A crise não impediu que as exportações da fábrica local da Nokia totalizassem US$ 440 milhões em 2008, 52% a mais que o montante registrado em 2007. O resultado garantiu a liderança da companhia no ranking de exportares do no PIM (Polo Industrial de Manaus), com 34,64% do volume comercializado pelo Amazonas no período –US$ 1.27 bilhão, segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).
Do lado das vendas domésticas, as notícias também são positivas. Embora siga a política de comunicação das organizações S/A de não fornecer números de produção ou metas de sua unidade local para 2009, além de estar impedida de se antecipar à matriz na divulgação do faturamento da fábrica, a multinacional destacou que a Nokia do Brasil subiu duas posições no ano passado, colocando o país como o oitavo mercado mais importante para a companhia.
Dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) informaram que o país encerrou 2008 com mais 29,6 milhões celulares, representando crescimento de 24,5% na base de telefonia móvel brasileira (150,6 milhões de aparelhos). A agência, no entanto, informou que as vendas sofreram desaceleração em dezembro e registraram queda de 22,75%, com 3,6 milhões (2008) contra 4,66 milhões de telefones (2007).
De sua parte, a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) contabilizou mais de 21,80 milhões de aparelhos produzidos no polo em 2008, 23,37% a mais do que em 2007 –em torno de 17,67 milhões. As vendas, por sua vez, totalizaram US$ 1.94 bilhão e cresceram 21,36%, com 21,19 milhões (2008) contra 17,46 milhões de unidades (2007).
Se o saldo do ano passado foi positivo, 2009 permanece como uma incógnita. A expectativa dos operadores de mercado é de redução nas vendas. Já a finlandesa garante que, apesar da crise, os projetos previstos para este ano estão em andamento, não devem sofrer alteração devido ao cenário financeiro global e serão anunciados no momento oportuno.
“A Nokia está mais preparada para lidar com a crise que qualquer outra empresa. Além de ser a líder mundial e contar com escala que lhe traz vantagens nas negociações com clientes e fornecedores, a companhia sempre foi reconhecida por sua forte e flexível estrutura de capital. Neste momento, esse fator torna-se um diferencial para a empresa, tanto globalmente quanto no Brasil. Fechamos 2008 com 39% de market share e 468 milhões de dispositivos vendidos”, declarou o diretor-geral da fábrica da Nokia em Manaus, Mauro Correia.
Insumos
De acordo com o executivo, a fábrica, que responde hoje por 1.500 empregos diretos, não sofreu abalos significativos em seus quadros por conta a crise. “Fizemos pequenos ajustes na área administrativa, com 12 desligamentos. Em 21 de novembro, finalizamos o encerramento de contratos de funcionários contratados temporariamente para o setor de produção, em um processo normal que acompanha a sazonalidade típica do mercado de celulares”, amenizou.
A maior preocupação de Mauro Correia é que parte considerável dos insumos do setor ainda está atrelada ao dólar, que sofreu forte elevação nos últimos cincos meses. Caso a moeda americana se valorize ainda mais, alertou o dirigente, os custos de produção vão acompanhar essa variação, obrigando fabricantes, operadoras e varejo a avaliarem o quanto podem absorver desse aumento para minimizar o impacto ao consumidor final e o volume de vendas.
Finlandesa está há 11 anos em Manaus
O diretor-geral da fábrica destacou que não há sinais de que os investimentos nos projetos socioambientais da multinacional em Manaus sofrerão alterações em 2009. Hoje, a empresa mantém a Fundação Nokia de Ensino –que fornece ensino técnico de ensino médio– e o Instituto Nokia de Tecnologia –que contribui para a formação de capital intelectual–, além de desenvolver diversas ações do gênero na região.
A companhia está há 11 anos em Manaus e foi a primeira do PIM a apoiar a política de agregação de valor socioambiental à produção do pólo, eliminando de seu processo produtivo substâncias nocivas ao meio ambiente, como PVC, bromo, cádmio e chumbo. Em torno de 25% da energia utilizada em suas instalações vem de fontes renováveis.
Recentemente, patrocinou estudo realizado por um consórcio de pesquisadores de universidades e institutos brasileiros que mensurou a relação do modelo de desenvolvimento regional com a manutenção da maior floresta tropical do mundo.
Os resultados demonstram como a estratégia de industrialização materializada no PIM vem contribuindo para a desaceleração do desmatamento da floresta amazônica, em particular no Amazonas.







