Foi tempo de Natal e Ano Novo. Natal é nascimento. É vida nova. Mensagens de toda sorte, desejando coisas boas das mais diversificadas e atraentes, que certamente trariam um sem fim de alegrias e o encontro da tão sonhada felicidade.
Como complemento, viriam os votos de conquistas e de paz. Tolices. Tolices. A felicidade e a verdadeira paz encontram-se muito distantes de nós, bem longe e tão perto do nosso alcance. As conquistas, estas são efêmeras e passageiras, deslizando rápidas feito água de rio sobre leito pedregoso sobre as palmas de nossas mãos.
Precisamos entender que assim é para termos o compromisso pessoal de encontrá-la nas estradas de nossas ações. O que vemos, porém, na realidade das horas passando, assusta o mais descompromissado cidadão, fazendo-o esquivar-se das responsabilidades mínimas que deveria assumir.
Tal busca e compromisso fazem parte dos atalhos, vielas, ruas, avenidas e nos levam em direção aos sonhos. E o que observamos? Ao menor descuido de si nas ondas temporais da vida, o homem envereda pelo pessoalismo, desaguando nos caminhos da ilicitude deslavada, desrespeitando a si, a família e a sociedade, fazendo ruborizar, com seu cinismo, o mais desqualificado cidadão.
E o que observamos, repito? A corrupção grassa por todos os cantos e é reconhecida por todos aqueles que possuem um mínimo de consciência pública e educacional, chegando a tal envergadura, que mais se assemelha a um câncer em pleno estágio de metástase, com uma única diferença: para o mal do corpo, nesse estágio, não há cura humana, mas para o moral, existem, sim, meios para estancar o processo. Sabemos que o retorno à dignidade será muito doloroso, mas a cura existe e é possível encontrá-la.
Iniciamos esta prosa falando das festas de final de ano, a procura da paz e da felicidade e chegamos ao barco da corrupção. Qual o porquê dessa loucura? Simples. Ela é o nascedouro, o cerne de todas as outras aberrações humanas. No momento em que se instala, destrói todas as faculdades do bem e aniquila, sem piedade, o que, ou quem quer que se apresente, aos seus olhos, como obstáculo à consecução dos objetivos a serem atingidos.
Roubar, matar, iludir, mentir, trais, bajular: estes são alguns verbos ricamente utilizados na prática das ações por corruptos e corrompidos, que na verdade se estreitam no conceito de adulterar os valores éticos e morais existentes, deixando, em seu leito, as portas abertas para todos os malefícios que ferem de morte a sociedade.
Ficando impunes, ensinarão cada pessoa, tempo e conjugação desses verbos ao cidadão desavisado, contaminando o meio ambiente, ao mesmo tempo em que indicarão o caminho a seguir para atingir, pelas postergações recursais, a prescrição, que trazem, em seus contextos, a impunidade. “ESQUECEM”, porém, os corruptos, de informar que tal benesse somente acontece com os velhos e conhecidos criminosos de “colarinho branco”, com muito dinheiro roubado de NÓS, do POVO, para custear suas mordomias.
Nas esteiras da corrupção vingam os hospitais públicos falidos, com corredores repletos de macas improvisadas, onde a morte se a vizinha pela ausência de meios e de atendimento adequado. No mesmo quintal prolifera a fome, os olhos pedintes de crianças desnutridas que mal têm como sobreviver, abandonadas pelo Estado: não por falta de recursos, mas pelo seu desvio para as contas polpudas dos que dele se aproveitam.
No mesmo corredor vemos as Escolas, não as de samba, mas as Públicas e, também, as Escolas particulares, onde o descaso, propositalmente, avilta, criminosamente, todo o processo educacional, quer no aspecto financeiro, quer no ensino, sua essência, ou na infiltração político-partidária e nas ideologias pernósticas.
Instaura-se o caos. Instalou-se o caos. Crianças crescem da forma como deveria ser, sem saber ler, escrever ou fazer cálculos básicos. Chegam às Universidades por meios obscuros e mal elaborados, transformando-se em verdadeiras catástrofes depois de formados, esta a regra geral, ressalvadas as exceções. Faltam educação e Professor pago de acordo com a importância de sua profissão, para criar condições de reeducar-se, aprimorando seus conhecimentos.
Observamos a consequência imediata desse processo de destruição da sociedade culta no cada vez maior número de jovens e crianças vagando pelas ruas, reunidas nos sinais das avenidas, diretamente exploradas por pais inescrupulosos ou exibindo alguma habilidade, serviço, ou, até mesmo, carregando uma caixa de papelão: simplesmente, esmolando.
Para corrigir tal aberração é necessário voltar às origens e nos depararmos, mais uma vez, com o processo de corrupção, para perceber que existe uma enorme pedra no caminho, um obstáculo significativo: a ação corrosiva daqueles que, gananciosos e sequiosos pelo poder, desviam para a própria conta bancária e as dos seus asseclas, os meios disponíveis que o poder público tem em mãos para bom uso, locupletando-se e atingindo seus objetivos criminosos.
Ainda na mesma passada estrada afora, instaura-se o desrespeito a tudo o que possa representar regras ou ordenamento social. Nos estacionamentos públicos, agências bancárias e supermercados, cadeirantes e idosos são cinicamente desrespeitados, sem a mínima cerimônia. Nas escolas públicas e particulares, Professores são desafiados, e por vezes, agredidos por alunos cuja intenção maior na sala de aula não é efetivamente o aprendizado.
Vivemos o caos? Não nos iludamos: SIM. Haverá solução para tanto desmando, inversão de valores e corrupção deslavada? Claro que sim. Em linhas gerais, a história do mundo e, em particular, a do ser humano na face da Terra revela o impiedoso ciclo de concepção, nascimento, crescimento, apogeu, queda, decrepitude e morte.
Com os grandes impérios, o processo é semelhante, porém mais longo e sofrido. Tudo acontece num vai e vem senoidal sem fim, nos caminhos da eternidade que nos atribuem. A corrupção no Brasil, que chegou ao topo da “Torre de Babel”, começa a ser desmantelada e estamos convictos de que não haverá retrocessos. Uma parada, um passo atrás, mas o avanço do rolo compressor deixará suas marcas.
O povo já não suporta a imagem da canalha corrupta, quer seja ela física, fotográfica ou televisiva. A população tem plena consciência de que eles farão de tudo para manter o poder, que hoje, e enquanto o detiverem, constitucionalmente, os protege, inclusive, das garras da Lei; legislação esta preparada por eles mesmos, com a finalidade de mantê-los imunes e impunes, legislando em próprio benefício. A nossa certeza é a de que, em algum momento não muito distante, os nefastos fraudadores do erário sentirão o peso da mão forte da justiça, ou eles, ou os seus descendentes que, na prática, basicamente todos, se transformaram em cúmplices.
Fundamental é que os cidadãos de bem, indignados com a realidade dos fatos, assim como eu, abandonem o seu casulo e a zona de conforto em que se encontram, não para produzir milagres, mas para fazer a sua parte, nos limites do possível, protestando e exigindo, enquanto pagadores dos impostos que mantêm viva a Nação Brasileira, a punição devida a essa corja que nos envergonha perante o mundo.
Permaneço sem citar nomes, pois à justiça cabe fazê-lo, mas falo da coisa em si, em tese, até porque os corruptos, já o disse anteriormente, figurinhas carimbadas, mesmo que sem um pingo de rubor na face, se reconhecerão nas entrelinhas deste texto, além de e até mesmo por terem os rostos estampados nos principais jornais e revistas brasileiros.
Apesar da consciência de que o ser humano carrega, no íntimo, o bem e o mal e que, ao menor descuido, poderá avizinhar o retrocesso, acredito que o nosso NATAL acontecerá e que a corrupção, da forma como se instalou no cenário brasileiro, está com os dias contados. A densa nuvem negra se dissipará para abrir as portas de um novo tempo, onde a luz do Sol novamente brilhará nos céus do Brasil.







