Mudança na Suframa marca transição de gestão em meio a resultados históricos no Polo Industrial de Manaus

Em: 20 de março de 2026
Com saída a pedido de Bosco Saraiva, novo superintendente Leopoldo Montenegro assume com discurso de continuidade e foco na modernização da autarquia.
Fotos: Suframa/Divulgação
Fotos: Suframa/Divulgação

A troca no comando da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) consolida uma transição institucional em um momento de desempenho expressivo da economia amazonense. A exoneração de João Bosco Gomes Saraiva e a nomeação de Leopoldo Augusto Melo Montenegro Júnior foram oficializadas por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União, formalizando uma mudança já antecipada nos bastidores políticos e econômicos.

A transição ganhou contornos simbólicos nesta sexta-feira (20), com uma cerimônia realizada no auditório da autarquia, reunindo servidores, gestores e representantes do setor produtivo. O ato marcou não apenas a saída de Saraiva, a pedido, mas também o início de uma nova gestão conduzida por um nome técnico da própria instituição.

Durante o discurso de despedida, Saraiva fez um balanço dos três anos à frente da Suframa, destacando o que classificou como um ciclo de expansão e fortalecimento institucional. Sob sua gestão, o Polo Industrial de Manaus (PIM) atingiu, em 2025, um faturamento histórico de R$ 227,6 bilhões, crescimento de 11% em relação ao ano anterior. O avanço foi acompanhado por alta de 7% nas exportações e pela ampliação do emprego formal, com média mensal de 131,4 mil trabalhadores — 5% a mais que em 2024.

Além dos indicadores econômicos, o ex-superintendente ressaltou avanços internos, como a modernização de processos e a valorização dos servidores, além da aproximação com o setor produtivo, com visitas a mais de 300 indústrias. Segundo ele, os resultados foram impulsionados pela autonomia concedida às equipes. “Deixo o cargo com a sensação de missão cumprida”, afirmou, ao destacar ainda que, em 2025, a Suframa alcançou o primeiro lugar em “Governança e Gestão” entre instituições públicas federais.

Os números refletem uma fase de expansão sustentada, ancorada na presença de 553 empresas em operação e na aprovação de mais de 170 novos projetos industriais, indicando um fluxo contínuo de investimentos para os próximos anos. Nesse contexto, a mudança de comando ocorre sem ruptura, ao menos do ponto de vista técnico e administrativo.

Servidor de carreira da Suframa, o novo superintendente Leopoldo Montenegro Júnior já ocupava a Superintendência Adjunta de Projetos (SAP), considerada estratégica por concentrar a análise de investimentos e o acompanhamento de projetos industriais. Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Montenegro também possui especializações em Gestão de Projetos e Gestão de Pessoas, além de formação em Direito e Administração.

Ao assumir o cargo, ele destacou o legado da gestão anterior e sinalizou continuidade nas diretrizes institucionais, com ênfase na modernização tecnológica da autarquia. A proposta inclui a atualização de sistemas e o aumento da eficiência administrativa, em um cenário que exige maior agilidade na análise de projetos e previsibilidade para investidores.

Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a Suframa desempenha papel central na política de incentivos fiscais da Zona Franca e na articulação do desenvolvimento regional na Amazônia Ocidental. A escolha de um nome interno para o comando reforça a aposta na estabilidade institucional, considerada essencial para a manutenção do ambiente de negócios.

A cerimônia foi encerrada com a inauguração da foto oficial de Montenegro na galeria da Suframa, gesto que simboliza não apenas a troca de gestão, mas o início de um novo ciclo em uma das principais engrenagens da política industrial brasileira.

Em meio a debates fiscais e desafios logísticos que ainda impactam a competitividade regional, o desafio da nova gestão será sustentar os resultados recentes e avançar em eficiência, sem perder o ritmo de crescimento que consolidou o Polo Industrial de Manaus como um dos principais motores econômicos do país.

Mônica Freires

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