Nota fiscal eletrônica põe em xeque a indústria gráfica

Em: 3 de abril de 2008
O avanço tecnológico é inexorável e quem não se adaptar às novas realidades produzidas por ele fica pelo caminho.
O avanço tecnológico é inexorável e quem não se adaptar às novas realidades produzidas por ele fica pelo caminho.

O avanço tecnológico é inexorável e quem não se adaptar às novas realidades produzidas por ele fica pelo caminho. Nosso modelo econômico é darwinista, no qual somente os fortes e adaptáveis sobrevivem. Assim como é fácil surgir quaisquer atividades outras podem desaparecer, deixando apenas saudades, logo dissipadas no turbilhão de novas formas de produzir e abrir negócios, porque sempre haverá uma chance para quem está atento às oportunidades, que já produziram muitas fortunas pelo mundo.

Atualmente, a indústria gráfica está à beira do abismo porque tanto a Prefeitura de Manaus quanto o governo do Estado aderiram à emissão da nota fiscal eletrônica, a NF-e. Essas notas, que podem ser solicitadas pela internet, servem para aumentar o controle da entrada e saída de produtos e diminuir a sonegação fiscal. Essa medida aumentou a arrecadação e coibiu a prática nociva de sonegar impostos, deixando nos cofres públicos mais recursos para serem investidos em prol da sociedade.
No entanto, a NF-e caiu como uma bomba sobre as gráficas, nas quais boa parte do faturamento provinha da confecção de blocos de notas fiscais, hoje praticamente um anacronismo. O setor reclama de perdas de receitas na ordem de 50% a 70% e anuncia que poderá haver demissões para as gráficas se ajustarem à nova realidade. Também existe a reclamação de que a prefeitura não dialogou com o setor sobre as conseqüências da NF-e.
Ninguém defende o fechamento de empresas e a extinção de profissões, porque a conseqüência sempre é o desemprego, mas o desenvolvimento tecnológico já anunciava que este dia chegaria. As gráficas devem se adaptar às novas condições de mercado e buscar outros clientes, até porque se a economia vai bem, o setor é o primeiro a se beneficiar: as empresas precisam anunciar que estão bem, e informam com encartes, folders e outros tipos de mídia que precisam ser impressos.
É triste constatar que muitas profissões foram se extinguindo ao longo da marcha humana, mas sempre novas atividades foram criadas, como uma conseqüência da própria extinção. Manaus já teve os catraieiros como uma instituição da cidade dividida por igarapés, mas que a simples construção de pontes bastou para eliminá-los. Hoje são saudades. Assim é a vida.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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