Mudança em Itaipu afetaria bolso do consumidor brasileiro, diz EPE

Em: 23 de abril de 2008
Parte da energia que o Paraguai repassa ao Brasil deverá ter tarifa mais cara
Parte da energia que o Paraguai repassa ao Brasil deverá ter tarifa mais cara

O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, considerou “improvável” que o governo aceite mudanças no contrato de compra de energia da parte paraguaia da usina de Itaipu. Na avaliação dele, quem pagaria a conta, se houver qualquer reajuste, seria o consumidor brasileiro.
“Não é justo que o consumidor brasileiro pague por isso (a mudança na tari-fa), transfira recursos da sua conta de energia elétrica para o Paraguai”, disse. “Podemos pensar em outra maneira, mas é difícil se não for aumentando o preço. E não me parece razoável fazer isso”.
O presidente recém-eleito do Paraguai, Fernando Lugo, reivindica que a parte da energia elétrica que o país repassa ao Brasil tenha uma tarifa mais cara. Atualmente o Brasil paga US$ 45.31/MWh (cerca de R$ 75) pela energia vendida pelo Paraguai, o que se aproxima dos preços cobrados no país.
Para Tolmasquim, o esforço brasileiro para construir Itaipu justifica a posição do país em relação aos pedidos do Paraguai.
“Itaipu foi uma usina construída pelo esforço de alavancagem de recursos do Brasil. Ela custou US$ 12 bilhões, sendo que o Paraguai pagou R$ 50 milhões e com financiamento do Banco do Brasil. Na realidade, o Brasil se endividou tanto com o Clube de Paris como através da Eletrobrás e a dívida está sendo paga até 2023”, disse. “O Paraguai tem que entender que o Brasil não pode deixar de pagar a dívida”.
Segundo o presidente da EPE, o Brasil tem consciência de seu papel na América do Sul, mas que “há outros meios de apoiar a economia do Paraguai que não seja através da conta de energia elétrica do consumidor brasileiro”.
A usina de Itaipu pertence aos dois países em partes iguais. Pelo contrato assinado em 1973, cada um tem direito a 50% da energia produzida. Caso uma das partes não use toda a cota, vende o excedente ao parceiro a preço de custo.
Como o Paraguai utiliza apenas cerca de 5% da energia -o que atende 95% da demanda do país-, o restante é vendido ao Brasil -no total, 20% da energia elétrica usada por aqui vem de Itaipu.
Hoje, o Brasil paga US$ 45.31/MWh pela energia vendida pelo Paraguai. Para cada MWh pago pela energia de Itaipu, R$ 42,5 vai para despesas da própria usina e para o pagamento da dívida da Eletrobrás com credores, feitas à época da construção da usina. Em 2007, a venda de energia da usina rendeu ao Paraguai US$ 340 milhões.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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