O ex-ginecologista Vanderson Bullamah foi condenado na sexta-feira, dia 11, a 18 anos de prisão em regime inicial fechado acusado de causar a morte da estudante Helen de Moura Buratti, 18 de idade, em julho de 2002, em Ribeirão Preto. Cabe recurso de apelação ao TJ-SP.
É preceito constitucional que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
Na época, a estudante foi submetida a uma lipoescultura e morreu um dia após a cirurgia. O ex-ginecologista, que teve o registro profissional cassado pelo Conselho Federal de Medicina, foi levado a júri popular, em um julgamento que durou 16 horas.
Ao ler a sentença, o juiz José Roberto Bernardi Liberal, de Araraquara, afirmou que o tratamento dado a Bullamah deveria ser “severo e eficaz, compatível a seu ato de violência”.
Na acusação contra Bullamah, o promotor do caso, Luiz Henrique Pacini Costa, sustentou ter sido um caso de dolo eventual: “o médico Bullamah sabia dos riscos aos quais a paciente estava exposta e não se importou com as consequências desses riscos”.
Durante o júri, o ex-ginecologista disse que paciente morreu por causa de complicações consequentes de um procedimento médico realizado no hospital Beneficência Portuguesa. A estudante passou mal ao chegar em casa, teve muita diarreia e precisou ser levada à Beneficência, onde morreu após ser atendida.
Uma das causas da morte da estudante, segundo o resultado da necropsia realizada pelo SVO (Serviço de Verificação de Óbito), foi “hidrotórax à direita”, que significa presença de líquido em um dos pulmões.
Para Bullamah, em seu depoimento, “o líquido era, na verdade, soro injetado pelo cardiologista Divino Batista, responsável pela UTI da Beneficência Portuguesa; o líquido prejudicou o funcionamento do pulmão e do coração da jovem, que morreu após parada cardiorrespiratória”.
Como nenhum profissional conseguiu pulsionar veias da estudante, o cardiologista Batista optou por acessar a veia subclávia, na parte de trás da clavícula. “A medida só é adotada em casos extremos, em razão de riscos” – afirmou Batista ao júri.
O réu Bullamah alega que, como nenhum raio-X foi feito, conforme preconizam protocolos de atendimento de urgência e emergência, não há como garantir que a veia tenha sido pulsionada corretamente. Por esse motivo, seria possível que o soro extravasasse para o tórax.
Morte de estudante dá em condenação de 18 anos a ex-ginecologista que a operou
Em: 16 de dezembro de 2009
O ex-ginecologista Vanderson Bullamah foi condenado na sexta-feira, dia 11, a 18 anos de prisão em regime inicial fechado acusado de causar a morte da estudante Helen de Moura Buratti, 18 de idade, em julho de 2002, em Ribeirão Preto
Redação
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