Nativos da Amazônia, frutos possuem potencial econômico, nutricional e funcional

Em: 22 de fevereiro de 2019
Há muito se sabe das potencialidades dos frutos amazônicos, principalmente quando o assunto é saúde
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Há muito se sabe das potencialidades dos frutos amazônicos, principalmente quando o assunto é saúde

Há muito se sabe das potencialidades dos frutos amazônicos, principalmente quando o assunto é saúde. Mas pesquisas nunca são demais, como as que estão sendo desenvolvidas pelo Grupo de Alimentos e Nutrição, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), coordenado pela Dra. Francisca das Chagas do Amaral Souza.

“Visamos aprimorar tecnologias na obtenção e verificar o efeito de bebidas à base de frutos amazônicos, especificamente do camu-camu (Myrciaria dubia), açaí (Euterpe oleracea), bacaba (Oneocarpus bacaba) e patauá (Oneocarpos pataua)”, falou a doutora.

Essas quatro espécies serão trabalhadas porque várias outras pesquisas já mostraram seu grande potencial econômico, nutricional e funcional, além de serem frutos nativos, tipicamente amazônicos e de uma singularidade ímpar.

“Nossos testes iniciais foram realizados com o camu-camu e o açaí, com resultados bastante satisfatórios. Como a bacaba e o patauá possuem características parecidas com as duas anteriores, entraram nas pesquisas”, informou.

O foco do estudo é a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares, cânceres e diabetes. Os trabalhos buscam desenvolver bebidas à base dos frutos, avaliando os efeitos biotecnológicos na redução de taxas elevadas de colesterol no sangue e obesidade abdominal. Nesta fase, a pesquisa está sendo feita em roedores.

“As bebidas são duas: o shake e o néctar. No shake a bebida é bem concentrada, com mais polpa do fruto, e é adicionado leite. Ficou parecido com esses shakes encontrados no mercado. Já o néctar é um suco mais fraco, com pouca polpa, ainda assim suas propriedades continuam bastante acentuadas”, declarou.

Consumidos como farinha

“Também produzimos cápsulas. Com 15 a 30 dias avaliamos as cobaias e observamos que a quantidade de vitamina C em seus organismos havia aumentado e o colesterol havia reduzido”, concluiu.

Francisca das Chagas adiantou que as pessoas não devem consumir esses frutos achando que eles vão curar as doenças citadas acima. “Eles auxiliam no controle. Isso é fato”.

Normalmente esses frutos são subaproveitados, com uso direcionado principalmente ao consumo direto. As pesquisas do Grupo de Alimentos e Nutrição também buscam novas tecnologias em relação ao processamento que possibilitem o aumento da vida deles nas prateleiras e sua melhor utilização.

“Nesse caso, qualquer um desses frutos pode ser transformado em farinha e consumido naturalmente, na alimentação. Basta secá-los no forno e depois moê-los no liquidificador. Lógico que açaí, bacaba e patauá precisam ser cozidos antes e sua massa retirada da semente para só então ser levada ao forno”, explicou. “Quanto ao camu- camu o ideal é realizar todo o processo de secagem e moagem, incluindo a semente, agora se a pessoa quiser preparar o néctar ou o shake, aí é preciso tirar a semente, pois ela dá um gosto amargo no resultado final”, ensinou. “E dos frutos ainda pode ser retirado o óleo, bem como sua torta residual deve ser aproveitada, coisa que as pessoas não tem o costume de fazer, jogando-a no lixo”, acrescentou.

Grupo existe há dez anos

Na última década, o Grupo de Alimentos e Nutrição tem se dedicado a estudar as propriedades e funcionalidades de frutos nativos, espécies que têm participação na economia do setor agrícola da região. A proposta agora é agregar valor a alimentos existentes e na elaboração de novos produtos regionais, nutritivos e funcionais.

No ano passado Francisca Souza conquistou, junto com o pesquisador Jaime Aguiar, também do Inpa, o 2º lugar no Prêmio Samuel Benchimol na categoria ‘Projetos de Desenvolvimento Sustentável na Região Amazônica’ com a proposta de utilizar frutos amazônicos como estratégia de inovação, sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida.

Um melhor do que o outro

Nativos da Amazônia, frutos possuem potencial econômico, nutricional e funcional - canu%20camu

Camu-camu: Na Amazônia peruana, o camu-camu é utilizado no preparo de refresco, sorvete, picolé, geléia, doce, licor, ou para dar sabor a tortas e sobremesas. A importância do camu-camu é devido ao seu elevado teor de vitamina C, superior ao encontrado na maioria das plantas cultivadas.

Nativos da Amazônia, frutos possuem potencial econômico, nutricional e funcional - acai

Açaí: Os dois principais produtos originários do açaí, o palmito e o fruto, são usados na alimentação humana. A polpa de açaí é largamente usada na produção industrial ou artesanal de sorvetes, geléias e licores.

Nativos da Amazônia, frutos possuem potencial econômico, nutricional e funcional - Bacaba

Bacaba: Da polpa do fruto da bacaba faz-se o vinho de bacaba. Este vinho (ou suco) é uma delícia servido gelado, misturado com açúcar, farinha de mandioca ou de tapioca.

Das sementes desta planta também se extrai um óleo com propriedades emolientes.

Nativos da Amazônia, frutos possuem potencial econômico, nutricional e funcional - pataua

Patauá: A proteína de patauá é uma das mais valiosas dentre as encontradas no reino vegetal, podendo ser comparada à da carne ou do leite de bovinos. O óleo de patauá é um poderoso agente de hidratação, podendo ser utilizado como substituto do azeite de oliva em produtos para cuidados com a pele.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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