As vendas de veículos novos no Amazonas aceleraram ainda mais em dezembro, mas voltaram a se sustentar nas motocicletas e caminhões. Os emplacamentos somaram 8.072 unidades em todas as categorias, sendo que 78,69% do total veio de Manaus (6.352). Foi uma performance 24,18% superior à de novembro de 2022 (6.500) e 15% maior do que a de dezembro de 2021 (5.488). Foi suficiente para fechar o ano com alta de 22,43% e 68.333 unidades, em que pese o impacto da segunda onda de Covid-19 na base de comparação e o fato de que só os veículos de duas rodas fecharam no azul.
Os números são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que se amparou nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), que levam em conta todos os tipos e veículos, incluindo automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. Vale notar que os dados locais devem ser levados também sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento, um hiato que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado entre as fábricas do Centro-Sul e as concessionárias no Estado.
Conforme o levantamento, o desempenho do Amazonas foi melhor do que o da média nacional em todas as comparações. Novembro registrou o licenciamento de 366.895 unidades, de Norte a Sul do país, o que representou um progresso de 7% na comparação com novembro (342.878). O saldo também veio 8,69% mais elevado do que o conseguido 12 meses atrás (337.546), carregando o aglutinado dos 12 meses do ano (3.667.367) para uma elevação de 4,88%. A Fenabrave comemorou o resultado, ao assinalar que este ficou muito próximo aos 5% de acréscimo aguardados para o período. Mas, aposta em um virtual empate de vendas para 2023 (+0,1%).
Automóveis x motocicletas
Cinco das sete categorias listadas pela Fenabrave registrou melhora de vendas no Amazonas, na variação mensal de dezembro. O melhor desempenho proporcional veio dos ônibus, que tiveram elevação de 300%, com 64 unidades comercializadas. Na sequência, e a uma boa distância, vieram automóveis (+37,76% e 2.014), comerciais leves (+30,90% e 555), caminhões (+19,30% e 136) e motocicletas (+18,94% e 5.250). Em contraste, implementos rodoviários (-50% e 16) e “outros veículos” (-2,63% e 37) –que inclui tratores e máquinas agrícolas –amargaram quedas.
O número de categorias com expansão de vendas é muito menor, quando se leva em consideração o confronto com dezembro do ano anterior. Somente ônibus (+64,10%), motos (+50,30%) e caminhões (+3,82%) aparecem no azul, ao passo que comerciais leves (-37,22%), implementos rodoviários (-23,81%), automóveis (-16,47%) e “outros veículos” (-7,50%) despontaram no extremo oposto. Mas, em 12 meses, a expansão foi uma realidade unicamente para veículos de duas rodas (+57,50%).
A confirmação de mais um mês de crescimento destacado para as motocicletas garantiu que estas voltassem a suplantar os veículos de quatro rodas no ranking das categorias mais comercializadas no Amazonas. A participação das motos no bolo de vendas do Amazonas continuou predominante, avançando de 47,27% para 60,81%, entre dezembro de 2021 e o mês passado. Em sentido contrário, a soma dos automóveis e comerciais leves voltou a reduzir sua fatia na mesma comparação, com 35,71% (2022) contra 47,31% (2021).
Dados da Fenabrave indicam que Fiat (21,97%), GM (14,98%) e Volkswagen (13,75%) encabeçaram as vendas do mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves, no acumulado do ano. Modelos 1.0 (44,38%) perderam espaço para os de 1.0 a 2.0 (46,89%), enquanto que os veículos de cilindrada maior (8,73%) seguiram minoritários. O ranking das motocicletas foi liderado por Honda (75,79%) e Yamaha (16,33%).
Estoques e financiamentos
O sócio-diretor da Kodó Veículos, Diogo Augusto Maia da Silva, faz uma distinção entre faturamento e vendas, ao reforçar que estas entraram em ponto morto no último trimestre de 2022. O empresário concorda que o aumento do IPVA desfavorece o mercado, mas enfatizou que a alta dos preços e dos juros, assim como as restrições bancárias a novos financiamentos ainda são os gargalos, especialmente para “carros populares”.
“Pode-se dizer que esse aumento ocorre devido aos faturamentos de veículos que estavam na lista de pedidos. Como a demanda caiu, as fábricas conseguiram soltar pedidos antigos, principalmente os de pessoas jurídicas. O número de emplacamentos subiu, mas a dificuldade de crédito e as taxas mais altas permanecem”, frisou
Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o gerente geral da Cometa Motocenter, Agno da Silva Montalvão, ressaltou que o arrefecimento da pandemia ajudou a aquecer as vendas em Manaus. Conforme o executivo, a demanda crescente e a fila constante de consumidores dispostos a adquirir motocicletas foram favorecidas pelos descontos no IPI e pela relativa melhora na economia, no terceiro trimestre.
Montalvão mencionou que aguardava alguma desaceleração em dezembro, em função da Copa, e a menor quantidade de dias úteis. As férias coletivas da fábrica da Honda, fornecedora da concessionária, também foram mencionadas como indutor de redução de vendas, assim como uma oportunidade para a empresa zerar estoques e começar o ano com modelos novos. “A expectativa para 2023 é crescer 10%. Cada cidade vai ter seu número específico, mas Manaus é uma praça que está no radar da Honda”, afiançou.
“Muitas incertezas”
Em comunicado à imprensa, o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior, considerou que o resultado de 2022 foi “ótimo”, levando em conta as dificuldades. “No início do ano, a crise de abastecimento ainda afetava muito a disponibilidade de veículos novos. Tivemos severos impactos da guerra na Europa, com o aumento dos preços de combustíveis e crise logística. Tudo isso causou muitas incertezas aos compradores. No decorrer de 2022, porém, o mercado se ajustou e o setor reverteu a queda”, ponderou.
A entidade chama a atenção que, mesmo com a Copa do Mundo limitando a “passagem de loja” na reta final do ano, o volume do segundo semestre de 2022 representou 55% dos emplacamentos de 2022. “O primeiro trimestre do ano passado, em especial, apresentou uma série de desafios simultâneos e foi preciso que o setor e o mercado mostrassem grande poder de recuperação para fechar com resultados positivos em 2022”, frisou.
Em coletiva de imprensa, contudo, a Fenabrave se revelou menos otimista para 2023 e estima que as vendas devem subir apenas 0,1% ante 2022. Os motivos apontados são o cenário de baixo crescimento, manutenção da Selic em 13,75% e dúvidas sobre a condução da política econômica pelo novo governo. A entidade deve rever seus números no fim do primeiro trimestre e pontua que a oferta registrou melhora, mas reforça que o avanço da inadimplência restringe financiamentos e vendas. “Este é o número que acreditamos ser possível neste momento, com todas as dificuldades”, encerrou Andreta Júnior.







