Ficamos alguns meses na expectativa de uma recessão americana. Os resultados dos indicadores do último trimestre de 2007 nos Estados Unidos não deixa dúvida de que a gigante economia americana entrou em declínio. Não vou discutir aqui as características técnicas e interpretações dos índices. Se está configurada uma estagnação ou uma recessão. A questão clara é que parou de crescer. Quanto à isso não há dúvida e é exatamente o que impacta em todas as economias mundiais.
A situação no Brasil é de cautela. Estamos obviamente numa situação melhor do que quando enfrentamos as crises da Ásia e Rússia no governo FHC. Mas longe de nos sentirmos invulneráveis como nos quer fazer crer os representantes da economia do Governo Lula. As circunstâncias da economia global tem hoje grandes atores, sendo a China o grande destaque. Mas não há como tirarmos do EUA a sua condição dominante de protagonista.
Com absoluta certeza teremos mudanças no nível de investimento e de entrada de capital estrangeiro.
Provavelmente não teremos a manutenção da evolução favorável do fluxo de entrada de capital no Brasil. Em muitas análises o quadro que se desenha é exatamente o contrário, a redução desta entrada. O mesmo pode ocorrer com os investimentos das multinacionais dependendo da sua condição econômica e do comportamento da bolsa de valores e de como o governo americano vai enfrentar a crise que se instala.
O pacote enviado ao congresso pelo governo Bush envolve o valor de 150 bilhões de dólares (que belo sinalizador da gravidade da situação), porém a entrada desses recursos se dá, de fato, de forma escalonada até 2011 e aparentemente com baixo impacto no ano de 2008.
Os governos dos Estados Unidos e do Brasil, assim como todos os governos do mundo vão se mobilizar para minimizar os impactos das crises em seus países. Este é o seu papel e vão fazê-lo, com menor ou maior eficiência. Mas e as empresas, o que vão fazer? É sobre isso que gostaria de comentar.
Temos claramente uma forma quase instintiva de reagir à uma crise econômica: apertar os cintos. Isso significa frear investimentos e novos negócios, cortar custos, reduzir despesas, demitir pessoal, ou seja, encolher!
Apesar de ser importante, o “instinto” nem sempre é o melhor a seguir no mundo dos negócios. Mais importante que isso é ter uma visão holística e sob uma perspectiva histórica. Será importante sim ter uma visão mais apurada dos custos e até fazer uma nova análise quanto à investimentos e expansões antes aprovadas. Isso é salutar e prudente e deve ser feito. Mas encolher será o caminho? Acredito que não.
Se há uma crise (e há!) sabemos que em algum momento o mundo saberá como superá-la. Isso também é fato. Tivemos outras crises, outros problemas sérios e com mais ou menos dor conseguimos sair e retomar anos virtuosos.
Algumas empresas vão sucumbir, como aconteceu em outras situações de turbulências econômicas e como é natural no capitalismo. Outras empresas vão atravessar as dificuldades e sobreviver. Outras ainda não somente vão chegar ao “outro lado” como vão crescer na crise. Já ocorreu antes e vai ocorrer novamente. É neste grupo que precisamos posicionar nossas empresas.
Essas empresas vão buscar ter uma gestão de custos mais criteriosa e até conservadora. Mas não vão penalizar os seus clientes com um serviço ou produto de menor qualidade. Também não abrirá mão de uma atuação sócio-ambiental responsável e de uma interação sinérgica com a comunidade e sindicatos.
Continuarão a pensar sobre o seu futuro, nos seus diversos cenários e em como agir proativamente para sobreviver e crescer. Não vão interromper seus programas de planejamento estratégico, de treinamento e de qualificação dos seus recursos humanos.
E ao contrário da redução, vai até aumentar o investimento na seleção, desenvolvimento e retenção de pessoas altamente qualificadas. Essas empresas sabem que o barco tem de estar com as melhores pessoas, nas posições certas, para vencer a temp







