Novo modelo do setor requer reajustes

Em: 20 de março de 2009
Diante da crise internacional, o novo modelo do setor elétrico que completa cinco anos de implantação, já precisa de ajustes para superar eventuais problemas que estão surgindo na área
Diante da crise internacional, o novo modelo do setor elétrico que completa cinco anos de implantação, já precisa de ajustes para superar eventuais problemas que estão surgindo na área

Diante da crise internacional, o novo modelo do setor elétrico que completa cinco anos de implantação, já precisa de ajustes para superar eventuais problemas que estão surgindo na área. A avaliação é do professor Nivalde de Castro, coordenador do Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétricol) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Castro apontou, entre os problemas eventuais, a questão do meio ambiente, que ainda está travando a construção de novas usinas hidrelétricas, e o mercado livre, com elevada volatilidade de preços, que gera incerteza para as indústrias que participam desse mercado.
Para debater esses e outros entraves ao desenvolvimento do setor, o Gesel promove nos dias 23 e 24 deste mês, no Rio, o seminário Cinco Anos do Novo Modelo: Realidade e Perspectivas para o Setor de Energia Elétrica. O encontro reunirá autoridades como os ministros Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Edison Lobão, de Minas e Energia, além de especialistas e empresários.
Para Nivalde de Castro, a crise financeira internacional não vai afetar de forma drástica o modelo em vigor no Brasil, porque ele tem fundamentos muito sólidos, principalmente os leilões que são realizados. Como exemplo, citou o leilão de linhas de transmissão de 2,5 mil quilômetros do Rio Madeira, realizado em novembro passado, que projetou investimentos em torno de US$ 3.3 bilhões.
Houve interesse por parte das empresas de participar desse empreendimento. E isso em um momento de crise grave que o mundo e o Brasil estavam passando. Essa é uma prova de que o modelo está blindado, porque ele se apóia em leilão, se apóia em contratos de longo prazo.
O coordenador do Gesel destacou a necessidade de que seja trazida mais bioeletricidade, como o bagaço da cana, e mais energia eólica (produzida a partir dos ventos), para a matriz energética, por meio da realização de leilões específicos para essas duas fontes renováveis. Isso servirá para evitar o que os especialistas já estão chamando de armadilha das usinas térmicas a óleo. É preciso, disse Castro, promover um ajuste na maneira como as usinas a óleo têm os valores fixados nos leilões.
O novo modelo do setor elétrico conseguiu se consolidar e superar todos os problemas herdados do modelo anterior, baseado quase exclusivamente na privatização dos ativos e do próprio planejamento, disse Nivalde.
A crise do apagão mostrou claramente que o modelo anterior não tinha sustentação e capacidade de resolver os problemas de investimento e de expansão do setor elétrico brasileiro.
O novo modelo foi iniciado entre 2003 e 2004 e hoje é copiado internacionalmente. O coordenador citou o caso do Peru, que está segundo informou, pedindo investimentos brasileiros por meio da Eletrobrás, para expandir a capacidade instalada do setor elétrico, de modo a evitar riscos de desabastecimento.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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