Mulheres detêm 70% da mão de obra do Polo Industrial de Manaus

Em: 28 de fevereiro de 2011
A mão de obra feminina ganha espaço e se consolida no PIM (Polo Industrial de Manaus).
A mão de obra feminina ganha espaço e se consolida no PIM (Polo Industrial de Manaus).

A mão de obra feminina ganha espaço e se consolida no PIM (Polo Industrial de Manaus). Pelo menos 70% dos quadros de trabalhadores das in­dústrias eletroeletrônicas in­sta­ladas no Amazonas são formados hoje por mulheres que atuam em todas as áreas da produção – desde o setor de montagens, serviços burocráticos até funções que exigem alta qualificação profissional, como executivas de alto nível e com poder de negociação no mercado consumidor.
Educadas, bem vestidas, bo­nitas, intelectualizadas e bilíngues (e muitas vezes até poliglotas), as executivas estão nas linhas de frente das grandes empresas do Amazonas que reúnem atualmente mais de 500 fábricas em seu Parque Industrial. “As mu–lheres inve­­­stiram pesado na profissionalização e conquistaram a sua fatia no mercado de trabalho, ocupando hoje funções que antes só eram exercidas pelos homens”, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana.
Segundo Valdemir, essa tendência, que começou a ser delineada a partir dos últimos cinco anos nas fábricas de Manaus, é motivada pelas peculiaridades inatas das mulheres – extremamente de­di­cadas, responsáveis e criteriosas. “São qualidades que geralmente fazem parte do universo feminino e, isso, portanto acaba fazendo diferença nas estratégias das empresas”, afirma o sindicalista.
E nas linhas de produção, onde até pouco tempo atrás só os homens atuavam, elas passaram a ser maioria também, sabendo manipular (com invejável habilidade) as tecnologias de última geração empregadas na fabricação de televisores di–gitais como LCD, LED e 3D.
Mas toda essa ascensão das mulheres no mercado de trabalho choca-se com uma realidade que ainda permanece (como antes) na mentalidade da maioria das empresas – a questão salarial. Mesmo altamente qualificadas e exercendo cargos de confiança, elas continuam ganhando menos que os homens (com uma diferença de salários que chega a algo em torno de 30%). Discriminação, tradição, questão cultural ou de ego? Esses são os principais questionamentos sobre o assunto.
As especulações sobre os motivos que levam as mulheres a ganhar menos do que os homens dividem hoje as opiniões de especialistas e leigos. Desde a emancipação feminina, que começou quando as donas de casa saíram para trabalhar fora e, com isso, ajudar no orçamento familiar, os homens sempre tiveram os salários mais elevados. E de lá para cá quase nada mudou quando o assunto é ascensão salarial.
Como em outros grandes Parques Industriais, salvo exceções, essas questões continuam a existir como antes no polo de Manaus. Segundo os últimos dados da Suframa, o PIM emprega atualmente mais de 91 mil trabalhadores. A média de idade da mão de obra empregada é de 30 anos. E acima dessa faixa etária, um trabalhador já é considerado “ancião”, sentencia o setor de imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas. A média salarial é de R$ 1.450. Um trabalhador iniciante não ganha menos do que R$ 860.

Benefícios concedidos

Paralelamente à ascensão profissional das mulheres no mercado de trabalho, os benefícios se expandiram no Parque Industrial de Manaus. Hoje, a maioria das empresas instaladas no Amazonas aderiu à PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Só a Moto Honda, uma das maiores fábricas que gozam dos incentivos fiscais no Amazonas, destinou pelo menos R$ 3 mil para cada trabalhador junto com o décimo terceiro salário no ano passado, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos.
“As empresas estão mais conscientes sobre a importância da divisão dos lucros com os trabalhadores. É uma forma de incentivar a produção e, em contrapartida, possibilitar a ascensão profissional”, explica o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Val­demir Santana. Segundo ele, o valor da PLR varia de acordo com o cargo e a qualificação profissional.
A abertura para instalação das diretorias de base dentro das empresas aumentou o poder de fogo dos trabalhadores na luta em busca dos benefícios sociais, permitindo uma fiscalização criteriosa sobre o tratamento dispensado aos empregados. As Cipas, que acompanham de perto diariamente todas essas questões, têm sido uma grande ferramenta em defesa dos direitos do trabalhador.
Sobrecarga de trabalho, estresse e melhor qualidade de vida são alguns dos principais itens observados pelos analistas do Sindicato dos Metalúrgicos. “Os avanços das convenções coletivas permitiram o aumen­to do leque dos benefícios. Hoje os trabalhadores contam com assistência médica, odontológica, creche, transporte, alimentação, graças a uma efetiva atuação dos representantes dos empregados junto aos patrões”, diz Valdemir Santana.
Segundo ele, o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas oferece cursos (sem nenhum custo) aos trabalhadores que permitem a ascensão profissional no polo de Manaus. “A especialização é fruto da parceria do sindicato e instituições de ensino como Senai, Sesi e indústrias”, afirma o sindicalista.
De acordo com Valdemir, só em 2010 pelo menos 200 alunos fizeram cursos promovidos pelo sindicato e até dezembro deste ano a oferta de vagas deve ser ampliada. No entanto, por falta de mais qualificação, a maioria da mão de obra existente hoje no Parque Industrial de Manaus é importada. Para mudar esse cenário, os sindicalistas tentam mais investimentos no aperfeiçoamento profissional dos trabalhadores locais.
Mesmo assim, segundo Val­demir, a qualidade de vida dos empregados evoluiu porque existe hoje um novo relacionamento entre trabalhadores e empresas do polo de Manaus. “As discussões evoluíram, os ânimos não estão mais acirrados como antes. Hoje não priorizamos mais bater de frente caso eventualmente ocorra uma di­ver­gência com as empresas. Optamos pelo mecanismo que nos faculta a lei, que é o poder de greve. Se vimos que algo não vai bem, colocamos a situação à mesa e, diante de uma intransigência dos patrões, todo mundo para. A greve é o último recurso, é muito eficaz”, afirma ele.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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