Novo ou usado, eterna dúvida para quem busca comprar um carro

Em: 4 de fevereiro de 2009
Na hora de adquirir um veículo, vem a dúvida: novo ou usado? Ambos apresentam vantagens e desvantagens, seja em relação à parte técnica ou a pagamentos de taxas junto aos órgãos responsáveis
Na hora de adquirir um veículo, vem a dúvida: novo ou usado? Ambos apresentam vantagens e desvantagens, seja em relação à parte técnica ou a pagamentos de taxas junto aos órgãos responsáveis

Na hora de adquirir um veículo, vem a dúvida: novo ou usado? Ambos apresentam vantagens e desvantagens, seja em relação à parte técnica ou a pagamentos de taxas junto aos órgãos responsáveis. Na incerteza, o consumidor deve avaliar os prós e contras na hora de comprar o esperado automóvel.
Na Solimões Veículos, especializada na venda de carros novos, cerca de 250 veículos zero quilômetro são comercializados por mês. Segundo o gerente da concessionária, Paulo Cunha, quase 500 pessoas visitam mensalmente o pátio da loja em busca de seu sonho de consumo.
De acordo com ele, quando os clientes chegam à loja, o principal foco é no valor e formas de financiamento: “Geralmente o principal interesse estão nas opções de financiamento e formas de pagamento”, disse. Depois dessa parte, surge o interesse pela técnica, marca e outros itens acessórios. Segundo ele, após essa fase, quase 100% das pessoas adquirem o veículo.
Na opinião de Cunha, a aquisição de um carro novo sai sempre mais em conta em detrimento da aquisição de um usado, por contas da taxas de financiamento para este tipo que, segundo ele, são mais baixas.
Ouro fator apontado é a garantia que o bem possui. De acordo com o gerente, esses automóveis possuem garantia de três anos, e, além disso, a certeza de não haver preocupações com possíveis revisões imediatas. “Há também a garantia de valorização do valor aplicado. Por exemplo, num seminovo, você aplica R$ 10 mil e em um mês você não consegue vender pelo mesmo valor, há um perda de no mínimo 20% desse valor”, afirmou.
Segundo ele, a valorização do novo é outro requisito a ser considerado já no momento da compra, pois na hora da venda, a perda não chega ao valor de 20%. Quanto a velha afirmação de que “o automóvel zero desvaloriza muito rápido a partir do momento que ele sai da concessionária”, ele é categórico: “Isso é divulgado por quem vende, é afirmação sem fundamento, não tem explicação.”

Mais trabalho

Para a compra de um carro usado, além do valor do ­veículo, o comprador terá de desembolsar uma importância a mais para os pagamentos de taxa e licenciamento.
Os documentos necessários são RG, CPF, comprovante de renda e de residência. Com o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) suspenso, o consumidor terá de dispor de quantia para pagamento do seguro obrigatório, taxas junto ao Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e honorários para o despachante. Cunha calculou que o valor médio de todas essas taxas fique em torno de R$ 350.
Na opinião de Francisco Zanin, responsável pelo site Carromanaus.com, que congrega revendedores de carros usados, os clientes hoje têm preferido adquirir o carro novo mais em virtude da facilitação oferecida pelas concessionárias para a compra, nas mais variadas opções de financiamento. “No caso de carro usado, somente aqueles mais antigos, com mais idade estão sendo vendidos. Os seminovos têm valor muito próximo ao zero e, na maioria das vezes, de acordo com a taxa de juros praticada, ele acaba saindo mais caro do que os carros novos”, afirmou.

Corra de roubadas, alerta especialista em mecânica

Na hora de comprar um carro usado, cautela e atenção são imprescindíveis para o fechamento do negócio, afirmam os profissionais especializados no assunto. Para aqueles ansiosos por efetuar a aquisição de um automóvel usado, recomenda-se atenção redobrada no funcionamento do carro e na documentação obrigatória.
De acordo com o gerente da oficina Auto-Rodão, Ayres Tavares, no ato da aquisição é necessário antes de tudo fazer uma revisão no carro a ser adquirido, ou ainda, comprar um carro já revisado. Porém, há alguns itens a serem avaliados pelo próprio cliente: “Ele deve antes de tudo, ligar o carro para verificar o funcionamento. Se o carro funcionar na primeira tentativa, é sinal de um bom funcionamento do motor. Se demorar a pegar pode procurar outro, pois é ‘roubada’”, afirmou.

De olho na lataria

Outro item a se observar é a lataria. Caso o carro possua manchas ou cores diferentes, é indicativo de uma possível “maquiagem”, em um carro que sofreu batida ou arranhões. “Algumas ­pessoas usam essa tática, mas depois de três meses o ­defeito começa a aparecer”, disse. Segundo Tavares, deve-se avaliar também possíveis problemas na suspensão do carro. Ele recomendou ­também o acompanhamento de um mecânico de confiança da pessoa, para ­avaliação se a aquisição é uma boa escolha.
Tavares afirmou receber em torno de quatro clientes por mês com demanda de avaliação de veículos ­pré-compra. O cliente e o ­vendedor vão até a oficina para aferição do veículo, com a presença do mecânico de confiança do cliente. “Certa vez, veio um vendedor e um cliente, e a revisão apontou a suspensão estourada. O ­rapaz que queria vender ficou bastante chateado e terminou não vendendo o carro”, disse.
O gerente da Rodão ainda deu a seguinte dica para ­evitar a compra de carros que já serviram como táxis. É preciso observar as informações constantes na placa do carro: “Nos modelos antigos, se houver as letras XT, é sinal que o carro já foi táxi”, disse. Nesse quesito, também pode identificar como sendo um ex-táxi, a pintura interna do automóvel destoando da restante.

Usado oferece solução rápida

A designer Nara Vieira começou a dirigir aos 19 anos e recebeu o primeiro automóvel como herança da mãe. Depois de três anos andando com o automóvel “caindo aos pedaços”, como ela mesmo descreveu, decidiu trocar. Com a venda do velho, conseguiu R$ 4.000 e negociou a aquisição de um outro carro, também usado.
Quando comprou o seu Palio 97, contou com a ajuda do mecânico da família e após a avaliação deste, recebeu parecer positivo para a compra. “O mecânico falou que estava bom e eu ­acreditei, mas eu vi o que eu poderia: vi se o banco levantava, se o carro ligava e não fazia nenhum barulho, essas coisas”, afirmou. Há quatro anos com o “novo”, ela ainda não pensa em trocar por outro.
A exemplo de Nara, depois de verificar se o estado do carro está perfeito, o consumidor deve ficar atento à se a documentação do veículo está em ordem. Os documentos são os seguintes:

-Comprovante de pagamento do IPVA.
-Comprovante de pagamento do seguro obrigatório (DPVAT).
-Certificado de registro.
-Licenciamento do veículo.
-Certificado de transferência, datado, preenchido e com firma reconhecida (recibo/contrato de venda).
-Para a transferência, é preciso ter em mãos os comprovantes de pagamento do IPVA, do seguro obrigatório e das multas, certificado de registro e licenciamento de veículos, recibo de venda ou contrato.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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