Natureza e sustentabilidade em livros

Em: 21 de outubro de 2014
Obras destacam trabalho em equipe e coleção assinada por nomes consagrados da literatura
Obras destacam trabalho em equipe e coleção assinada por nomes consagrados da literatura

As fábulas, narrativas literárias em que os personagens são animais com características humanas e que sempre terminam com um ensinamento moral, encantam gerações de crianças ao longo dos tempos. É justamente isso o que os pequenos leitores vão encontrar em “Todos juntos somos fortes” (Autêntica Editora), do escritor finlandês Esko-Pekka Tiitinen. O livro também marca a estreia de seu filho, Nikolai Tiitinen, como ilustrador, que ganhou, com esse trabalho, o terceiro prêmio compartilhado no 9º Mikkeli Illustration Triennial.
A narrativa começa com a velha Coruja sentada na torre da prefeitura com dificuldade para voar e lembrando sua juventude, quando a Pomba esbarra nela e pede ajuda para voltar para a África, pois estava perdida após uma tempestade de areia. A Coruja quer ajudá-la, mas está debilitada fisicamente, com as asas tão pesadas, que não suportariam uma viagem longa. A Pomba então percebe que a causa do problema é que a nova amiga está coberta de areia. Para ajudá-la, passa a noite inteira limpando-a. Para retribuir o favor, a Coruja decide auxiliar a Pomba a voltar para casa. Assim começa uma longa e difícil viagem!
Essa fábula é uma história feliz e confortadora sobre o significado do trabalho em grupo. Transformada em peça de teatro, foi apresentada em mais de 70 países. A peça dá apoio à companha de conservação da natureza da ENO (Environment Online – www.enoprogramme.org / www.enobrasil.blogspot.com.br), uma rede global para o desenvolvimento sustentável e paz no planeta. Escolas ao redor do mundo estudam as questões ambientais, compartilham conhecimentos e resultados de aprendizagem e fazem pactos concretos para alcançar o equilíbrio com o planeta. Número de páginas: 32. Preço Médio: R$ 34.

Cinco livros, um desafio
Editora DSOP, com objetivo de renovar a ficção infantojuvenil a partir de temas ligados à sustentabilidade abordados por dez dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea, lança no próximo sábado (25), a Coleção Sonho Verde composta por cinco títulos assinados por autores e ilustradores reconhecidos no Brasil e no exterior, muitos dos quais premiados pela crítica.
Em “Rascunho de família”, o premiado autor paulista João Anzanello Carrascoza retrata a história de José e Maria, dois personagens que retiram do lixo o seu sustento, numa narrativa de estilos multifacetados que articula influências de diversas escolas literárias. O autor paulista Ricardo Lísias, por sua vez, traz em “A sacola perdida”, uma narrativa em primeira pessoa cujo ponto de partida são as peripécias experimentadas pelo narrador-personagem depois de um apagão na festa em comemoração à vitória do Brasil na Copa do Mundo, feita no saguão do prédio onde mora.
Sob uma moldura designada “rol”, que inaugura e encerra “Água de anil”, da escritora carioca Nilma Lacerda encontram-se histórias fragmentadas, ora são contos do cotidiano em tom confessional, ora peças de teatro, mas todos têm como fio condutor -às vezes implícito, às vezes explícito -a água do rio. Em “A longa estrada dos ossos”, da catarinense Adriana Lunardi apresenta uma breve, porém densa, narrativa calcada na idiossincracia das interrelações familiares materializadas na confissão de uma adolescente. Já em “Uma aventura animal”, Maria Valéria Rezende conta como a mudança de cidade impactou a vida de um garoto adolescente.
A inspiração de Mirna para esse projeto surgiu durante o Rio+20, quando ela assistiu a jovens do mundo inteiro se articularem para registrarem suas expectativas e seus sonhos em vídeo, assumindo o papel para a criação de uma nova ética. Na visão da jornalista, era possível transpor esse projeto para a literatura compondo um mosaico de obras que permitem leitura transversal – “alguns leitores poderão apenas se divertir, passar algumas horas agradáveis com Sonho Verde. Outros poderão, sim, se sentir desafiados pelos temas ali abordados. O papel de mediação é que vai fazer a diferença”, afirmou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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