A consideração de Antonio Gramsci acerca do papel do partido como organizador coletivo, como uma instituição que deve cumprir um papel pedagógico no sentido de dirigir os amplos setores para uma prática que eleve o nível do debate político e que permita uma coerência no confronto entre as distintas forças sociais na busca da hegemonia política, parece não ter encontrado seu correspondente na política nacional e local.
As manchetes de jornais e o noticiário em geral são reveladores. Todo o debate eleitoral atual, gira em torno de personalidades. Enfatiza-se a importância do líder, não como portador de um projeto coletivo, duradouro, que se articule a forças sociais existentes no interior da sociedade civil, mas como detentor de qualificativos pessoais, carismáticos, em torno do qual giram diferentes personagens, buscando potencializar suas pretensões eleitorais imediatas. Não é incomum assistir os pretensos candidatos se depreciando mutuamente, mas reivindicando o mesmo líder.
A ascensão do PT ao poder, partido que se tornou de massas e, ao longo de sua trajetória, cumpriu um importante papel, no sentido expor aos olhos da sociedade os diferentes projetos de classes que estavam em jogo, foi desolador. Esse partido não apenas se distanciou de seu projeto original como perdeu a capacidade de esclarecer às massas os distintos e inconciliáveis interesses em jogo.
A aproximação com as estruturas do Estado e do regime fez com que esse partido perdesse toda sua nitidez. Em vez de destruir os instrumentos que sempre alimentaram e reproduziram os setores dominantes no poder, repetiu as práticas fisiologistas anteriores e deu até uma organização sistêmica, sob um verniz de esquerda. Quando interessou, soube separar Lula do partido e enfatizou um personalismo extremado.
Hoje, os diferentes representantes dos setores da classe dominante gravitam em torno do capital político pessoal de Lula. O grande condottieri comanda, à distância, a formação de alianças e a projeção de candidaturas nacionais e regionais. Enquanto isso políticos de baixa estatura disputam vorazmente um lugar à sua sombra. Calculam inescrupulosamente desfrutar os dividendos de sua tão oportuna companhia. Até mesmo a oposição burguesa – tão igual – evita confronta-lo diretamente, preferindo a sua candidata.
O que parece uma vantagem, uma demonstração de poder, revela-se, na verdade, um grande fracasso. Diz muito a toda uma geração, que nos últimos 30 anos buscou transformar a cultura política do país. Uma eleição tão centrada no personalismo e tão distante de uma discussão mais profunda sobre que tipo de país se quer construir é uma derrota.
Para aqueles que se frustraram, para os mais céticos, é importante salientar que a política não se resume a esse padrão. Há mais vida longe desses personagens, desses partidos e dessas práticas. Bastar voltar os olhos para as forças vivas que brotam do impossível chão.
Novas eleições e velhas práticas
Em: 15 de abril de 2010
As manchetes de jornais e o noticiário em geral são reveladores
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Veja também

Petrobras batiza primeiro navio a navegar com tripulação 100% feminina
19 de setembro de 2026


Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de dependência
19 de setembro de 2026

Durigan: depois da eleição, a questão da tarifa dos EUA tem de se resolver
19 de setembro de 2026

Flávio: Lula colocou tropa de choque para defender Alexandre de Moraes
19 de setembro de 2026


BNDES já recebeu R$ 8,2 bilhões em pedidos de crédito do Brasil Soberano em dois dias
19 de setembro de 2026

Missão comercial leva empresas brasileiras ao Paraguai e à Argentina
18 de setembro de 2026