Monitoramento ambiental é realizado por meio de insetos

Em: 11 de maio de 2009
Quem, na Amazônia, ainda não foi incomodado por um inseto? Apesar de parecer comum na região, por traz de uma picada aqui outra ali, podem se esconder problemas maiores causados pelo próprio homem
Quem, na Amazônia, ainda não foi incomodado por um inseto? Apesar de parecer comum na região, por traz de uma picada aqui outra ali, podem se esconder problemas maiores causados pelo próprio homem

Quem, na Amazônia, ainda não foi incomodado por um inseto? Apesar de parecer comum na região, por traz de uma picada aqui outra ali, podem se esconder problemas maiores causados pelo próprio homem.
Conhecer as espécies, compreender como vivem e a importância delas para o homem e o meio ambiente é uma das tarefas da pesquisadora Ruth Kepler, do Laboratório de Insetos Aquáticos do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).
A iniciativa se deu a partir do projeto “Fitotelmatas como criadouros de insetos aquáticos em áreas naturais e urbanas de Manaus, Amazônia Central, Brasil”, que pesquisa insetos que vivem em plantas que acumulam água da chuva no perímetro urbano de Manaus e em áreas de florestas.
O grupo de pesquisa, formado pela pesquisadora, alunos de mestrado e da graduação, está conseguindo identificar e mapear a população de insetos que habitam plantas, como as bromélias, bambus, axilas foliares em palmeiras, helicônias, brácteas de palmeira caídas, entre outras, e de compreender a relação destes insetos com o ambiente e o homem.
Segundo Ruth Kepler, fitotelmatas são partes de plantas vivas, mortas e/ou caídas, que ocorrem em várias regiões do mundo, sendo predominantes na região amazônica, devido à diversidade de espécies vegetais e grande quantidade de chuvas.
“Esses fatores nos oferecem uma excelente oportunidade para investigar e determinar processos ou interações ecológicas.
A maioria da fauna que habita o fitotelmata é específica desse ambiente e, na maioria, são insetos”, revela a pesquisadora, lembrando que, atualmente, são conhecidas mais de 70 famílias distribuídas em 11 ordens de insetos da ordem Diptera, principalmente os mosquitos Culicidae.

Projeto está mapeando espécies em seis áreas

A pesquisadora destaca que os insetos contribuem de forma significativa com a diversidade das florestas tropicais, atuando em importantes processos como predação, polinização, atividade herbívora, decomposição da matéria orgânica, além de serem fonte de alimento para outros organismos da cadeia alimentar, logo, essenciais para a manutenção do ambiente.
O projeto, financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), está sendo executado em seis áreas de fragmentos de mata na área urbana de Manaus: Cigs (Centro de Instrução de Guerra na Selva), Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Parque do Mindu, Aeroporto, Sesc (Serviço Social do Comércio) no Campos Elíseos, e Ulbra (Universidade Luterana do Brasil), no bairro Japiim, e numa área periurbana (Reserva Florestal Adolpho Ducke), localizada na zona norte da cidade.
O estudo comprovou que essas áreas têm características favoráveis ao desenvolvimento de espécies de plantas que servem de habitats naturais para insetos, como bromélias (Bromeliaceae), babaneira-brava (Strelitziaceae), tajás (Araceae) e palmeiras (Arecaceae).
Estas plantas fazem parte do objeto da pesquisa por terem ampla distribuição na região amazônica, sendo abundantes em áreas naturais de floresta e em fragmentos de mata.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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