Na feira, mas com tecnologia

Em: 13 de março de 2014
Para acompanhar a modernidade, empresários apostam no QR Code
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Para acompanhar a modernidade, empresários apostam no QR Code

Quando o casal Jemuel e Deuza resolveu abrir uma barraca na Feira de Artesanatos da Eduardo Ribeiro, há 12 anos, estava otimista, tanto que até nome a microempresa ganhou: Coisas da Amazônia, e realmente estavam certos. A cada semana vendiam uma boa quantidade de peças entre colares, pulseiras, braceletes, brincos e cintos, feitos com produtos naturais, principalmente sementes e madeiras. Nos últimos tempos, porém, as coisas não estavam indo nada bem.
“As vendas caíram assustadoramente, tanto que eu já pensava seriamente em encerrar com a barraca porque não estava mais conseguindo bancar os custos”, falou Jemuel.
Foi então que surgiu um jovem recém-formado em design, ávido para colocar em prática o que aprendera na Universidade, à procura de um microempreendedor com o qual pudesse testar seus conhecimentos. Silvestre Paiva, 19, caminhava pela Feira de Artesanato levando consigo um notebook, onde estava o seu projeto de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) intitulado “Gestão Estratégica do Design” quando, “a barraca do Jemuel e da Deusa me chamou atenção porque notei que os trabalhos deles eram muito bem acabados. Me apresentei, mostrei meu projeto e eles concordaram em participar”, contou.
Depois de acompanhar durante várias semanas o movimento na “Coisas da Amazônia”, Silvestre fez o diagnóstico e logo colocou em prática o tratamento para resolver a situação financeira da microempresa. “A questão é que eles eram apenas mais um entre os artesãos da Feira. A solução seria diferenciá-los dos demais aproveitando, também, a melhor qualidade de seus produtos”, ensinou.

O QR Code
Em novembro passado, a transformação. A “Coisas da Amazônia” deixou de existir e surgiu a Kuap (que em sateré-mawé significa saber, conhecer. Jemuel é sateré-mawé). Com o novo nome, de imediato veio uma identidade visual para a barraca. “Queríamos fazê-la toda diferente, nas cores marrom e amarelo da logo, mas as barracas obedecem o padrão azul, mas nos foi permitido dar um destaque na fachada, com o nome Kuap”, explicou.
Em seguida novas peças de marketing foram se juntando ao padrão Kuap: cartões de visita (com acabamento manual), folders, banner (com a foto de Jemuel confeccionando as peças) e espelho (para as pessoas se verem usando as peças), além de uniformes “e eu gravei um vídeo, postado no YouTube, mostrando o trabalho do Jemuel e da Deusa em seu ateliê”, disse. Atos simples se misturaram ao que há de mais moderno em termos de apresentar o produto. “Criei uma vitrine onde o cliente pode ver, e pegar, os vários tipos de sementes utilizados nas confecções das peças. Elas estão em estado natural bruto e depois lindamente trabalhadas. Já as etiquetas vem com um QR Code, aplicativo cada vez mais presente em ações de marketing”. O QR Code da Kuap mostra um vídeo de alguns minutos com Jemuel explicando sobre a produção de suas peças.
“Resolvi apostar no trabalho do Silvestre e realmente os resultados foram satisfatórios. Desde novembro minhas vendas voltaram a crescer, mesmo tendo aumentado os preços como resultado do valor agregado, e temos recebido muitos elogios dos clientes”, falou Jemuel.
“Mas não iremos parar por aqui. Hoje o Jemuel e a Deusa estão produzindo colares com padrões de peles de animais em extinção (jaguatirica, arara azul e tucano do bico preto), por sinal os que fazem mais sucesso e já estamos pesquisando, junto ao Inpa, as orquídeas da Amazônia. Iremos lançar três colares com os padrões de cores e formatos dessas orquídeas, além de uma embalagem mostruário, mas essa ainda é segredo”, riu.
Jemuel voltou a pensar alto. “Já estou pensando em abrir uma loja, além da Feira de Artesanato”, adiantou.

POR DENTRO
O que é um QR Code?
Cada vez mais presente em ações de marketing, os QR Codes ainda se parecem mais com um enigma do que com um meio de transmitir rapidamente informações a dispositivos móveis.
Trata-se de um código de barras em 2D que pode ser escaneado pela maioria dos aparelhos celulares que têm câmera fotográfica. Esse código, após a decodificação, passa a ser um trecho de texto, um link e/ou um link que irá redirecionar o acesso ao conteúdo publicado em algum site, no caso da Kuap, ao YouTube.
Esse tipo de codificação permite que possam ser armazenada uma quantidade significativa de caracteres.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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