MPs minam vantagens e comprometem ZFM

Em: 29 de setembro de 2011
Apesar da perspectiva de nova prorrogação pela presidente Dilma, modelo sofre com medidas provisórias
Apesar da perspectiva de nova prorrogação pela presidente Dilma, modelo sofre com medidas provisórias

No dia do aniversário da capital amazonense, a presidente Dilma Roussef (PT) pretende presentear a cidade com um ‘mimo’ que, ao que tudo indica, será a prorrogação da ZFM (Zona Franca de Manaus) por mais 50 anos, já que a chefe do Executivo anunciou retornar o “mais cedo possível” para resolver esses tramites, conforme declaração em visita a cidade nesta última quarta-feira (28).
Contudo, de acordo com o ex-senador do Amazonas, Arthur Virgílio Neto, apenas esta prorrogação não é suficiente para atrair investidores ao estado. O diplomata comenta que há necessidade de resolver problemas de maior porte, como a questão rodoviária e o déficit tecnológico.
Além disso, Arthur alfineta que qualquer presidente pode prorrogar a ZFM, entretanto, o que depende dela é solucionar os problemas que põem em risco o modelo, como a criação de medidas provisórias que favorecem as Regiões Sul e Sudeste.
O economista e ex-prefeito da cidade, Serafim Corrêa, também ressalta que sempre há medidas que têm deixado o PIM (Polo Industrial de Manaus) temeroso. Embora acredite na importância do assunto em destaque, ele argumenta que o obstáculo da Zona Franca não é esse.
Segundo Serafim, o Amazonas possui uma lista de grandes dificuldades que, se não forem resolvidas, podem impedir que o centro financeiro chegue a completar os anos que já lhe cabem. Para o economista, somente isenção tributária não é capaz de manter os investimentos na região, por conta de deficiências como energia elétrica, “que é cara e instável”; Banda Larga; Logística; Porto e Aeroporto.
“Fui prefeito em 2005 e, quando questionei sobre as obras do aeroporto, falaram que seria realizada em 120 dias. Passaram-se seis anos e até agora nada”, enfatizou.
O professor de economia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), José Alberto Machado, salienta que prorrogar é necessário, porém afirma que é preciso evitar o contingenciamento dos recursos, oriundos da arrecadação da taxa de serviço cobrada pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), que possibilitariam o desenvolvimento dos Estados no âmbito da autarquia.
De acordo com dados da Superintendência, em 2010 este contingenciamento foi de mais de R$ 200 milhões. Neste ano, a quantia aumentou para R$ 250 milhões e, para 2012, “consta na proposta orçamentária da autarquia uma reserva de contingência superior a R$ 300 milhões”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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