Moutinho quer um Judiciário mais forte

Em: 28 de março de 2012
“Esta eleição, além de bônus, também é um grande ônus, e digo que é hora de todos nós darmos as mãos em nome de um Poder Judiciário forte, participativo e justo”.
“Esta eleição, além de bônus, também é um grande ônus, e digo que é hora de todos nós darmos as mãos em nome de um Poder Judiciário forte, participativo e justo”.

“Esta eleição, além de bônus, também é um grande ônus, e digo que é hora de todos nós darmos as mãos em nome de um Poder Judiciário forte, participativo e justo”. O desabafo do desembargador Ari Moutinho, após vencer, por 11 votos a 8, a batalha eleitoral para eleger-se presidente do TJAM (Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas) para o biênio 2012-2014, soou como um apelo à conciliação e ao trabalho, convidando os desembargadores à união em defesa de um grande projeto de modernização e melhoria das atividades do Poder Judiciário no Amazonas.
Para tanto, o novo presidente do TJAM contará com um orçamento da ordem de R$ 423 milhões para 2012, um total de R$ 89 milhões a mais que o orçamento de 2011. Na eleição de ontem, os 19 eleitores do TJAM também elegeram o desembargador Luiz Wilson Barroso para a vice-presidência da Corte, enquanto o desembargador Yêdo Simões ficou com a corregedoria-geral de Justiça. A posse dos novos eleitos ocorrerá no dia 29 de junho com as presenças da corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, e de Mauro Campbell, membro do STJ (Superior Tribunal de Justiça).
“Hoje, os colegas desembargadores fizeram o meu julgamento público e eu fui absolvido, eu tinha plena convicção de que venceria, e tanto é que eu só me candidatei para o cargo de presidente, não quis me candidatar a vice nem a corregedor, se perdesse seria uma derrota completa, mas venci, contava com dez votos e tive onze,”, assinalou de forma sintomática, depois do isolamento a que foi relegado, sofrendo com denúncias que o acusavam de favorecimento ao prefeito de Manaus, Amazonino Mendes. O desembargador, em curto período de tempo, deu a volta por cima, foi inocentado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e, calando seus adversários políticos, reconquistou ontem o comando do TJAM ao vencer a disputa contra uma de suas desafetas, a desembargadora Maria das Graças Figueiredo, presidente do TRE.
Ele não se esquivou quando perguntado sobre seus problemas com Graça Figueiredo, comentando: “Para mim, a disputa acabou, a minha relação com a desembargadora Graça é altamente respeitosa, eu quero paz agora, quero que a desembargadora Graça some comigo, ela pode ser uma grande colaboradora da minha nova administração”. Ari afirma ser consciente de que a presidente do TRE será a sua sucessora no TJAM pelo critério da antiguidade. “Eu não tenho dúvida de que, após o meu mandato, a desembargadora me sucederá no TJAM. Então, temos que superar nossas divergências e pensar grande em algo maior que é o Tribunal de Justiça do Amazonas”, salientou.
Durante sua fala à imprensa, Ari Moutinho desculpou-se quando instado a se manifestar sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa no âmbito do TJAM, mas informou ao Jornal do Commercio que a nova legislação será cumprida à risca, da mesma forma como tratará suas relações com o CNJ. “Hoje, nós estamos bem fiscalizados, não podemos errar. A magistratura brasileira é 99% cheia de bons juízes, mas somos humanos e erramos, e os que erram devem ser afastados pelo bem da Justiça”, observou.

Promessa de concurso para juízes e ajuda ao interior

Sobre manifestação do governador Omar Aziz ao reclamar publicamente a realização de concurso parta juízes, Moutinho garantiu confiar em que o concurso seja anunciado ainda pelo presidente do TJAM, desembargador João Simões, mas observou que, se não houver tempo para Simões levar em frente o concurso, ele topará o desafio: “O desembargador João Simões possui uma grande equipe, ele ainda tem abril e maio para anunciar o concurso, mas se ficar para mim essa tarefa, farei tudo tranquilamente, da mesma forma como fiz o concurso público para TRE, concurso para mais de 35 mil servidores e todos os aprovados foram chamados e estão trabalhando. Se preciso for, eu farei o concurso para o TJAM, com total transparência, sem favorecimento a ninguém, concurso para juízes e para os servidores do TJAM”.
Com o concurso, Ari Moutinho pretende fortalecer as comarcas interioranas, dotando-as de maior infraestrutura, com a finalidade de disponibilizar serviços de qualidade às populações das sedes municipais e às famílias residentes nas comunidades rurais. “Vamos designar novos juízes para o interior do Estado, pois sei que a presença do juiz e do promotor no interior é imprescindível. Os crimes mais violentos no interior são cometidos pela falta de juiz e de promotor, assim como do defensor público”.
Dizendo-se um magistrado preocupado com o exercício da democracia no país, Moutinho garantiu que sua administração à frente do TJAM será de total transparência. “Vou governar com o meu coração e as portas do meu gabinete abertos à imprensa e a todo mundo, como eu fazia no tempo em que administrei o TRE, porque a imprensa são os olhos da nação, como bem disse Ruy Barbosa, eu não quero somente elogios da imprensa, quero as críticas também”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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