Quando o casal Jemuel e Deuza resolveu abrir uma barraca na Feira de Artesanatos da Eduardo Ribeiro, há 12 anos, estava otimista, tanto que até nome a microempresa ganhou: Coisas da Amazônia, e realmente estavam certos. A cada semana vendiam uma boa quantidade de peças entre colares, pulseiras, braceletes, brincos e cintos, feitos com produtos naturais, principalmente sementes e madeiras. Nos últimos tempos, porém, as coisas não estavam indo nada bem.
“As vendas caíram assustadoramente, tanto que eu já pensava seriamente em encerrar com a barraca porque não estava mais conseguindo bancar os custos”, falou Jemuel.
Foi então que surgiu um jovem recém-formado em design, ávido para colocar em prática o que aprendera na Universidade, à procura de um microempreendedor com o qual pudesse testar seus conhecimentos. Silvestre Paiva, 19, caminhava pela Feira de Artesanato levando consigo um notebook, onde estava o seu projeto de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) intitulado “Gestão Estratégica do Design” quando, “a barraca do Jemuel e da Deusa me chamou atenção porque notei que os trabalhos deles eram muito bem acabados. Me apresentei, mostrei meu projeto e eles concordaram em participar”, contou.
Depois de acompanhar durante várias semanas o movimento na “Coisas da Amazônia”, Silvestre fez o diagnóstico e logo colocou em prática o tratamento para resolver a situação financeira da microempresa. “A questão é que eles eram apenas mais um entre os artesãos da Feira. A solução seria diferenciá-los dos demais aproveitando, também, a melhor qualidade de seus produtos”, ensinou.
O QR Code
Em novembro passado, a transformação. A “Coisas da Amazônia” deixou de existir e surgiu a Kuap (que em sateré-mawé significa saber, conhecer. Jemuel é sateré-mawé). Com o novo nome, de imediato veio uma identidade visual para a barraca. “Queríamos fazê-la toda diferente, nas cores marrom e amarelo da logo, mas as barracas obedecem o padrão azul, mas nos foi permitido dar um destaque na fachada, com o nome Kuap”, explicou.
Em seguida novas peças de marketing foram se juntando ao padrão Kuap: cartões de visita (com acabamento manual), folders, banner (com a foto de Jemuel confeccionando as peças) e espelho (para as pessoas se verem usando as peças), além de uniformes “e eu gravei um vídeo, postado no YouTube, mostrando o trabalho do Jemuel e da Deusa em seu ateliê”, disse. Atos simples se misturaram ao que há de mais moderno em termos de apresentar o produto. “Criei uma vitrine onde o cliente pode ver, e pegar, os vários tipos de sementes utilizados nas confecções das peças. Elas estão em estado natural bruto e depois lindamente trabalhadas. Já as etiquetas vem com um QR Code, aplicativo cada vez mais presente em ações de marketing”. O QR Code da Kuap mostra um vídeo de alguns minutos com Jemuel explicando sobre a produção de suas peças.
“Resolvi apostar no trabalho do Silvestre e realmente os resultados foram satisfatórios. Desde novembro minhas vendas voltaram a crescer, mesmo tendo aumentado os preços como resultado do valor agregado, e temos recebido muitos elogios dos clientes”, falou Jemuel.
“Mas não iremos parar por aqui. Hoje o Jemuel e a Deusa estão produzindo colares com padrões de peles de animais em extinção (jaguatirica, arara azul e tucano do bico preto), por sinal os que fazem mais sucesso e já estamos pesquisando, junto ao Inpa, as orquídeas da Amazônia. Iremos lançar três colares com os padrões de cores e formatos dessas orquídeas, além de uma embalagem mostruário, mas essa ainda é segredo”, riu.
Jemuel voltou a pensar alto. “Já estou pensando em abrir uma loja, além da Feira de Artesanato”, adiantou.
POR DENTRO
O que é um QR Code?
Cada vez mais presente em ações de marketing, os QR Codes ainda se parecem mais com um enigma do que com um meio de transmitir rapidamente informações a dispositivos móveis.
Trata-se de um código de barras em 2D que pode ser escaneado pela maioria dos aparelhos celulares que têm câmera fotográfica. Esse código, após a decodificação, passa a ser um trecho de texto, um link e/ou um link que irá redirecionar o acesso ao conteúdo publicado em algum site, no caso da Kuap, ao YouTube.
Esse tipo de codificação permite que possam ser armazenada uma quantidade significativa de caracteres.







