Na falta de poder político do PV, Marina conta com apoio voluntário

Em: 28 de julho de 2010
O PV (Partido Verde) saiu, definitivamente, do grupo dos partidos ‘nanicos’, de baixa representatividade política, para se tornar um dos grupos mais promissores e emergentes, nacionalmente
O PV (Partido Verde) saiu, definitivamente, do grupo dos partidos ‘nanicos’, de baixa representatividade política, para se tornar um dos grupos mais promissores e emergentes, nacionalmente

O PV (Partido Verde) saiu, definitivamente, do grupo dos partidos ‘nanicos’, de baixa representatividade política, para se tornar um dos grupos mais promissores e emergentes, nacionalmente. Mas, no Amazonas, a história não se repete. O partido até recebeu reforços considerados expressivos, como o ex-presidente nacional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Marcus Barros, mas não conseguiu montar um palanque forte para a candidata verde à presidência da República, Marina Silva. Diante da apatia do PV no Estado, um grupo de militantes tomou para si a responsabilidade de montar palanque para Marina e conquistar simpatizantes, sem ligação com partidos políticos. No último sábado, cerca de 30 pessoas já participaram do I Encontro de Mobilização do Movimento Marina Silva no Amazonas. No próximo evento, que deve ocorrer no dia 14 de agosto, os ‘militantes’ independentes contarão com a presença da candidata em Manaus.
A eleição deste ano no Brasil marca o crescimento da participação da mulher na política. Pela primeira vez na história, há uma disputa entre mulheres sendo travada, envolvendo a presidência do País. O pleito marca, ainda a guinada de, pelo menos, um partido: o PV. Com a entrada de Marina Silva e Guilherme Leal (Presidente da Natura), que formam a chapa para a presidência, o partido saiu de coadjuvante para majoritário e com possibilidades reais de conquistar uma boa colocação na disputa, contando com R$ 90 milhões para aplicar na campanha, valor digno de um partido ‘grande’.
No entanto, ao contrário do que acontece no âmbito nacional, o PV no Amazonas não acompanhou a ‘tendência’ do partido e não conseguiu formar uma chapa competitiva para disputar o governo do Estado. Ao contrário, é coadjuvante de uma chapa em que o objetivo é trabalhar pela candidatura dos tucanos José Serra (para presidente do Brasil), Arthur Virgílio (para o senado) e Arthur Bisneto (para deputado estadual).
Diante disso, cidadãos comuns, em sua maioria sem vínculos partidários, resolveram trabalhar para conquistar votos para a candidata do PV à presidência. A primeira reunião foi realizada e, segundo uma das coordenadoras, Luciana Valente, o grupo já conta com material de divulgação e uma agenda de ‘campanha’.
“Esse movimento já tem quase 30 mil pessoas no Brasil. Aqui no Amazonas temos muitas pessoas participando e o número só cresce. É um tipo novo de fazer política, envolvendo diretamente os cidadãos”, explicou.
A vice-presidente do PV, Eliane Ferreira da Silva, disse que, mesmo sendo um movimento sem ligação partidária, membros do partido também participam. “Nós acompanhamos a mobilização, até porque o objetivo é um só: eleger Marina”, explicou.

“Buscamos apoio de qualidade”, diz Valente

No Amazonas, o PV conta com apenas dois representantes em casas legislativas, os vereadores Jeferson Anjos e Luiz Augusto Mitoso, e um prefeito municipal, Ângelus Figueira, presidente estadual do partido. O PV possui 1.255 filiados na região, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), divulgados no último mês de março.
Para mudar esse cenário de pouco apoio político à candidata Marina Silva no Amazonas, os coordenadores do movimento entram em campo para multiplicar ações em prol da candidata verde, por iniciativa própria.
Luciana Valente explica que ações seguem o estilo de Marina Silva, sendo apoiadas por colaboradores que acreditam em um projeto. “É um movimento suprapartidário e que independe da campanha dela oficial do PV, ou da coligação. Nós não temos participação no partido”, explicou.
Segundo a coordenadora dos Encontros, existem pessoas ligadas a outros partidos que estão participando das reuniões e das atividades. “Acreditamos que seja um novo jeito de fazer política no Brasil. Uma política feita por cidadãos. Nossa filosofia é buscar multiplicadores, mas prezando pela qualidade destes, com engajamento e comprometimento”, avaliou.

Manaus terá ‘Casa de Marina’ no próximo mês

Para participar das reuniões, é necessário fazer inscrição com nome e telefone pelo endereço eletrônico: [email protected]. O objetivo das reuniões, segundo a coordenadora, é “reunir apoiadores de Marina Silva que desejem aprender, discutir, colaborar ou trabalhar na mobilização para a campanha presidencial e por um novo jeito de fazer política no Brasil”. 
O próximo encontro de Mobilização do Movimento Marina deve acontecer no dia 14 de agosto, quando a presidenciável estará em Manaus para participar do Fórum Ambiental Sustentável, que acontece na Ufam (Universidade Federal do Amazonas).
“Neste próximo evento, queremos apresentar oficialmente a primeira ‘casa de Marina’ do Estado, onde o local já deverá estar montado e preparado para a campanha”, revelou.
A chamada Casa de Marina é uma iniciativa voluntária de simpatizantes de Marina Silva que transformam suas residências em comitês para debater as propostas da candidata do PV. Pelo menos 204 casas estão espalhadas pelo país e mobilizam 31.236 pessoas que funcionam como cabos eleitorais voluntários. No exterior, 3 casas de Marina já foram oficializadas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar