Ministro defende modelo Zona Franca de Manaus

Em: 17 de janeiro de 2008
ZFM é um experimento exitoso e precisamos aprofundá-lo e integrá-lo ao projeto de desenvolvimento do Brasil. A Amazônia
ZFM é um experimento exitoso e precisamos aprofundá-lo e integrá-lo ao projeto de desenvolvimento do Brasil. A Amazônia

Em reunião com líderes das classes produtivas do Amazonas na sede da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, descartou a possibilidade de o modelo ZFM (Zona Franca de Manaus) ser reproduzido em outro Estado do país e defendeu que ele não avançará se for tratado apenas como modelo regional.

Em seu discurso, o executivo afirmou que a zona franca e a Amazônia precisam ser vistas como pontes para o desenvolvimento do país. “Não queremos substituir o passo dado. A ZFM é um experimento exitoso e precisamos aprofundá-lo e integrá-lo ao projeto de desenvolvimento do Brasil. A Amazônia não avançará como proposta regional, tem que ser vista como projeto nacional”, enfatizou.

Segundo Mangabeira, é preciso haver um vínculo entre o modelo que já permanece por 40 anos e o que está sendo chamado de Zona Franca Verde. “Toda atividade tecnológica e industrial deve estar relacionada ao manejo controlado e sustentável da floresta”, assinalou. Entretanto, o ministro disse que a ZFM não pode ser compreendida, em uma visão minimalista, apenas como oportunidade de geração de emprego e estratégia para a preservação do meio ambiente.

Cadeias produtivas

De acordo com o representante do governo federal, não basta criar condições para adensar as cadeias produtivas, mas é preciso buscar alternativas para alcançar os setores menos avançados da indústria.

Amazônia é prioridade

O ministro salientou ainda que o seu ministério está engajado na identificação da Amazônia como o espaço privilegiado para repensar e reconstruir o país. “A Amazônia é e deverá ser a prioridade brasileira na primeira metade do século 21. Ela tem que ser vista como vanguarda e não como retaguarda”, salientou.

Após o discurso de Mangabeira, a superintendente da Suframa, Flávia Grosso, frisou que a Zona Franca de Manaus tem respondido muito bem a todos os desafios colocados a sua frente. “Mesmo quando houve a abertura econômica do país e surgiram preços melhores que os do PIM (Pólo Industrial de Manaus), as indústrias locais recuperaram mercado e se tornaram inclusive exportadoras.

Se desafiarmos o modelo, ele responderá”, afirmou.

Diante do debate em torno da criação de uma zona franca em Belém, no Pará, Mangabeira disse que é pouco provável que a ZFM seja apropriada para outras regiões. Na opinião do presidente da Aficam (Associação das Empresas Industriais de Serviços do Pólo Industrial do Amazonas), Antônio Lima, as afirmações do ministro ao longo desta semana ganharam uma dimensão exagerada. “Ter outra zona franca no país acabaria com o nosso modelo, seria um desastre porque aqui temos a rigidez locacional que nos impõe entraves logísticos”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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