Não é novidade que a era digital e seus avanços têm fomentado muitos nichos de negócios. Neste aspecto, surge uma nova cultura que incentiva as pessoas reduzirem gastos praticando o compartilhamento de bens e serviços. A economia colaborativa, conhecida como economia compartilhada, vem ganhando espaço e o modelo de consumo tem se consolidado.
Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela que 89% dos brasileiros que já experimentaram alguma modalidade de consumo colaborativo aprovaram o modelo. Apenas 2% dos participantes responderam que ficaram insatisfeitos. A pesquisa ouviu 824 consumidores acima de 18 anos, de ambos os gêneros, de todas as classes sociais e de todas as capitais brasileiras.

O empresário Marcus Bessa, junto com a sócia Juliana Teles, criadores do Impact Hub Manaus, apostaram no potencial da modalidade e trouxeram o modelo para o Amazonas. “A proposta é oferecer um espaço onde coisas inovadoras acontecem estimulando as pessoas de fazerem negócios de uma forma mais colaborativa”, conta.
O espaço conta com salas de reuniões, sala privada e estações de trabalho e são alugados por horas, dias e também períodos, dependendo da necessidade do cliente. Um dos pilares do projeto
O coworking, espaço compartilhado onde profissionais se unem para trocar experiência, prima pela economia, de acordo com Marcus, adotar este tipo de espaço é uma alternativa para pequenas empresas e multinacionais. Além do espaço físico, existe o desenvolvimento de projetos, estímulo de eventos e metodologias de desenvolvimento comunitário e corporativo.

Há um ano, a loja Mamativa 100% colaborativa, surgiu de conversas entre mães que viam a necessidade de se juntar para se ajudar e oferecer às mães de Manaus, produtos que voltados ao universo da maternidade. “Tínhamos muitas afinidades no modo de criação dos filhos. A criação com apego, a amamentação, a cama compartilhada…O objetivo de oferecer para as mães de Manaus, produtos que facilitassem o seu dia a dia e que tivessem a ver com tudo isso que acreditamos, conta Luciana Dias, uma das empreendedoras do espaço. Esses eram os produtos logo de início.
Elas comercializam produtos importados de higiene e saúde do bebê, roupas importadas e nacionais, pijamas tal mãe tal filha e tal pai tal filho, produtos naturais como Pura Chuva e colar de âmbar, sling, colar mordedor, sapatinhos. Produtos artesanais como laços, bonecos de crochê amigurim, feltro. Depois vieram as fraldas ecológicas, extensor de body, mochilas de pano, feltro e roupas para gestantes e mães que amamentam.
“Somos uma loja colaborativa então todas as despesas e responsabilidades são divididas entre as integrantes. Fazemos reuniões mensais para ajustar os procedimentos para o bom funcionamento da loja. Nosso objetivo é ajudar umas as outras no objetivo de empreender”, disse. Atualmente o espaço conta com 16 lojas na capital.
De acordo com o levantamento, as modalidades de consumo colaborativo mais utilizadas por aqui são as caronas (41%), aluguel de casas ou apartamentos para temporadas (38%) e aluguel ou compartilhamento de roupas (33%). Outras possibilidades buscadas são as bicicletas (21%), os financiamentos coletivos (16%), coworking (15%) e cohousing (15%).

O voluntariado
Comemorando quatro anos de negócio na linha de economia colaborativa, os sócios do Arawak Jungle Hostel, Wagner Cardoso e Eliana Cardoso, necessitavam de mão de obra para os serviços, mas não tinham recursos para contratação de funcionários. “A ideia surgiu após, pesquisas na internet sobre hostels que empregavam pessoas em troca de hospedagem, e resolvemos tentar”, lembrou.
Eles alocam voluntários de acordo com sua especialidade que executam atividades que vão desde trabalhos de marcenaria, jardinagem, recepção e cozinha em uma escala de quatro horas por dia em troca de hospedagem e refeições. Segundo Eliana Cardoso, o trabalho de voluntariado segue a vertente da sharing economy (economia de partilha). Ela explica que os voluntários ficam em média duas semanas e geralmente o Hostel recebe quatro voluntários por mês. Para ter uma ideia o negócio deu tão certo que os sócios trabalham com agendamento prévio de em média um mês antes.
“O avanço deste tipo de processo para economia é positivo. A troca cultural de experiência e conhecimento é fundamental. Esse convívio com pessoas de várias partes do mundo, sempre traz coisas novas para a comunidade. É uma realidade que já acontece no mundo todo. Embora em Manaus, seja tardio, a nossa ideia é se enquadrar em outras modalidades”, disse Eliana Cardoso.
O modelo ainda é resistente no Amazonas, mas a médio prazo, negócios vão surgindo. No Brasil, o couchsurfing (serviço de hospitalidade com base na internet), Uber e a plataforma Airbnb (com serviços de acomodações de baixo custo) são exemplos de negócios dentro da economia compartilhada.
Opinião
O economista Eduardo Souza concorda que o novo modelo é uma tendência forte, porque aumenta o número de ofertas desses serviços e reduz gastos. “Aquilo que antes você iria ter que comprar pelo seu valor integral, você aluga por um preço menor, economiza e consegue ter a mesma funcionalidade por apenas determinado período de tempo. Aí surge a importância da economia financeira dentro da economia colaborativa”, ressalta.
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Couchsurfing surge como opção de hospedagem
A possibilidade de viajantes se hospedarem em casa de moradores de determinadas cidades, é compartilhada por vários adeptos do serviço. Gastar menos e conhecer novas culturas é modelo de consumo colaborativo couchsurfing.
A assistente pessoal, Anne Marie, assistente pessoal, 35, há dois anos, faz parte do programa. Por indicação de amigos, se inscreveu na plataforma de serviços e neste período já recebeu mais de 30 pessoas em casa. A plataforma permitiu contatar pessoas de vários estados e também de fora do país. Segundo Anne há uma troca de experiência mútua. “Todas as pessoas que passam na minha casa deixa uma coisa de si. O mais interessante é que muitos que vêm de outros países chegam dispostos a aprender a nossa língua e cultura”, conta.
Anne lembra que hospedou um moça da Bélgica que passou um mês na capital. E lembra do quanto essa troca e a convivência são essenciais. “O network fica extenso. Esse compartilhamento de cultura e experiência não tem preço. Se torna um prazer”.
Segundo Anne todos os estrangeiros que ficaram hospedados na sua residência minha fizeram questão de apresentar a culinária dos seus países. Algo que reforça ainda mais a descoberta e aprendizado com o couchsurfing. “Por mais que eu não tenha condições de viajar a cultura chega até mim. Não se trata só de dinheiro. Cada uma dessas pessoas que passam por aqui, deixam um aprendizado muito grande.
O autônomo, Lucas Coelho, 32, de Belo Horizonte, está hospedado em Manaus há dois dias, ele é um dos adeptos da ferramenta desde 2011. Ele declara que ‘mergulhou de cabeça’ na experiência. Para Lucas o modelo de negócio quebra a ideia da falta de confiança, porque surge como aliado da economia solidária. Para ele o diferencial na plataforma é a relação entre as pessoas e conhecer novos lugares. “A troca cultural é o mais importante. Nos possibilita ver as coisas por outro ângulo, sair da caixa. É uma rede de experiencia cultural e de pessoas”, destaca. Ele não lembra quantas hospedagens já fez por meio do couchsurfing, mas garante que foram várias e já conheceu vários estados.
Evento
Couchsurfing Manaus que começou ontem, 18, e segue até dia 21, realiza a 2ª edição da Invasão Manaus, o evento é organizado pelos participantes locais da plataforma de troca de experiências de hospedagem gratuita, o site couchsurfing.com, responsável em criar comunidades de viajantes no mundo inteiro e promover o intercâmbio cultural.
Mais de 100 visitantes de várias partes do Brasil já estão na cidade, hospedados nas casas de locais e conhecendo o melhor de Manaus, até o domingo de Páscoa.
A programação oficial conta com atividades gratuitas como uma Walking Tour pelo Centro de Manaus, começa nesta sexta-feira, 19, a partir das 9h.. O ponto de encontro é o Monumento de Abertura dos Portos, no Largo de São Sebastião, Centro.
O evento de boas vindas será realizado no Espaço Curupira Mãe do Mato, nesta sexta-feira, a partir das 22h, ingressos por R$ 10 até às 23 horas, com Márcia Novo na festa Baile da Papaizinha e as participações de Klinger Araújo, Frederico da Stone Ramos e Dj BS Rapha.
No sábado, 20, os guests partem para uma excursão até Presidente Figueiredo, terra das cachoeiras. E, no sábado à noite, os participantes do evento marcam presença no Bar do Boi Caprichoso, a partir das 21 horas, no Sambódromo. A Invasão Manaus 2019 encerra com uma festa a bordo do flutuante Quintal.






