Daniel Munduruku poderá ser o primeiro indígena a se tornar um imortal da Academia Brasileira de Letras. Na próxima quinta-feira, 18, a ABL vai decidir se o inígena ocupará a cadeira de número 12, que está vaga desde a morte do escritor Alfredo Bosi, em abril deste ano. Concorrem também o médico Paulo Niemeyer, além do poeta e crítico Joaquim Branco.
Mais de cem escritores assinaram uma carta em que endossam o apoio à candidatura de Daniel Munduruku. Entre os escritores, estão nomes como Alice Ruiz, Aílton Krenak, Xico Sá, Marcelo Rubens Paiva e Pedro Bandeira. Este último, autor infanto-juvenil, declarou ao Estadão sua admiração pelo escritor e sua literatura. “Daniel trouxe um outro olhar, uma nova maneira de ver a vida, um modo milenar de sobrevivência, de contemplação da natureza e do mundo que nosso beletrismo não conhecia”, diz Bandeira.
“Essa pureza de olhar o outro oxigenou nossa literatura. Para mim, Daniel Munduruku não precisa da imortalidade, porque já é eterno. Qualquer ambiente ou grupo só tem a ganhar com sua presença”, pontua.
Outro apoiador é Milton Hatoum, que destaca a forma como Munduruku usa suas raízes na literatura, atraindo jovens e adultos. “Ele é um escritor e um educador de grande valor, recorre a mitos de diferentes povos indígenas para escrever suas belas narrativas infanto-juvenis, que fascinam e atraem leitores de todas as idades”, argumenta. Ele também pontua a importância de seu trabalho para os povos originários. “Aprecio a obra do Daniel e sua luta política contra esse projeto destruidor das terras e dos povos indígenas”, declara.
Daniel Munduruku é autor de mais de 50 livros infanto-juvenis, alguns deles traduzidos para alemão, coreano, inglês e espanhol. “Defendo a candidatura de Daniel Munduruku por considerar que ele tem uma obra literária compatível com as exigências da Academia Brasileira de Letras e que sua eleição seria extremamente saudável para a diversidade de composição daquela instituição”, comenta o escritor Luiz Ruffato, mais um a apoiar a presença do indígena na ABL. Entre as signatárias também está Viviana Bosi – filha de Alfredo Bosi, o último dono da cadeira 12.
Perfil do autor
Daniel Munduruku (Belém, 28 de fevereiro de 1964) é um escritor e professor paraense, pertencente ao povo indígena Munduruku. Autor de 54 livros publicados por diversas editoras no Brasil e no exterior, a maioria classificados como literatura infanto-juvenil e paradidáticos. É Graduado em Filosofia, História e Psicologia. Tem Mestrado e Doutorado em Educação pela USP – Universidade de São Paulo e Pós-Doutorado em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar.
Eleição
O novo ocupante da cadeira 12 no Quadro de Membros Efetivos da ABL será eleito na quinta-feira (18), no Rio, em sessão híbrida no prédio onde ocorrem as reuniões regulares dos acadêmicos, as sessões solenes comemorativas e de posse de novos membros da instituição, chamado de Petit Trianon, por ser uma réplica do existente em Versailles, na França.

A cadeira 12 já foi ocupada por Urbano Duarte, que foi fundador da ABL e escolheu como patrono França Júnior, Augusto de Lima, Vítor Viana, José Carlos de Macedo Soares, Abgar Renault e Dom Lucas Moreira Neves.
Outras eleições
No dia 25, José Paulo Cavalcanti, Ricardo Cavaliere, Godofredo de Oliveira Neto, Luiz Coronel, Camilo Martins e Leandro Gouveia vão concorrer a vaga deixada pelo do advogado, ex-senador e ex-vice-presidente da República, Marco Maciel, que faleceu no dia 12 de junho de 2021.
Em dezembro, dez nomes vão disputar a cadeira 2, que era ocupada pelo filósofo Tarcísio Padilha. Ele morreu no dia 9 de setembro deste ano. Sérgio Bermudes, Gabriel Chalita, Eduardo Giannetti da Fonseca, Sâmia Macedo, Antônio Hélio da Silva, José Humberto da Silva, Eloi Angelos Ghio D’Aracosia, Jeff Thomas, José William Vavruk e Joana Rodrigues Alexandre Figueiredo, estão concorrendo à eleição do dia 16.
Presidência
No mesmo mês, no dia 2, será a vez de eleger a nova diretoria e quem passará a presidir a ABL. A posse está prevista para o dia 9. Como costuma ocorrer, a eleição será feita com votos por carta, presenciais e à distância. A administração da academia é composta pelo ocupante da presidência, um secretário-geral, um primeiro-secretário, um segundo-secretário e um tesoureiro, que são eleitos anualmente por escrutínio secreto e são reelegíveis.







