Motivar por quê?

Em: 8 de junho de 2009
O mundo do trabalho tem mudado muito nos últimos cinquenta anos, principalmente a partir da década de 70, quando se começou a prestar atenção na importância e peculiaridades do elemento humano para o sucesso das organizações
O mundo do trabalho tem mudado muito nos últimos cinquenta anos, principalmente a partir da década de 70, quando se começou a prestar atenção na importância e peculiaridades do elemento humano para o sucesso das organizações

O mundo do trabalho tem mudado muito nos últimos cinquenta anos, principalmente a partir da década de 70, quando se começou a prestar atenção na importância e peculiaridades do elemento humano para o sucesso das organizações. Dentre os vários aspectos que passaram a ser considerados, a motivação é um dos mais proeminentes, pois está normalmente associada à produtividade e ao desempenho do trabalhador, ou seja, o motor propulsor que move o indivíduo para o trabalho. Se ele falha, dependendo da magnitude dessa deficiência, a estrutura organizacional pode sofrer perdas consideráveis.
A motivação pode ser entendida como um estado interior que induz uma pessoa a assumir determinado comportamento, por sua vez orientado para a consecução de objetivos que nem sempre são conscientes para os indivíduos. Na base desses objetivos estão os motivos, as razões do comportamento, que podem ser constituídos por necessidades, desejos ou impulsos que, dependendo da intensidade, geram a predisposição para agir. Mas, o que motiva o trabalhador?
A resposta a esta pergunta não é tão fácil quanto possa parecer. Ainda é muito comum que as organizações considerem como fator motivacional apenas o incentivo financeiro, induzindo à competitividade como caminho para aumento de salários e promoções. Tal estratégia, se usada exclusivamente, não considera que nem todas as pessoas são ambiciosas e predispostas a competir, além do que essa busca por resultados pode se transformar em pressão e gerar o efeito contrário, a desmotivação. Por outro lado, quando direcionada a grupos, a capacidade individual é difícil de ser mensurada e devidamente recompensada.
Por vezes a empresa aposta na concessão de pequenos “privilégios”, como flexibilidade de horário e de uso de recursos e equipamentos, maior tolerância na supervisão de tarefas, entre outros, numa espécie de “barganha” do tipo “eu sou legal com você, portanto…”. Algumas empresas, inclusive, tendem a acreditar que a concessão de certos benefícios vai fazer com que o funcionário “vista a camisa” e prove a sua lealdade com maior ritmo produtivo. Essa postura indulgente pode resultar ou não em cooperação, considerando que alguns podem levar ao extremo a flexibilidade dos gestores, e “esticar a corda” mais do que a empresa aguenta, sem mostrar resultados correspondentes.
Outras empresas, ao contrário, apertam o cerco em torno dos funcionários com ameaças veladas de desemprego, cobrando alto desempenho em troca de não serem despedidos, numa espécie de “terrorismo” que resulta, quase sempre, em adoecimento do trabalhador. Essas empresas se utilizam dos desequilíbrios sociais para exercer um poder coercitivo do tipo “eu te pago para trabalhar”, sem qualquer consideração à subjetividade, especialmente quando se trata de atividades que não exigem especialização e, teoricamente, qualquer um pode fazer.
Em geral, considerando a realidade brasileira, ainda há pouca preocupação, por parte dos administradores, com o que motiva o trabalhador, e que os objetivos empresariais, para serem alcançados, precisam da ação de funcionários satisfeitos e motivados, que tenham a possibilidade de conciliar os objetivos da organização com os seus objetivos individuais. Boas condições de trabalho, benefícios, salários justos são um bom começo, mas proporcionar oportunidade de satisfação pessoal por meio do trabalho não é um “luxo”, mas uma opção inteligente, afinal, motivar é fazer bater o coração da empresa e mantê-la viva, e isso só se consegue com gente.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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