Presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, fala sobre os desafios do setor primário no Amazonas e dos principais entraves para o desenvolvimento das atividades do pequeno produtor em 2019. Há seis anos à frente da Faea, Muni Lourenço é formado em administração de empresas e direito, e atuou como presidente do conselho deliberativo do Sebrae-Am (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
Em entrevista ao Jornal do Commercio, ele destacou a importância do governo federal em desenvolver as atividades do setor e os principais pontos de melhoria para o crescimento da atividade no Amazonas. Pecuarista atuante, possui uma vasta experiência à frente de importantes conselhos de autarquias do Amazonas, onde foi membro do CAS (Conselho de Administração da Suframa), fez parte do Condel (Conselho Deliberativo) da Sudam ( Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) e foi superintendente do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).
Jornal do Commercio – Neste ano, quais foram os principais entraves para o desenvolvimento do setor primário no Amazonas?
Muni Lourenço – O setor primário amazonense tem fatores que historicamente vem se demonstrando como entraves ao seu maior desenvolvimento, como por exemplo, a questão da regularização fundiária, a insuficiência da assistência técnica e a carência de infraestrutura, como(ramais, energia elétrica e outros fatores que têm prejudicado o andamento do trabalho do pequeno produtor.
JC – Qual sua avaliação sobre a atuação do governo federal no setor primário?
M.L – O governo federal tem se mostrado no agronegócio e na produção agropecuária uma de suas prioridades. Principalmente por reconhecer a destacada importância do setor na economia nacional, tanto em termos de geração de emprego, como pela garantia do superávit da balança comercial brasileira, liderando exportações e captação de divisas.
JC – Como você avalia a atuação do governo do estado?
M.L – O governo do Estado também vem inserindo o setor primário como prioridade em sua gestão. Neste ano foi lançado um Plano Safra contendo bases importantes. Além disso, foi retomada a tradição da Expoagro, retomado o apoio a produção de fibras naturais, investimentos no serviço de defesa agropecuária e esperamos que as políticas públicas estaduais para o setor possam ser ampliadas e fortalecidas em 2020. Isso tem sido um grande avanço para desenvolver a atividade no estado.
JC – O que é preciso para que o Amazonas explore suas biodiversidades da para gerar mais emprego e renda para a população?
M.L – Temos ainda demandar de pesquisa, ciência e tecnologia para a exploração na plenitude de nosso enorme potencial em biodiversidade. Por isso é tão importante por exemplo a plena atividade do CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia) que temos acompanhado com entusiasmo os anúncios de prioridade feitos pelo Superintendente da Suframa, Alfredo Menezes.
JC – Qual a importância de se investir em biotecnologia?
M.L – A importância é central para nosso Estado, afinal precisamos diminuir a dependência econômica hoje da Zona Franca de Manaus. É imperioso o esforço da interiorização, da diversificação, a desconcentração de nossa economia. E o setor primário, assim como a bioeconomia podem responder a isso.
JC – Você acha que houve a demora em olhar para o setor primário como alternativa econômica ao modelo Zona Franca?
M.L – O modelo Zona Franca de Manaus é muito importante para nosso Estado e para nosso povo. A meu sentir, todos precisamos lutar pelo fortalecimento da ZFM, mas, do mesmo modo devemos buscar viabilizar atividades econômicas para nosso interior e no contexto dos municípios, o setor primário é o que melhor se apresenta como potencial de geração de emprego e renda. Precisamos do crescimento de nossa agropecuária até para diminuir a significativa dependência de importação de alimentos de outros Estados e regiões, o que encarece o custo de vida dos amazonenses.
JC – Você está em constante contato com os pequenos produtores, na sua percepção quais são os principais anseios deles?
M.L – As principais expectativas dos produtores que tenho acompanhado, são o acesso a regularização fundiária, maior acesso a crédito, assistência técnica e melhoria de condições de infraestrutura para a produção e escoamento de seus produtos.
JC – BR-319: muito discurso ou uma realidade palpável? Você crê que no governo Bolsonaro o projeto saia realmente do papel?
M.L – Consideramos a BR-319 uma rodovia de integração nacional, portanto sua recuperação é extremamente relevante e tem caráter estratégico para o Amazonas e para o Brasil. Está claro diante das reiteradas manifestações públicas do presidente Jair Bolsonaro, que a recuperação da BR-319 está entre as prioridades do governo federal principalmente pelo reconhecimento da importância geopolítica e de desenvolvimento regional que a rodovia representa.
JC – O que você espera para o setor primário no Amazonas em 2020
M.L – Em 2020 temos expectativa de que as políticas públicas de fomento ao setor primário possam ser intensificadas, notadamente de modo a serem realizados ajustes em exigências ambientais estaduais que estão dificultando o acesso dos produtores rurais às linhas de crédito. Estamos confiantes que no próximo ano, nosso Estado tenha municípios incluídos no Bloco I do Ministério da Agricultura que obterá o status sanitário de livre de febre aftosa sem vacinação, o que valorizará a cadeia produtiva. Além disso, estamos bastante esperançosos com a aceleração da regularização fundiária pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), principalmente no Sul do Estado.
Muni Lourenço Silva Júnior
IDADE: 41 anos
QUALIFICAÇÃO: Administração de Empresas Públicas e Direito pela UFAM (Universidade Federal do Amazonas.
EXPERIÊNCIA: Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-AM ((Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), membro do CAS (Conselho de Administração da Suframa), Condel (Conselho Deliberativo) da Sudam ( Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) e foi superintendente do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). É membro da Câmara Setorial de Fibras do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).
ÁREA DE ATIVIDADE: Administração






