Uma comitiva francesa formada por 22 empresários dos mais diversos segmentos da economia esteve em Manaus com o objetivo de prospectar negócios com micro e médias empresas locais, o que pode aumentar as importações de produtos amazônicos pela França em pelo menos 60% do volume atual. Sob a chancela da CCIP (Chambre de Commerce et d`Industrie de Paris), os empresários pretendem destinar para a região Norte, até 2010, pelo menos 2,8 milhões de euros, volume financeiro relativo a compras nos setores de cosméticos, artesanato, móveis e alimentos. Dos recursos planejados para o comércio internacional, o Amazonas ficará com 45% do total, maior fatia na pretensão do grupo de empresários.
O encontro com os representantes, ocorrido durante o seminário de interação Amazônia-França na 4ª Fiam (Feira Internacional da Amazônia), deu claras mostras de que o vigor da pequena indústria amazonense, consolidada pela estabilização da economia brasileira e do dólar em baixa, chamou atenção do mercado francês. Segundo o empresário Fábio Conceição Gomes, que atua no segmento de móveis em Maués, o pólo moveleiro amazônida já é um dos que mais exportam produtos para a capital francesa, onde alcançam forte valorização. “Somos o setor que mais deseja esse aumento nas exportações de produtos com alto valor agregado, já que os franceses representam a nossa sexta maior parceria econômica. Nos dois últimos anos, as vendas para aquele país atingiram mais de US$ 18 milhões, mas a maioria delas foi de produtos primários. Queremos mudar este quadro”, considerou.
Perspectivas e oportunidades
O presidente da B&A Gestion de Paris e representante de Le Havre para o Mercosul e Chile, Jean-Pierre Bernard, reforçou a intenção da capital francesa na ampliação das exportações, além de matérias-primas. O executivo falou sobre perspectivas e oportunidades comerciais entre o Amazonas e a França, assegurando que o evento realizado em conjunto com a Câmara de Comércio França – Brasil, Sebrae-AM (Serviço de Apoio às Pequenas e Médias Empresas do Amazonas) e Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), serviu para estreitar as relações entre as duas regiões, reunindo empresários dos dois países.
Acordos de intercâmbio
Bernard considerou já manter, atualmente, com algumas regiões francesas, como Rhônes-Alpes, Lyon e Marseille, acordos de intercâmbio nas áreas comercial, meio ambiente, água e energia, agroalimentos, ensino superior, pesquisa e inovação tecnológica, assim, será mais fácil a entrada dos novos produtos amazônicos no solo europeu. Na análise do executivo, a parceria comercial desenvolvida com a França será mais eficiente, porque haverá um diálogo mais direto entre os empresários e as entidades representativas regionais. “Hoje, a França é o quarto maior país em acordos de cooperação com o Amazonas, considerando os últimos cinco anos. Por isso, nada melhor que fecharmos negócios lucrativos para os dois lados”, acrescentou.
País atua em várias áreas no Estado
O chefe da missão econômica da França e representante da Ubifrance Brasil (espécie de instituto de apoio às empresas francesas no Brasil), Dominique Mauppin, explicou que já existe forte presença francesa no Amazonas, em especial nas áreas de tecnologia, cosmética, gestão hídrica e engenharia industrial. “O Brasil foi o primeiro parceiro comercial da França na América Latina, e o Amazonas tem uma grande importância nessa história pela posição estratégica no fornecimento de insumos para a indústria cosmética e madeireira”, asseverou.
A presidente da CoopVerde (Cooperativa de Produtos AgroFlorestais da Amazônia), Chiara Lima Berlucci, disse que um total de 12 missões internacionais e empresariais, entre encontros no exterior ou missões recebidas no Estado estão agendadas entre os empreendedores e os franceses para desenvolverem juntos planejamento estratégico, no qual está prevista a formação da chamada ‘cultura exportadora’ no empresário local. “Acima de 80% das empresas estaduais interessadas em participar das missões tiveram seu primeiro contato com o comércio exterior ao lado do governo do Estado, por isso não têm a experiência necessária para as exportações”, explicou a presidente.
Novos investidores
Na ocasião, o superintendente adjunto de projetos da Suframa, Oldemar Ianck, falou da potencialidade da Amazônia para atrair novos investidores internacionais, citando os incentivos fiscais da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) e a autarquia da qual faz parte. O executivo ainda se referiu a empresas como Bic e Saint-Gobain para exemplificar os investimentos consolidados pelo capital francês no Estado, dizendo que o apoio do governo federal, através da Suframa, tem sido fundamental para o sucesso das exportações de produtos com alto valor agregado em todas as regiões incentivadas pela autarquia. “A Amazônia ganha cada vez maior força no mercado mundial. O objetivo deste evento, creio ter sido alcançado, porque abriu um leque de informações para uma das maiores nações do mundo, a França, um mercado singular. Com a troca de experiências, o Amazonas poderá mostrar seus atributos e suas potencialidades para o mercado europeu”, finalizou.
Entre as maiores
Dados oficiais do governo francês pesquisados pela BBDI Consulting International Developement e divulgados durante o seminário dão conta de que a França é atualmente a décima maior compradora do Brasil, principalmente de produtos agrícolas, além disso. vê na Amazônia um mercado potencial para gerar anualmente US$ 5,5 bilhões em insumos e componentes para as indústrias de cosméticos e alimentos.







