Metalúrgicos ameaçam parar mais duas fábricas

Em: 3 de agosto de 2010
O Sindicato dos Metalúrgicos do Estado do Amazonas promete parar hoje mais duas fábricas do setor de duas rodas do PIM (Polo Industrial de Manaus).
O Sindicato dos Metalúrgicos do Estado do Amazonas promete parar hoje mais duas fábricas do setor de duas rodas do PIM (Polo Industrial de Manaus).

O Sindicato dos Metalúrgicos do Estado do Amazonas promete parar hoje mais duas fábricas do setor de duas rodas do PIM (Polo Industrial de Manaus). A categoria, que já promoveu duas paralisações na semana passada, reivindica reajuste de 4,75% referente à inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), mais 5% de ganho real e 5% de produtividade. Os trabalhadores querem também licença-maternidade de 180 dias. As empresas acenam apenas com a correção das perdas salariais dos últimos 12 meses.
O presidente do sindicato, Valdemir Santana, disse que a categoria decidiu pela paralisação porque as empresas do setor estariam emperrando as negociações. “Havíamos marcado uma reunião [ontem] para discutirmos o reajuste dos trabalhadores do setor, mas o encontro não aconteceu. Os representantes das empresas não nos comunicaram o horário, nem o local, demonstrando descaso com a categoria. Não nos restou alternativa se não a paralisação”, desabafou.
Santana disse que as fábricas do setor de duas rodas propuseram reajuste de 4%. O salário médio do industriário, segundo o sindicato, está entre R$ 700 e R$ 800. A paralisação esta prevista para hoje, às 6h, em duas fábricas do distrito industrial, mas o sindicato prefere não revelar antecipadamente o nome das empresas que serão alvo do movimento.
Para o diretor-executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra, a decisão do sindicato dos metalúrgicos não é muito inteligente, pois considera que prioridade dos trabalhadores deveria ser manter os empregos. “É inaceitável que o sindicato busque radicalizar quando nós estamos preocupados com a manutenção dos postos de trabalho gerados pelas indústrias do setor de duas rodas, que ainda não se recuperou totalmente da ultima crise. É histórico: toda vez que se entra em uma fase de negociação, o sindicato opta pela greve, no lugar de negociar com coerência, inteligência e responsabilidade”, lamentou.

Efeitos da crise

Os dados mais recentes da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), referentes a maio deste ano, informam que o segmento faturou US$ 2.73 bilhões no acumulado dos cinco primeiros meses de 2010. Embora o montante seja 48,55% superior ao registrado em igual período de 2009 (US$ 1.84 bilhão), ainda está % abaixo do resultado das vendas das montadoras do PIM há exatos dois anos (US$ 3.50 bilhões), quando o setor ainda nem tinha ouvido falar dos efeitos da crise econômica global que viria a estourar naquele ano.
Os mesmos indicadores da Suframa informam que a quantidade de empregos nas montadoras do PIM recuou de 18.547 (2009) para 17.271 (2010), no últimos 12 meses.
O Jornal do Commercio procurou a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), por intermédio de seu diretor-executivo, Moacyr Paes, para ouvir o lado das empresas. Pouco antes do fechamento, o dirigente disse que não estava a par do assunto e que entraria em contato com as empresas para saber mais detalhes.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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