Mercado prevê prática de preços mais altos para o grão em 2010

Em: 10 de janeiro de 2010
Analistas acreditam que em 2010 os preços médios do arroz serão superiores aos de 2009 no mercado interno. Estoque doméstico apertado, provável quebra de rendimento no Rio Grande do Sul e problemas de safra na Ásia justificam a tendência
Analistas acreditam que em 2010 os preços médios do arroz serão superiores aos de 2009 no mercado interno. Estoque doméstico apertado, provável quebra de rendimento no Rio Grande do Sul e problemas de safra na Ásia justificam a tendência

Analistas acreditam que em 2010 os preços médios do arroz serão superiores aos de 2009 no mercado interno. Estoque doméstico apertado, provável quebra de rendimento no Rio Grande do Sul e problemas de safra na Ásia justificam a tendência. Quando a safra 2009/10 chegar ao mercado, no final de fevereiro, haverá um estoque remanescente de apenas 983 mil toneladas, segundo estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), suficiente para um mês de consumo e que estará concentrado em poder do governo.
Ao final da safra atual, a Conab espera um estoque de não mais de 664 mil toneladas. Em 2009, a cotação média da saca de 50 quilos ficou em R$ 28,05, conforme o índice Cepea/Esalq/BM&FBovespa no Rio Grande do Sul, principal balizador do preço. O valor contrasta com os R$ 31,04 de média em 2008, ano em que o mercado internacional puxou as cotações para um pico de US$ 1,100 por tonelada.
Também diferente do que ocorreu em 2009, em 2008 o governo precisou vender estoques em plena safra para segurar a alta de preços. A entrada da safra gaúcha, que normalmente já está disponível em meados de fevereiro, deve ser prolongada até o final do mês, porque o plantio foi realizado com atraso no Rio Grande do Sul. “Quando o volume disponível aumentar, naturalmente as cotações terão recuo, mas o começo da safra deve ocorrer com cotações mais altas”, estimou o diretor do departamento de arroz da corretora Novel, Júlio Tonidandel. Em dezembro, as cotações subiram no Brasil e no mercado internacional.
Embora começassem a surgir preocupações com a eventual repetição do cenário de 2008 em 2010, os analistas descartam, por enquanto, uma elevação no mesmo patamar. Entre 11 de novembro e 9 de dezembro, o arroz da Tailândia subiu 25% para US$ 640/tonelada (FOB). “A reação foi estimulada por uma política de compra das Filipinas, na tentativa de fechar contratos de importação em pouco tempo com Vietnã e Tailândia”, explicou o pesquisador do Cirad (Centro de Pesquisas Francês), Patricio Méndez del Villar.
A atitude chegou a pressionar a inflação no Vietnã, comentou o pesquisador em entrevista por e-mail, exigindo que o governo acalmasse o mercado com o anúncio de que tem estoques suficientes. “Isso provocou reflexos também nos preços nas Américas e no oeste da África, embora estas regiões não tenham problemas de oferta”, assinalou Del Villar.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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