Movimento ainda contesta resultado das urnas e segue buscando apoio em instituições

Em: 11 de novembro de 2022

 

O grito contra o resultado das urnas eletrônicas arrefeceu no Brasil. Porém, alguns manifestantes ainda continuam acampando em frente a quartéis do Exército pedindo uma intervenção militar. Em Manaus, eles estão nas adjacências do CMA (Comando Militar da Amazônia), na Ponta Negra, zona centro-oeste da capital.

Os atos também se mantêm em alguns Estados. As Forças Armadas reconhecem a legitimidade do movimento, mas admitem que há excessos nas medidas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O ministro Alexandre  de Moraes joga duro. Determinou à PF (Polícia Federal) que investigue o posicionamento da direção da PRF (Polícia Rodoviária Federal). A cúpula da corporação foi acusada de ser condescendente com os seguidores do presidente Jair Bolsonaro (PL), permitindo o bloqueio de estradas em pelo menos 21 Estados do Brasil. E, agora, o magistrado pede a identificação dos responsáveis pelos atos, estabelecendo uma multa de R$ 100 mil por dia para as lideranças envolvidas nos atos (sob o pano do anonimato,) para insuflar os protestos contra o resultado das urnas eletrônicas.

“Não vou sair. É impossível admitir que um ex-presidente volte à Presidência da República depois de estar envolvido em tanta corrupção “, diz a dona de casa Valéria Souza, que aderiu ao movimento na Ponta Negra, em frente à sede do CMA, em Manaus. “Os militares têm que fazer alguma coisa”, defendeu.

Motorista de aplicativo de transporte, Arnaldo Almeida não compartilha, porém, da mesma opinião. “Essas pessoas não têm a menor noção. São massa de manobra de gente poderosa que está por trás desses atos”, criticou. “A decisão do eleitor é soberana. Ninguém pode ferir a democracia quando a maioria decidiu eleger Lula”, questionou ele.

Bolsonaro alega que o TSE e o STF (Superior Tribunal Federal) corroboraram para a sua derrota na corrida presidencial. “Todos contribuíram para eleger Lula. Houve uma perseguição total à minha candidatura”, disse.

Segundo o presidente, três fatos contribuíram para ele perder as eleições – a influência do TSE, do STF, pendendo para as ações do seu adversário, e os atos tresloucados do ex-deputado Roberto Jefferson e da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). “Tudo aconteceu às vésperas do segundo turno, impactando diretamente na opinião dos eleitores que ainda estavam divididos”, acrescentou o chefe do Executivo nacional, deixando claro que não está satisfeito com o desfecho do pleito.

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) também se posicionou em defesa de Bolsonaro. Para ele, as manifestações dos seguidores do presidente são legítimas. “Há um excesso de autoridades por parte do ministro Alexandre de Moraes”, avaliou. O parlamentar segue a corrente do ex-prefeito de Manaus Arthur Neto (PSDB) que fez questão de se aproximar do atual presidente para anunciar o seu apoio à campanha de reeleição para a Presidência da República.

O que  intriga é o fato de Arthur Neto ter criticado bastante Bolsonaro pelos decretos presidenciais que reduziram o IPI (Imposto sobre Produtos de Industriais), atingindo a ZFM (Zona Franca de Manaus). Mas, de última hora, surpreendeu o cenário político ao se aproximar do presidente.

Plínio Valério, inclusive, chegou a bradar do plenário do Senado pedindo o impeachment dos atuais ministros do Supremo, demonstrando a sua indignação com o posicionamento e  as medidas da atual cúpula do STF.

Comunicado

Na sexta-feira (11), os comandantes das três Forças Armadas (Aeronáutica, Exército e Marinha) divulgaram uma nota em que condenam tanto o que classificam como “eventuais restrições a direitos” de quem critica agentes públicos, quanto “eventuais excessos cometidos” por manifestantes que não aceitam o resultado das eleições presidenciais.

Assinada pelo almirante Almir Garnier Santos (Marinha), pelo general Marco Antônio Freire Gomes (Exército) e pelo tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior (Aeronáutica), o comunicado divulgado pelas redes sociais cita a Lei nº 14.197, em vigor desde 1º de setembro de 2021, para, veladamente, criticar decisões judiciais que determinam a retirada de manifestantes que há duas semanas protestam próximo a quartéis, em várias cidades.

“Não constitui crime  a manifestação crítica aos poderes constitucionais nem a atividade jornalística ou a reivindicação de direitos e garantias constitucionais, por meio de passeatas, de reuniões, de greves, de aglomerações ou de qualquer outra forma de manifestação política com propósitos sociais”, sustentam os comandantes ao afirmar que as Forças Armadas estão comprometidas com a democracia e com a harmonia política e social.

“A solução a possíveis controvérsias no seio da sociedade deve valer-se dos instrumentos legais do estado democrático de direito”, acrescentam os militares, destacando a importância da independência entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com especial ênfase ao Congresso Nacional, que os comandantes afirmam ser o principal responsável por, de acordo com o “anseios e pleitos da população”, “corrigir possíveis arbitrariedades ou descaminhos autocráticos que possam colocar em risco o bem maior de nossa sociedade, ou seja, sua liberdade”.

Por MARCELO PERES

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Marcelo Peres

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