Nova pauta do Codam preveem geração de 1.245 novos postos de trabalho

Em: 11 de julho de 2023

O Codam avalia, nesta terça (11), uma pauta de R$ 766,93 milhões, com um total de 36 projetos para o PIM. A lista inclui iniciativas de implantação de novos negócios (18), e também de diversificação (17) e atualização de linhas de produção já operantes no Polo Industrial de Manaus. As propostas previstas na 302ª Reunião Ordinária do Conselho de Desenvolvimento do Amazonas preveem ainda a geração de 1.245 novos postos de trabalho, nos próximos três anos. Os dados são da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação).

A terceira reunião deste ano apresenta número menor de projetos, mas conta com volume de investimentos pouco superior, além de uma quantidade muito mais generosa de empregos. As 50 proposituras submetidas ao Codam, em abril, previam aportes globais de R$ 717 milhões e oferta de 847 novas vagas no Distrito Industrial, no próximo triênio. A diferença é mais desfavorável quando se compara aos números contabilizados no encontro de 12 meses atrás: 40 proposições, injeção de aproximadamente R$ 1,54 bilhão e geração de 1.373 de mão de obra direta. Vale notar que as proposituras citadas no ano passado foram apresentadas pouco antes da crise do IPI.

Caso a pauta de hoje seja aprovada na íntegra, o Conselho de Desenvolvimento do Amazonas terá dado sinal verde para R$ 2,57 bilhões em novos investimentos, no aglutinado dos sete primeiros meses de 2023, assim como a criação de 3.293 novos empregos, alocados em um total de 119 projetos. O quantitativo também ficaria acima do balanço do mesmo período de 2022, em termos de iniciativas industriais (92). Mas, não de aportes de capital (em torno de R$ 5,04 bilhões), ou mesmo de abertura de vagas no mercado de trabalho local (4.327). 

Implantação e diversificação

Como de hábito, a pauta de produtos previstos nas propostas submetidas ao crivo dos conselheiros é extensa. A lista inclui massas alimentícias, beneficiamento de pescados, condimentos e especiarias, luminárias, triciclos e motonetas elétricas, motocicletas, gases industriais, estruturas metálicas, fitas adesivas, concentrados para bebidas não alcoólicas, amaciantes de roupas, componentes eletrônicos e produtos termoplásticos em geral, entre outros itens.

De acordo com a Sedecti, o destaque da pauta, em termos de aportes para projetos de implantação, vem da empresa Livoltek Power Brasil Ltda. para a nova linha de produção de inversor solar fotovoltaico. No total, estão sendo injetados R$ 79,76 milhões em investimentos, entre investimentos fixo (R$ 48,77 milhões) financeiro (R$ 30,99 milhões). A empresa também deve abrir 200 novos empregos, registrando a maior oferta de oportunidades de trabalho entre os novos empreendimentos do PIM.

A maior parte do capital produtivo envolvido na 302ª reunião do Codam, no entanto, vem de projetos de diversificação. A Cal-Comp está entrando com R$ 333 milhões – o equivalente 43,42% da pauta – para produzir câmeras de vídeo para sistemas de segurança, moduladores de dados por rede óptica, distribuidores de conexões para rede “switch” e roteadores digitais. As novas linhas de produção devem abrir 296 postos de trabalho no Polo, entre diretos (278) e indiretos (18).

Outros projetos industriais de diversificação em destaque em termos de investimentos também vêm do polo eletroeletrônico de Manaus. A empresa Whirlpool Eletrodomésticos AM S.A. prevê injeção de R$ 64,78 milhões para fabricação de condicionadores de ar de janela e fornos de microondas. A oferta de empregos prevista é de 206 vagas. Já a LG Electronics está aportando R$ 5,09 milhões para produzir monitores de vídeo oled, para uso em informática. A nova frente de trabalho da fábrica tem estimativa de gerar 30 ocupações, nos próximos três anos.

Inovação e consolidação

A 302ª reunião do CAS será presidida pelo titular interino da Sedecti, Marco Antônio Villela, e transmitida por videoconferência, com transmissão pelo canal da Sedecti, a partir das 10h de terça (11). No entendimento do secretário estadual, a pauta é uma demonstração da confiança das empresas em investir no Amazonas e reflete os esforços do Executivo amazonense para criar um ambiente de negócios favorável no Estado. “Por orientação do governador, a Sedecti vem trabalhando no fortalecimento e crescimento industrial no estado. Como resultado desses esforços, temos uma volumosa pauta”, sintetizou.

Indagado sobre a pauta, o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, destacou à reportagem do Jornal do Commercio “o incessante trabalho desenvolvido pelo governo estadual” a fim de propiciar o cenário mais seguro e estável possível para as indústrias locais e potenciais investidores. No entendimento do dirigente, os números são “altamente positivos”, dada a conjuntura atual de incertezas, além de confirmarem o potencial de atração de capital para produtos inovadores para a ZFM, assim como a consolidação de segmentos já estruturados.

“É natural que, após um período de célere retomada, os números comecem a se acomodar, mesmo porque existe uma margem de crescimento da produção e consumo que é inelástica. Não obstante esse movimento esperado, temos também o atual cenário econômico e político que inibem maior crescimento. O panorama futuro depende muito dos rumos da reforma Tributária e da nova sistemática a ser implementada. Acredito que o PIM terá seu tratamento preservado e continuará como opção vantajosa para a alocação de novos projetos”, ponderou. 

Na mesma linha o presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Insumos e Componentes do Amazonas), Roberto Moreno, também considerou que a listagem da reunião do Codam só traz boas notícias à indústria incentivada de Manaus. “A ZFM continua mostrando muita força e confiança no contínuo desenvolvimento econômico da região. Os projetos da pauta contam com investimentos vultuosos. Mas, o mais importante são os empregos gerados que, em conjunto com os investimentos, demonstram a importância de nossos negócios”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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