Mesmo sem ter o balanço do ano fechado, o Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Manaus mantém a previsão pessimista de crescimento do setor imobiliário em 2% em 2013. A informação foi dada ao Jornal do Commercio pelo presidente Sinduscon-Am, Eduardo Lopes. Para ele, o ideal seria crescer de 5% a 10% ao ano.
De acordo com Lopes, fatores externos como a crise financeira e restrições ao crédito imobiliário derrubaram as previsões. Além disso, o número de lançamentos imobiliários na capital permaneceu em baixa em 2013 na comparação com anos anteriores.
Segundo, o presidente do Sinduscon, esse comportamento já era esperado, uma vez que o mercado procurou, ao longo deste ano, um ponto de equilíbrio entre os lançamentos feitos no ano anterior e a comercialização propriamente dita. Ou seja, empresas que tinham unidades em estoque ou em fase final de construção preferiram comercializá-las antes de demandar novos lançamentos.
Mas, apesar de mantida esta tendência, Eduardo Lopes afirma que houve um pequeno crescimento nos últimos meses deste ano.
“Essa tendência continua, mas como é praxe no fim do ano há alguns lançamentos sendo feitos. Então já começam a aparecer novos lançamentos de uma forma mais consistente. Agora o mercado já está com outros ares, apesar da crise ainda atingir de forma muito forte a todos os mercados”, explicou.
Eduardo Lopes explicou ainda que o balanço completo do mercado imobiliário em 2013 só será finalizado em janeiro de 2014. Sobre a expectativa para o próximo ano, ele disse que ainda não há uma estimativa.
Cenário nacional
O desempenho das empresas do setor da construção caiu 4,5% em 12 meses, e alcançou um patamar negativo, apesar de uma leve recuperação em novembro, segundo dados da sondagem realizada pelo Sinduscon-SP. Pela primeira vez desde 2006, o crescimento do PIB da construção deve ser menor do que o PIB nacional, segundo pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas), coordenada pela pesquisadora Ana Maria Castelo. O PIB do setor deve crescer 2%, enquanto o Brasil, 2,5%. No final do ano passado, a expectativa de crescimento era de cerca de 3,5% a 4%.
Em 2014, a construção deve apontar para uma leve recuperação e ficar em 2,8%.
O emprego na construção, tanto no setor imobiliário, quanto no setor de infraestrutura, apresentam perspectivas de crescimento negativo, apesar do saldo positivo na geração de vagas em 2013 e do pleno emprego.
Segundo Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do Sinduscon-SP, a construção reflete investimento do resto da economia, que não teve um bom desempenho esse ano.
Segundo Castelo, o ciclo imobiliário iniciado em 2010, ano de grande crescimento, está chegando ao fim. O novo ciclo, no entanto, ainda não ganhou força. A retomada do setor deve ocorrer apenas no segundo semestre de 2014 e, mesmo assim, muito mais pulverizada.
Nesse cenário, há muitas obras sendo entregues, mas poucas iniciando, afirma a pesquisadora. Um reflexo disso é que a indústria de materiais de acabamento terá um faturamento 7,1% maior em 2013 do que no ano anterior, enquanto a de materiais de base (como cimento, usado nas fases iniciais da obra) crescerá apenas 2,8%. Em 2014, é esperado um crescimento de 5% dos materiais de base e de 7% dos de acabamento.
Por causa das eleições e do programa de concessões do governo federal, Castelo espera uma retomada expressiva das obras de infraestrutura já no primeiro semestre de 2014. Segundo ela, se o programa tivesse sido posto em prática mais cedo, como o esperado, já teria tido reflexos nos dados deste ano.
Com Folhapress






