Mudanças vão demorar a acontecer em Cuba

Em: 20 de fevereiro de 2008
As conquistas cubanas, no entanto, tiveram um alto preço a pagar a se revelar na ausência de liberdades democráticas que impede seus cidadãos de entrar e sair do país livremente, impõe-lhes normas legais a tornar necessário autorização para comprar um com
As conquistas cubanas, no entanto, tiveram um alto preço a pagar a se revelar na ausência de liberdades democráticas que impede seus cidadãos de entrar e sair do país livremente, impõe-lhes normas legais a tornar necessário autorização para comprar um com

A renúncia ao cargo de presidente anunciada ontem por Fidel Castro em carta pu­blicada no jornal oficial “Granma” não foi surpresa para a maioria dos analistas de política internacional, para os quais a doença que o acometeu em julho de 2006 serviu como transição a fim de que o poder migrasse para seu irmão, Raúl Castro, de forma menos traumática do que poderia ­acontecer no caso da morte do líder cubano.
Sai Fidel Castro com a promessa de continuar a ser, como ele mesmo se intitula, “um soldado das idéias”, uma vez que continuará escrever artigos sobre política nacional e internacional a serem veiculados no jornal oficial do país. O artifício tem a vantagem de mantê-lo próximo à opinião pública, além de externar seus pensamentos e assegurar influência sobre a sociedade cubana.
Nos quase 47 anos em que se manteve como líder máximo de Cuba, Castro ­conseguiu realizações em diversos campos para a sociedade cubana. Entre estas se d­estacam educação, saúde, redução de mi­séria e emprego.
De acordo com a CIA (Central Inteligence Agence) dos Estados Unidos, em publicação por ela organizada sob o título “World Fact Book”, que levanta anualmente dados sobre os países do mundo, o desemprego em Cuba estaria na faixa dos 1,9%, enquanto a expectativa de vida dos cubanos ao nascer é de 77,41 anos. A central de inteligência norte-americana também informa que o grau de criminalidade e tráfico de drogas no país de Castro é baixo.
Do lado negativo, a distribuição de li­nhas telefônicas pelo território cubano não alcança nem 10% de seus habitantes. Para uma população de aproximadamente 11 milhões de habitantes, existem 850 mil li­nhas telefônicas instaladas.
Relatórios compilados por organismos da ONU (Organização das Nações Unidas) como Pnud, ao comparar o índice de pobreza entre 102 países, situa a ilha de Fidel Castro entre os seis com menor incidência no ano de 2004. A mortalidade infantil em Cuba é de 6,2 habitantes por 1.000, enquanto no Brasil ainda morrem 28,6 crianças em cada 1.000 nascidas vivas.
Outro órgão da ONU, a Unesco, ao pesquisar dados sociais de 2002 detectou que, em Cuba, 98% das residências têm ins­talações sanitárias apropriadas. No Brasil, o país das desigualdades, são 75% os atendidos com este tipo de comodidade.
O país de Fidel e Raúl Castro consegue ser o 50º colocado no ranking de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) en­quanto o Brasil está na 69ª colocação. Cuba tem um índice residual de analfabetos estimado em 0,02% de sua população, enquanto, no Brasil, nem mesmo os programas aceleradores têm o poder de baixar para um dígito esta mancha que ainda deixa 13,7% dos brasileiros sem saber ler e escrever.
As conquistas cubanas, no entanto, ti­veram um alto preço a pagar a se revelar na ausência de liberdades democráticas que impede seus cidadãos de entrar e sair do país livremente, impõe-lhes normas legais a tornar necessário autorização para comprar um computador, ou mesmo a enfrentar o mercado negro para obter uma senha de acesso à internet.
A saída de Fidel Castro não deve trazer mudanças imediatas ao cerco comercial promovido pelos Estados Unidos àquele país, apesar das boas expectativas dos dirigentes de outros países que vêem a passagem de comando como oportuna à abertura econômica e democrática da ilha ca­ribenha.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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