No último dia 11, a lei n° 13.467, que trata da tão debatida Reforma Trabalhista, entrou em vigor em todo país, alterando mais de 100 itens da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). A flexibilização da relação entre empregador e empregado é a principal mudança. Mas para as empresas, qual será o real impacto? Na análise do CEO da Wolters Kluwer Unidade de Negócios Fiscal e Contábil no Brasil, Roberto Regente Júnior, as empresas devem se adequar às alterações e registrar tudo, refletindo em procedimentos internos.
“Por exemplo, uma das coisas da reforma é não ter mais o processo de homologação, então não se tendo a obrigatoriedade disso, é possível fazer a demissão na hora. E nesse momento, já se tem que pegar todos os documentos preteridos, independente se tem uma terceira parte checando ou não”, explica Regente Júnior.
Para o especialista, em contrapartida, o que pode e deve acontecer nesse processo é o aumento no número de litígios em cima de processos trabalhistas. “Isso porque a partir do momento que o sindicato acaba tendo um papel paralelo, o trabalhador vai ter que buscar seus direitos na Justiça. Então, qualquer dúvida, sem o terceiro para aconselhar, é capaz de as pessoas acessarem a Justiça com mais frequência. Existem os prós e contras, e do ponto de vista sistêmico o grande desafio é de como vou conseguir capturar tudo isso?”, questiona.
Segundo o especialista, a reforma é vista como avanço por ser concebida basicamente para aumentar a oferta de emprego. Ele explica que, a legislação antiga, não permitia o empregador contratar, demitir e formar pessoas de uma maneira mais fácil. “A grande mudança foi justamente flexibilizar a relação do empregador e empregado diretamente, passando eventualmente por um sindicato apenas para formalização. Você tem os acordos coletivos e passa a ter a possibilidade de acordos específicos entre a empresa e funcionário”, conta. “É algo positivo, mas traz alguns desafios, como refletir no sistemas todos os acordos personalizados e coletivos ou como fazer os cálculos especiais”, acrescenta.
Dentro desse contexto, a atuação do profissional contábil vai além de interpretar os impactos nos mais diferentes setores, mas também verificar se a reforma poderá reduzir o risco operacional do negócio. “É importante destacar que a vida do contabilista muda muito, porque será necessário ter um sistema flexível que permita fazer ajustes em nível de empresa e dentro dela em nível da folha, devido a opção de acordo total ou negociado com o Sindicato. Como posso capturar a particularidade disso e fazer acontecer?”, frisa Regente, ao destacar que a Reforma Trabalhista traz à tona o poder consultivo dos profissionais de contabilidade.
“Hoje quando se comunica algo, na maioria das vezes a decisão já está tomada e a empresa de contabilidade acaba não podendo agregar o valor que poderia, fazendo um aconselhamento antes do fato consumado. Acha que tem que trocar? antes de executar a decisão, fala comigo, deixa te dar uma outra perspectiva ou opinião técnica a respeito de uma decisão importante”, orienta o especialista.
Ainda de acordo com ele, é importante perceber que a reforma não tem um ponto específico e só regulamenta na prática o que já existia. “Por exemplo, no caso de home office e terceirizados que ganham regime padrão, ficando mais claros e sem tanta burocracia. Acho que a reforma vem amenizar e criar oportunidades de empreendedorismo, de contratar e permitir um ciclo de vida do empregado dentro da empresa como colaborador mais dinâmico”.
Conheça o e-Social
O e-Social começa a valer em 1º de janeiro de 2018 para companhias com faturamento superior a R$ 78 milhões em 2017, mas a partir de 1º/7/2018 também valerá para os demais contribuintes. Pensando nesse cenário, a líder global em serviços de informação e soluções contábeis, Wolters Kluwer se aprofundou no entendimento do impacto dessas novas demandas do governo e tem oferecido suporte às empresas brasileiras para se anteciparem e evitarem problemas como multas e impedimentos na concessão de benefícios aos trabalhadores.
“Ele é o último movimento do governo para integrar as informações fiscais que ele tem, as informações referentes a folha. Vejo como importante porque cada vez mais estamos digitalizando tudo. Uma vez que isso esteja disponível, a complexidade fiscal e tributária do país deve diminuir”, afirma Regente Jr. Para ele, o grande desafio será na mudança pesada de cultura que começará logo no cadastro da empresa.
“O primeiro marco será em janeiro com as companhias de faturamento superior a R$ 78 milhões carregarem o cadastro no ambiente e-Social. Para ter isso tem que saber o que vai carregar, fazer ajustes nos sistemas internos, segundo a receita, apenas 5% das empresas tem isso pronto, ou seja, a maioria não está dando atenção. Qualquer coisa que movimente folha, admissão, benefício, ajustes, movimentos e etc, terá que ser reportado em tempo real”, adianta o CEO.
“Para o profissional contábil, a mudança entra tanto no ponto de vista de consumo próprio como para processar as obrigações de seus clientes. Não é uma grande novidade no meio, sendo mais um item que entra no portfólio de serviços que o escritório terá que prover”, destaca.
Contabilidade Colaborativa e destaque na 17ª Conescap
O segmento de contabilidade tem vivido mudanças constantes com o suporte de novas e avançadas tecnologias, onde o profissional contábil passa a ocupar uma posição de extrema importância às corporações, com poder consultivo e forte influência na tomada de decisões. Com o intuito de debater o assunto, a Wolters Kluwer trouxe para Manaus a palestra “A Nuvem sem mistério: conheça a Contabilidade Colaborativa, seus benefícios e impactos”, ministrada pelo CEO, Roberto Regente Jr., ao lado do Gerente Sênior de Produtos, Heverton Gentilim.
“Atualmente o ambiente de escritórios contábeis ainda é tradicional, com volume elevado de papéis e baixa interação no processo entre o cliente e o escritório, além do governo que fica em cima onde os três tem que trocar informações. Esse processo é oneroso, é muita logística envolvida e muito manual. A ideia da contabilidade colaborativa é um negócio bem simples, é criar um meio democrático, onde governo, escritório e cliente se conectam e dividam as responsabilidade de reportar informações e fazer movimentos, sejam eles fiscais ou contábeis”, comenta Regente Jr.
A palestra que aconteceu ontem (16), fez parte da 17ª edição da Conescap (Convenção Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas), que começou na quarta-feira (15) e vai até hoje (17) com programação variada. Esta é a primeira edição em Manaus e foi realizada no Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques.







