Este ano um dos eventos de dança mais tradicionais do Amazonas completa 30 anos, o Modama (Mostra de Danças de Manaus), com a primeira edição realizada em 1996, e até hoje acontecendo todos os anos.
Idealizado pela bailarina, professora e coreógrafa Ana Mendes, em parceria com o radialista Eduardo (Dudu) Monteiro de Paula, há décadas a Mostra é reconhecida como a maior manifestação na área da dança na Região Norte, pois reúne todos os gêneros e estilos de dança, da dança de salão ao balé clássico, da dança étnica à dança de rua.

“O Mostra surgiu devido aos festivais de dança realizados em alguns estados brasileiros e municípios do Estado, onde trabalhei como coreógrafa. Ali percebi que Manaus, com um grande número de profissionais da dança, bailarinos e coreógrafos, não possuía nenhum evento onde eles pudessem mostrar sua arte e promover a divulgação de seus grupos, companhias ou escolas”, contou.
“Numa dessas viagens, onde eu coreografava as aberturas dos eventos, encontrei o Dudu, que se apresentava lá. Foi então que idealizamos e criamos a Modama, em 1996”, completou.
Desde então, apenas na pandemia o Modama não aconteceu. Nos demais anos, só cresceu de proporção devido a se apresentar em vários pontos da cidade
“A primeira edição foi realizada na praça de alimentação do Dom Pedro; a segunda, na praça de alimentação do Conjunto Tocantins; em seguida, Amazonas shopping; Balneários do Sesi e do Sesc; lateral do Teatro Amazonas; Largo de São Sebastião; no Salão Rio Solimões, anexo ao Palácio Rio Negro; e este ano a Mostra acontecerá novamente no Salão Solimões, e estreará no Teatro Icbeu, nos dias 5 e 6 de junho”, adiantou.
Uns três mil
O Modama é um evento tão inclusivo que não tem fins lucrativos, não é cobrada taxa de inscrição dos participantes, não é competitivo e qualquer dançarino, amador ou profissional, dupla, trio, grupos, escolas ou companhias podem participar.

“O objetivo do projeto é que o artista da dança mostre a sua arte”, avisou.
“E tem mais. Todos os estilos e ritmos são permitidos. Temos, inclusive, a participação de grupos folclóricos”, informou.
Ana Mendes se orgulha de, nesses 30 anos da Mostra, ter visto inúmeros dançarinos e dançarinas que hoje se destacam profissionalmente.
“Sim, estão em companhias de nossa cidade, de outros estados e até mesmo de fora do Brasil. Posso citar o Robson Tadeu, o Yan Seabra, o Wallace Jones, o Eliezer Rabelo, e a lista é longa. Estes quatro estão atuando fora do Brasil. Calculo que pelos palcos do Modama já passaram uns três mil bailarinos e bailarinas, dançarinos e dançarinas”, revelou.
Também, nessas três décadas, Ana viu a dança, como um todo, evoluir não só em Manaus, mas no Amazonas.
“Nos dias atuais temos grandes escolas e companhias de dança tecnicamente falando, com extrema qualidade e profissionalismo, e que se destacam em festivais Brasil afora. Me orgulha dizer que muitas delas começaram se apresentando no Modama”, recordou.
Numa viagem a Maués
Como repórter da Rede Amazônica de Televisão, Dudu cobria todas as festas no interior do Amazonas e, em praticamente todas essas festas, via a professora Ana Mendes ensinando as crianças locais a dançar para se apresentarem durante a inauguração de uma nova estação de televisão, no aniversário do município, ou nas Festas da Banana, do Abacaxi, da Laranja e de outras frutas.
“Certa vez, numa viagem de barco, voltando de Maués, eu pude conversar com ela. Perguntei por que estava sempre nos interiores, trabalhando com crianças? Ela me disse que ia a trabalho, pois era bailarina oficial da Secretaria de Cultura. Viajava para os interiores para ensinar coreografia e danças para as crianças se apresentarem nos eventos”, lembrou.
Dudu quis saber se existiam festivais de dança em Manaus, ao que Ana respondeu não haver nenhum. Foi então que ele deu a ideia do Modama, e ela aceitou.

“A característica principal do Modama é não cobrar o passado de ninguém. Não precisa ter curso de bailarino, de dançarino, ou de coreógrafo. Um exemplo, se alguém lá do São José Operário dança num grupo desses que se apresentam nos festivais folclóricos, pode se apresentar no Modama, onde irá encontrar profissionais e poderá aprender e receber novos ensinamentos”, afirmou.
“O Modama tem servido para isso. Mostrar que você pode viver da dança, se tornar profissional. Depois do Modama surgiram vários outros concursos de dança, mas o Modama se mantém como uma Mostra. Nesses 30 anos de existência trouxe profissionais para darem cursos e qualificar pessoas com, ou sem formação técnica, que queiram aprender e se aperfeiçoar na dança. O amazonense é um dançarino nato. Veja a quantidade de pessoas que dança nos bois. Não precisa dizer mais nada”, finalizou.







