O estigma de sexo frágil há muito foi suplantado pelas mulheres. Antes limitadas a funções consideradas mais femininas, como costureiras ou donas-de-casa, hoje elas dividem a função de rainha do lar com a de líderes de equipes e negócios com competência que não deixa em nada a desejar.
Uma dessas histórias é a da diretora comercial e administrativa da Lanaplast, Ana Paula Rocha. A empresa familiar atua desde 2003 no segmento de fabricação de produtos em PVC. Natural do estado do Rio de Janeiro começou a trabalhar aos 17 anos, como estagiária de jornalismo, em 1990. Hoje Ana lidera equipes em uma das principais empresas do segmento no Estado.
Segundo a gestora, muitos são os desafios enfrentados pelas mulheres que administram os seus negócios ou que resolvem tentar uma carreira fora do lar. “O grande desafio é que temos que conciliar as atividades de nossa casa e de nossa família com as de uma empresa e em ambas, você tem as responsabilidades de administrar”, destacou. Ela ressaltou os principais objetivos da gerência destes dois núcleos. Segundo ela, a meta é manter todos os membros bem administrados, felizes e saudáveis. Na empresa, o intuito é semelhante: administrar os conflitos diários, as perspectivas de futuro e “cuidar da vida da empresa para que ela permaneça sempre saudável”.
Ana disse acreditar nas diferenças entre homens e mulheres quando se trata de gestão, porém, faz questão de ressaltar que não pertence a movimentos feministas desmerecedores da participação masculina. “Eu creio que os dois se completam, mas claro, quando jogam no mesmo time”, afirmou. Segundo ela, as mulheres desde cedo aprendem a administrar vários assuntos ao mesmo tempo, e isto faz com que a sua percepção sobre a tomada de decisão sobre diferentes assuntos seja mais apurada. “O carisma e o poder de equilíbrio nas tomadas de decisões contam a favor das mulheres. Hoje, por eu ter de me ausentar do país a negócios, só encontrei para assumir meu lugar uma outra mulher”, afirmou.
Traço marcante
De acordo com Ana, alguns traços de sua personalidade puderam ser transferidos para o seu negócio. “O fato de tudo na Lanaplast ter que ser bonito e de qualidade é uma característica pessoal minha”.
Como indicadores de sucesso da gestão, ela ressaltou o reconhecimento de seus clientes pela sua empresa, que ela afirmou ser “respeitada por todos”. “Os índices de crescimento são aceitáveis para o tamanho da empresa e a previsão de ampliação é para 2009/2010, com o projeto da nova fábrica com produtos diversificados do que temos hoje”, disse.
“Estamos pilotando de fogão à astronave”, diz presidente da ABRH
Para a presidente da ABRH/AM (Associação Brasileira de Recursos Humanos), Elane Medeiros, hoje as mulheres desempenham as mais variadas funções e vem conquistando maior espaço no mercado de trabalho. “Hoje elas estão pilotando de fogão à astronave. Não temos a intenção de competir com os homens, mas sim proporcionar uma melhor qualidade para as nossas famílias”, declarou.
Na opinião de Elane, a mulher, mesmo galgando cada vez mais espaço profissionalmente, não deve abandonar suas características. “Deve-se ter cuidado para não esquecer dos outros papéis que desempenha, não pode deixar de ser mulher”, afirmou. Ela acredita haver diferenças sutis entre homens e mulheres, quando se trata de atuação no trabalho. “Nós temos mais sensibilidade que os homens, pois eles já estão no mercado há mais tempo e isso é indiscutível. Não somos tão agressivas para tomar postos, por exemplo, temos uma dedicação maior ao que fazemos”.
As mulheres também são as que buscam uma melhor qualificação, na percepção de Elane. “Vejo mais mulheres nas formaturas e em bancos de faculdades. E esse crescimento é algo natural”, disse. Ela acredita que as mulheres hoje têm conseguido mais espaço como fruto dos seus méritos e da busca constante por formação. “A mulher está amadurecendo, a meritocracia está em voga. Hoje estamos conseguindo melhores postos por conta da formação e não por métodos escusos ou indicação para alavancar a carreira”, finalizou.
Elas fazem a comunicação fluir
Na Três Comunicação, não apenas uma, mas duas mulheres estão a frente da agência que funciona desde 1997: Izenilda Farias e Margareth Queiroz.
Uma das sócias –proprietárias da empresa, Izenilda começou sua carreira em 1986, quando ainda era estudante universitária. Ela atuou nos mais diversos veículos de comunicação e nas mais diferentes funções, de repórter a editora, tudo isso sem ainda ter tido a oportunidade de trabalhar na área de assessoria de imprensa. “Minha primeira experiência nesta área ocorreu na Fucapi [Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica], instituição de onde saí para retornar à imprensa, antes de fundar a Três Comunicação. Hoje, a Fucapi é um dos mais antigos clientes da Três. Em 1989, me especializei em marketing e propaganda, pela Escola Superior de Propaganda e Marketing”, lembrou.
Alma do negócio
O foco da Três Comunicação, de acordo com Izenilda, é bem claro: oferecer serviços de comunicação empresarial que tenham como fim a informação de qualidade à imprensa, à sociedade e aos diversos públicos com os quais as empresas, órgãos, entidades e pessoas se comunicam e se relacionam. Com base nisso, a empresa também atua em assessoria de imprensa, monitoramento e análise de notícias nos diferentes veículos de comunicação, comunicação interna e media training (treinamento de porta-vozes para o relacionamento com a imprensa).
A empresa, segundo Izenilda, foi pensada a partir da inquietação dela e de sua sócia, Margareth Queiroz. “O ensino, assim como ainda ocorre nos dias atuais, era formatado para oferecer ao mercado de trabalho profissionais voltados para atuarem como empregados, e não como donos de negócios. Seguimos na contramão disso.” Em 1997, decidiram empregar o conhecimento acumulado em anos na abertura de uma empresa de comunicação. “Começamos numa salinha emprestada por um amigo no centro da cidade, na avenida Joaquim Nabuco, e depois fomos evoluindo até o patamar de hoje”, contou Izenilda.
Detalhismo impera na gestão feminina
A empresária acredita que os desafios são iguais para qualquer pessoa, independentes do gênero. “Agora, a forma como as dificuldades são enfrentadas depende da visão de mundo e da vivência de cada um. É claro que as mulheres empresárias, igualmente às que trabalham como empregadas, têm pela frente uma grande sobrecarga em relação aos homens, tendo que dividir o tempo entre o trabalho e a rotina familiar, cumprindo geralmente, creio eu, uma agenda bem mais agitada no dia-a-dia”, ressaltou.
Quando se trata de gestão, a percepção ao longo dos anos, para Izenilda, apontou que, em geral, as mulheres dirigentes são mais exigentes principalmente quanto à qualidade do trabalho que realizam. Segundo ela, as mulheres são mais detalhistas e minuciosas, e prezam de forma voraz pelos bons resultados. No quesito negociação, ela afirmou que o fato de ser mulher nunca influenciou. “Nunca enfrentei qualquer tipo de discriminação no trabalho e se alguma vez fiquei em desvantagem em alguma negociação pelo fato de ser mulher até hoje desconheço”, disse.
Como parte da história de sucesso da Três está um prêmio da Aberje (Associação Brasileira de Jornalismo Empresarial) e na carteira de clientes, empresas de renome nacional nos mais diversos ramos, desde companhias de telefonia a shoppings. Para o futuro, Izenilda espera um crescimento com consciência e cautela, com o escopo de aumentar a carteira de clientes da marca.







