Morte traz incerteza ao Amazonas

Em: 14 de agosto de 2014
Especialistas não descartam possíveis reflexos nas eleições do Estado
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Especialistas não descartam possíveis reflexos nas eleições do Estado

A morte repentina do candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, trouxe incertezas não só em relação à sucessão presidencial mas também trouxe dúvidas sobre possíveis desdobramentos nas eleições ao governo do Amazonas.
Aqui no Estado, Campos era apoiado pelo seu correligionário, o deputado e candidato ao governo do Estado Marcelo Ramos. Além disso, o presidenciável dividiu, por diversas vezes, o palanque com o ex-prefeito Serafim Corrêa, que disputa uma cadeira na Aleam. Especialistas ouvidos pelo Jornal do Commercio não descartam possíveis reflexos aqui no Estado das mudanças políticas que a tragédia trouxe ao cenário nacional.
Para o cientista político Breno Rodrigo de Messias, ainda é cedo para avaliar o quanto as decisões que o PSB nacional será obrigado a tomar, a partir de hoje, e que terão impactos no cenário estadual. Uma possível indicação da ex-senadora Marina Silva –que para o cientista é dada como certa –, candidata a vice na chapa, dará maior visibilidade aos projetos socialistas da chapa já que, na avaliação dele, tem o nome mais conhecido pelos amazonenses.
“Com certeza alguma coisa muda, mas não podemos avaliar ainda a profundidade dessas mudanças. Eduardo Campos não tinha muita penetração no eleitorado aqui do Estado e tinha como grande aliado aqui no Amazonas o ex-prefeito Serafim Corrêa, que está um pouco afastado das atividades políticas. Marina Silva tem mais força aqui no Estado e é ela quem deverá ser indicada pelo partido para ocupar a vaga de Campos, mas acredito que o Amazonas ficará dividido entre os dois principais candidatos: Dilma Rousseff e Aécio Neves”, explicou.
Já o pesquisador Afrânio Soares avalia que o cenário da disputa pelo executivo estadual será pouco influenciado pela repentina mudança de rumo da eleição nacional. Para ele, o pleito estadual tem características próprias e tem os principais nomes ainda bastante ligados à candidatura de Dilma Rousseff.
“Pode interferir em menor parcela, talvez uma parcela mínima. Uma eleição para governador tem características próprias. Ela independe desta movimentação. O senador Eduardo Braga apoia a presidente Dilma, o ex-governador Omar, que é candidato ao senado, ainda não disse a quem apoia, mas também não disse que não apoia. Existe um compartilhamento de eleitores da presidente Dilma com os dois candidatos, ou seja, gente que vota na Dilma, no Omar e no Braga. O novo cenário teria um impacto menor para interferir na eleição para o governo”, analisa.
Neste caso, ele ressalta que o único candidato ao governo que poderá sofrer, de fato, alguma influência com essa situação é o próprio candidato do PSB. “Não sei se as coisas mudarão ao ponto de o que foi acertado em relação ao candidato Marcelo Ramos com o PSB nacional será honrado”, questiona.

PSB local lamenta
Procurado pelo Jornal do Commercio, o deputado e candidato ao governo pelo PSB, Marcelo Ramos, evitou falar em definições políticas. O parlamentar lamentou a perda do colega e disse que a morte de Eduardo Campos representa uma perda irreparável, não só para a legenda, mas para todo o país. Ele ressaltou que vai continuar na disputa em memória do líder.
“Perde o Brasil, perde a democracia. O homem morre, mas seus projetos e ideais não morrem. Vamos continuar na luta. As definições políticas só serão feitas a partir de amanhã. Não é o momento para discutir a questão política”, afirmou Ramos.
Em seu blog pessoal, o ex-prefeito Serafim Corrêa também prestou homenagens ao pernambucano. De acordo com a publicação, o PSB local suspendeu as atividades em respeito à memória de Eduardo Campos.
“A Direção do PSB Amazonas lamenta o acidente aéreo ocorrido em Santos causando a morte do nosso presidente Eduardo Campos e assessores. Manifestamos nosso profundo pesar à Renata, sua esposa, seus filhos e familiares bem como à todas as demais famílias enlutadas. Em respeito à memória de Eduardo Campos as nossas atividades estão suspensas”, escreveu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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