A instalação de novas empresas no PIM (Pólo Industrial de Manaus), constituído por cerca de 500 fábricas, e o desempenho positivo da indústria local, contribuíram para a expansão de um segmento ainda pouco explorado no Estado, o de consultoria econômica. Os negócios do setor cresceram até 12% em 2007, se comparados com 2006, e para esse ano a alta projetada é de 15% sobre o exercício anterior.
O bom momento, segundo consultores, é sustentado principalmente pelos resultados dos pólos de componentes e de duas rodas. Esse último, por exemplo, teve um acréscimo no faturamento de 26,31% entre janeiro e novembro de 2007 sobre igual intervalo de 2006, conforme os indicadores de desempenho da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).
Importante ressaltar que o sucesso desse setor no ano passado (para citar apenas ele, cujo faturamento até novembro superou o acumulado de todo o ano de 2006) vai estimular a implantação de novas unidades de componentes em 2008, ampliando a cadeia produtiva local. Duas empresas já tiveram seus projetos industriais aprovados ainda em 2007.
A aprovação do PPB (Processo Produtivo Básico) de cosméticos no final de dezembro passado é apontada também como outro fator que deverá impulsionar o mercado de consultoria em 2008, assim como a entrada de fabricantes de concentrados para bebidas não-alcoólicas. Ao mesmo tempo em que há empresas saindo do PIM, os executivos lembram que há outras entrando na cidade, gerando renda e emprego.
Orientação segue tendências de mercado
Os consultores fazem desde o estudo de mercado, orientação do tipo de negócio a ser implantado, até a indicação dos caminhos que o empresário deve percorrer na hora de instalar e manter um empreendimento. “Nós orientamos, mas é do empresário a decisão final. Dizemos, por exemplo, a que resultados ele pode chegar em cada ramo de atividade em que se propõe a atuar”, explicou a economista Eneida Silvestrim, sócia-proprietária da Audax Consultoria.
Os escritórios de consultoria, destacou a especialista, estão cada vez mais bem preparados, com dados estatísticos atualizados sobre os negócios na capital amazonense e com foco no mercado internacional. A ordem, segundo ela, é acompanhar as mudanças e tendências da economia e orientar conforme a legislação vigente.
“Algumas empresas, por exemplo, mudam de ramo ou resolvem terceirizar parte da sua produção. Apesar de estarmos em uma zona incentivada, ainda pagamos muitas taxas e impostos e isso requer um acompanhamento constante para a orientação dos nossos clientes”, salientou Eneida.
No último ano, a Audax obteve uma alta de 12% no volume de negócios em relação a 2006. A perspectiva para 2008 é crescer novamente acima dos 10%. A necessidade de investimentos em setores como o químico, relojoeiro e o ótico, mostra que ainda há espaço para crescer ainda mais nos próximos anos, sem contar o incentivo ao setor alimentício (das indústrias que utilizam produtos regionais), de acordo com a economista.
Autônomos concorrem
Outra a projetar alta expressiva no volume de negócios para 2008 é a empresa de consultoria Objetiva. Para o ano, o crescimento esperado é de 15% sobre o ano passado, quando cresceu 10% sobre 2006. “É um bom mercado, com um grande leque de atuação. O problema mesmo é a concorrência com os autônomos, pois não emitem nota fiscal e não têm a estrutura que temos”, assinalou a sócia-proprietária e economista, Denise Amaral.
O perfil do cliente das empresas de consultoria mudou, segundo Denise. A economista explicou que o aumento da concorrência tem feito com que os empresários façam cotação de preços quando planejam a implantação de um projeto. “Até há pouco tempo o consultor era como o médico de família. Uma vez contratado, o era pelo resto da vida, ao contrário de agora”, explicou. “Mas isso é bom pela competitividade, pois nos leva à maior qualidade, como consequência”, completou.







