Anchieta Júnior
A morte do ex-governador Ottomar de Souza Pinto, no dia 11 de dezembro, e a posse do novo mandatário de Roraima, José de Anchieta Júnior, em 14 de dezembro, são ‘recortes’ entre os principais fatos que mexeram com a vida política do Estado no ano passado.
Jornal do Commercio – No dia em que morreu, Ottomar encontrava-se em Brasília para agenda com o presidente Lula, a respeito do repasse de terras da União para o Estado. O senhor vai manter essa linha de discussão com o governo federal e quais serão as suas prioridades para o setor econômico de Roraima?
Anchieta Júnior – A principal prioridade de governo é tentar resolver a questão fundiária das nossas terras, haja vista que o governador Ottomar já tinha iniciado as negociações. Hoje, esse é um dos principais entraves para o nosso desenvolvimento. Além disso, devemos aproveitar a chegada do verão e logo nos três primeiros meses de 2008 investirmos na recuperação das estradas e vicinais, rodovias estaduais e, dentro de nossas possibilidades, as vias federais. É claro que essas últimas são mais difíceis, uma vez que os recursos são destinados pelo governo federal. O orçamento de 2008 prevê recursos da ordem de R$ 11 milhões para a recuperação das estradas e investimentos no sistema de transporte de roraima, enviados pelo governo federal.
JC – Governador, tanto as importações quanto as exportações se mantiveram em queda no acumulado no ano de 2007, em comparação aos intervalos de 2006, conforme dados do Decoex (Departamento de Comércio Exterior). O senhor pretende implementar alguma política econômica no sentido de conter os resultados negativos?
Anchieta – Essa será uma das metas nesse mandato. Inclusive, já temos alguns projetos, como o de duas empresas de usinas de álcool, que estão se instalando aqui e devem ajudar as melhorar as exportações, porque temos um mercado consumidor vizinho que carece do produto. Outro projeto é o Passarão de Fruticultura, que vai ser implementado em 2008, com intuito de exportar produtos para Venezuela e Amazonas.
No caso das usinas, as empresa já chegaram ao Estado, iniciaram a plantação de cana-de-açúcar e propõem se instalar até o próximo ano.
JC – Entre as dificuldades apontadas pelo empresariado local está a disputa com o mercado fronteiriço, por conta das facilidades oferecidas em Lethen (Guiana) e Santa Helena do Uairém (Venezuela). O senhor tem alguma proposta para fomentar as compras no comércio de Boa Vista?
Anchieta – De fato, o comércio local vive um problema muito grande em função das facilidades oferecidas na ZFM (Zona Franca de Manaus) e em Santa Helena. Estamos cercados por áreas de isenções fiscais e isso gera prejuízos para o comércio. Por isso, o secretário de Fazenda do Estado já levou para o Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) uma proposta de estender os incentivos de Manaus para toda a Amazônia Legal, com o objetivo de aumentar a nossa competitividade, pois a concorrência está sendo desleal.
JC – Mais da metade dos recursos que entram na economia local é oriunda do contracheque e da folha de pagamento público. Como é que senhor pretende reverter esse quadro e investir no desenvolvimento de outros setores?
Anchieta – Cinqüenta e seis por cento do PIB (Produto Interno Bruto) de Roraima é representado pelo dinheiro público. O sonho do ex-governador era reverter esses números. Por isso, todas as ações que vamos desenvolver em prol do desenvolvimento do Estado é com intenção de diminuirmos o percentual de participação do dinheiro público na economia e levantarmos a participação do outros setores como o segmento privado.
JC – Ainda em relação ao tema dinheiro público, está previsto no orçamento de 2008 aumento para os funcionários dos três poderes e cargos comissionados?
Anchieta – Anualmente damos um pequeno reajuste em função da inflação e dos índices registrados pelo governo. A idéia para este






