Nelson Azedo diz que empresas podem perder incentivos

Em: 8 de setembro de 2015
Nelson Azedo esclareceu que a Assembléia fez a sua parte, votando e aprovando mensagem do Executivo onde o termo do acordo com as empresas do pólo de duas rodas e do pólo termoplástico garantiu benefícios fiscais que mantivessem os empregos
Nelson Azedo esclareceu que a Assembléia fez a sua parte, votando e aprovando mensagem do Executivo onde o termo do acordo com as empresas do pólo de duas rodas e do pólo termoplástico garantiu benefícios fiscais que mantivessem os empregos

Presidente da Comissão Anticrise, criada pela ALE (Assembleia Legislativa do Estado) para acompanhar os efeitos da crise econômica no PIM (Pólo Industrial de Manaus) e fiscalizar o programa de isenção fiscal concedido pelo Governo do Estado para conter demissões no Distrito Industrial, deputado Nélson Azedo (PMDB), disse, ontem, que as empresas que assinaram o acordo e não estão cumprindo poderão perder os benefícios do pacote anticrise.
Informação do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e da CUT (Central Única dos Trabalhadores), do Amazonas, Waldemir Santana, dá conta de que o pólo de duas rodas do Distrito Industrial já contabiliza 614 demissões.
Nelson Azedo, autor da proposta da audiência pública, afirmou que o momento não é de polemizar, mas de esclarecer. “A crise completa seis meses e afeta o mundo inteiro. A Ásia registrou perda de 9 bilhões de euros até o momento. O Amazonas lidera a queda na produção industrial do país com um índice de 5,5% em janeiro”, disse ele, citando a Moto Honda, empresa que divulgou queda na sua produção industrial de 40% em fevereiro.
O parlamentar destacou que o quadro poderia ser até mais drástico se o governo do Estado não tivesse agido com prontidão ao antercipar-se para manter os postos de trabalho e para que a crise financeira não chegue à casa dos trabalhadores amazonenses, em forma de desemprego e da impossibilidade do sustento da família.
Nelson Azedo esclareceu que a Assembléia fez a sua parte, votando e aprovando mensagem do Executivo onde o termo do acordo com as empresas do pólo de duas rodas e do pólo termoplástico garantiu benefícios fiscais que mantivessem os empregos. Entretanto, na primeira reunião da Comissão, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e da CUT, Waldemir Santana, afirmou que as empresas do pólo industrial incentivado estavam descumprindo o acordo.
Devido a esse motivo, os deputados que integram à Comissão Anticrise, como Marco Antônio Chico Preto (PMDB), Vera Lúcia Castelo Branco (PTB) e Adjuto Afonso (PP), fizeram vários questionamentos aos secretários de Estado da Fazenda, Isper Abrahim, e do Planejamento, Denys Minev.
Chico Preto, por exemplo, queria saber quais os instrumentos usados pelo Governo do Estado para o acompanhamento das demissões pelas empresas incentivadas, o que é feito pelo Cageg (Cadastro Geral de Empregados), que lista admissões e desligamentos, além de visitas feitas pelos órgãos governamentais.

Renúncia fiscal chega a R$4,5 mi

O secretario de Estado da Fazenda, Isper Abrahim, garantiu ontem em reunião no plenário da Assembléia Legislativa que o governo do Estado concedeu uma renúncia fiscal de R$ 4,5 milhões do IPVA a motos e carros, visando conter os efeitos da crise financeira global. Ele contou que para motocicletas a isenção total do imposto é válida para todo o ano de 2009; para os carros novos vai até 30 de março.
O governo concedeu também a isenção do ICMS da energia elétrica aos setores de termoplástico e duas rodas do PIM (Pólo Industrial de Manaus).
Em contrapartida, as empresas, um total de 37, sendo 30 do setor termoplástico e sete de duas rodas, tinham que manter os empregos dos trabalhadores, o que segundo ele está sendo feito. Quanto às denúncias do Sindicato dos Metalúrgicos de que algumas empresas não estariam cumprindo o acordo e que 614 trabalhadores teriam sido demitidos por quatro empresas do setor de duas rodas, entre janeiro e fevereiro, Isper Abrahim disse que o governo só terá condições de saber quais as empresas que efetivamente não cumpriram o acordo em abril.
“O acordo vai até o dia 31 de março, após esse prazo iremos fazer um levantamento e só a partir daí teremos condições de detectar se houve quebra de acordo e em caso positivo iremos tomar as providências cabíveis”, disse.
Providências essas que, segundo Isper, passam pelo pagamento do imposto devido por quebra de acordo. Ele explicou que essas empresas tiveram ainda o pagamento do ICMS de janeiro e fevereiro postergado, com a opção de pagar 10% ou 15% do imposto devido e o restante parcelado em 30 e 60 dias. “Se descumpriram terão que pagar tudo em abril”, disse.
Isper admitiu que por ocasião da assinatura do acordo em janeiro, o governo permitiu que as empresas tivessem a margem de 1% para demissão nesse período até março, levando em conta que a readequação funcional. “É uma prática comum nas grandes organizações as empresas demitirem os trabalhadores que não estão se adequando ao trabalho, o que não é permitido nesse caso é demissão em massa”, disse.
O secretário de Estado do Planejamento, Denis Minev, lembrou que anualmente as melhores empresas demitem no decorrer do ano entre 10% e 15% de seus trabalhadores e foi pensando nisso que o governo deixou essa margem de 1%. Minev disse que mesmo com as demissões apontadas pelos sindicalistas, o Amazonas ainda está com um saldo positivo.
Valdemir Santana disse ainda que nunca foi falado pelo governo que as empresas podiam demitir até 1% de seu contingente de trabalhadores. Pelos cálculos dos Metalúrgicos mais de 17 mil trabalhadores perderam seus empregos no PIM desde que a greve se instalou e que o setor eletroeletrônico foi o que mais demitiu neste período.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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