Estratégica, Fábio Araújo, mesmo considerada tímida, a quantidade de unidades vendidas representa uma retomada do setor em Manaus mais cedo que nas demais capitais. “Em 2013, o mercado desaqueceu com antecedência na capital do Amazonas, mas também começa a se recuperar da crise, antes mesmo de outras capitais brasileiras. Naturalmente as vendas são modestas devido ao tamanho da crise, muitos empresários ficaram receosos de colocar novos produtos no mercado. No entanto, temos dados importantes que sinalizam a uma retomada do setor como a recuperação da economia que mesmo sendo lenta, existe, o número de Habite-se e os estoques”, avalia. Atualmente, apenas 13,5% ainda está sendo ofertado no mercado desde 2010 em Manaus. A média no Brasil é 22%.
De acordo com o levantamento, os empreendimentos com Padrão Econômico (até R$180 mil) obtiveram melhores resultados alcançados nesse período, com 98% das unidades ofertadas vendidas. Já os empreendimentos com Padrão Alto (até R$1 milhão) tiveram o pior desempenho com cerca de 35% à venda. Em relação a terrenos, casas e loteamentos são 850 unidades disponíveis, além das mil salas comercias. Ainda segundo os dados, desde 2014 houve uma forte queda nos empreendimentos residenciais lançados na capital.
“Lançamentos reduzidos impacta negativamente na economia, porque tem a cadeia produtiva construindo menos e ganhando menos, mas atinge em especial o consumidor que fica com menor opção e possibilidade de compras”, analisa o economista. Nesse ano teve apenas dois lançamentos com 620 unidades ofertadas, sendo ambos até R$ 250 mil. Em 2015, foram cinco novos empreendimentos com mais de 2 mil unidades habitacionais ofertadas.
Araújo também comenta que a principal diferença do mercado imobiliário do Amazonas para as outras capitais do país é a grande concentração de grandes empresas. Ele explica que, os outros mercados são mais pulverizados, tem mais empresas atuando. “Aqui se concentra empresas maiores, não necessariamente gigantes. Uma empresa pequena que não teve problemas de liquidez lança projetos menores que não tem risco de demanda e em uma cidade grande ou mesmo em um bairro, 10, 15 ou 20 unidades não fazem a menor diferença para o mercado. Quando você lança 200 unidades pode faltar demanda, mas para 20 não falta”, sentencia o economista.
Recuperação em postos de trabalho
O levantamento apontou que Manaus produz 77% do PIB do Estado e que este montante se concentra, principalmente, na Indústria, Comércio e Serviços, setores que apresentam ascendente recuperação econômica, principalmente a partir do início do segundo semestre de 2016 com tendência de crescimento. Para o presidente do Sinduscon-AM, Frank do Carmo Souza, de janeiro a abril deste ano os dados mostram que houve uma queda 39% na mão de obra, mas agora já mostra resultado animadores.
“É possível observar essa recuperação em dados como no saldo de empregos formais no Amazonas, e especificamente em Manaus, na área da Construção Civil. Há uma recuperação de quase 40% no número de postos de trabalho de abril a outubro de 2016. Isso quer dizer que o mercado está contratando e que é crescente”, destaca. Segundo dados, nos primeiros quatro meses do ano, as demissões, de forma geral, aumentaram em 45%. Foram quase 14 mil demissões. Já de maio a setembro, foram apenas 500, na média. Na construção civil as dispensas representam apenas 6% no Estado.
Ainda segundo os dados, o número de ‘Habite-se’ que foram expedidos pela Prefeitura de Manaus aponta uma curva crescente, comparados os últimos dois anos. Em 2015, o ‘Habite-se’ por área (m²) residencial ficou em 559.993 e o comercial em 145.151. Nos três primeiros trimestres de 2016 esses números já foram superados, ficando o residencial em 663.893 e o comercial em 295.646. Já por unidade residencial em 2015 ficou em 4.559 (total de unidades) e 2.334 (unidades de incorporação). Nos três primeiros trimestres de 2016 foram 6.510 em total de unidades e 3.190 em unidades de incorporação.
Para Souza, o censo é um grande instrumento para o mercado imobiliário e serve como direcionamento para empreendedores e consumidores. “É um instrumento para os empreendedores tomarem suas decisões de forma mais apurada e lançarem seus empreendimentos no futuro com mais segurança e avaliação do local. Já para o cliente, é fundamental para ter bases de disponibilidade, preços e tipos de imóveis à venda”, disse o presidente. Ao todo, classificamos nove tipos de empreendimentos, desde o supereconômico até o luxo e o standard.
Projeção para 2017
Para 2017, a tendência é de melhora já no início do ano, segundo Araújo. Ele comenta que, a recuperação econômica refletirá em todo os segmentos, inclusive no mercado imobiliário. “O primeiro indicador que aponta é o aumento da concessão de novos alvarás. De janeiro a setembro deste ano foi maior que no mesmo período do ano passado e isso é muito bom. O resultado é positivo e gostaríamos que houvesse mais lançamentos”, disse o economista. Ainda segundo Araújo, haverá escassez de imóveis de estoque devido à redução na oferta no mercado, que precisará de algum tempo para suprir de forma adequada.
Na avaliação do representante da Sinduscom-AM, o acompanhamento dos licenciamentos já mostra números positivos para o próximo ano. “É importante destacar que o sindicato em si não tem participação nas empresas e não sabe se elas vão lançar algo ou não, mas através do licenciamento você consegue entender esse mercado. Como a pesquisa é continua, quando for em janeiro de 2017 nós já teremos outro cenário, no entanto, a expectativa é muito boa tanto pela mão de obra quanto pelos resultados do estudo”, finaliza Souza.







