Planejamento, gestão e comportamento empreendedor são recomendações de especialistas
No ano de 2014, entre janeiro e novembro, segundo a Serasa Experian, foram criadas 1,7 milhão de empresas no Brasil, apesar da economia estagnada. Este ano, por sua vez, será de ajustes econômicos, obrigando micro, pequenos e médios empresários, ou aspirantes a ser um, a saber quais rumos tomar na hora de abrir um negócio. Perseverança e cautela são sempre dicas úteis, mas este ano, será preciso mais. Especialistas e empreendedores sugerem que estes novos empreendedores descubram o perfil certo e o ramo propício a investir, evitando fechamento prematuro de empresas e fracasso econômico.
O consultor em gestão de pessoas Eduardo Ferraz chama atenção para um aspecto: nem todas as pessoas têm o perfil para ser empreendedor, pois abrir o próprio negócio exige muito esforço e perseverança de quem pretende seguir esse caminho. “A pessoa que tem vontade de abrir um negócio precisa saber que vai trabalhar em dobro, vai ter pouca segurança de que aquilo dará certo, vai ganhar menos e ter poucas férias. O dono é um verdadeiro ‘faz tudo’ e precisa ter muita perseverança”, afirma.
Além da perseverança, o consultor enumera disposição e estudo como as principais ferramentas para quem deseja se tornar dono de uma empresa. Ferraz explica que antes de abrir o negócio, é necessário conhecer todo o histórico daquela marca (caso se trate de uma franquia). Além disso, é preciso calcular quanto vai vender por mês, quanto dinheiro irá sobrar, quanto custa contratar e demitir funcionários, quantos meses de capital de giro precisará para sobreviver, qual será a retirada mensal. “Tudo depende de muito planejamento”.
Novo segmento, mesmos riscos
Criada em 2014, a Associação Amazonense de Startups, por tratar com um segmento novo, entende mais sobre riscos de empreender em um campo desconhecido por muitos. A missão da associação é organizar, capacitar e prestar consultoria para os pequenos empreendedores. Para o empresário e presidente da entidade Fábio Marreiros, a ideia de se criar a entidade visa dar o treinamento de base para quem tem boas ideias.
“Oferecemos bons parceiros e um local que pode ser usado como escritório pelas startups, dando total apoio ao empreendedor. Na associação temos um bom modelo de parceria: quando uma startup precisa de um especialista em marketing, ele está na mesa ao lado e é assim com contabilistas, designers e outros profissionais, todos no mesmo espaço”, comenta.
As incertezas e riscos de se abrir uma empresa são de conhecimento de Fábio, que lamenta a falta de consultoria em um empreendimento antigo. “Tenho experiência em correr riscos e digo, empreender não é fácil, errar até faz parte. Tive a ideia de uma prestadora de serviços, que contrataria pedreiros, limpeza e outros via internet, investi R$ 200 mil na ideia e não deu certo, por falta de um melhor direcionamento. A ideia era ótima para mim, mas precisa ser ótima para o cliente. Se houvesse recebido uma boa consultoria, talvez vencesse”, ressalta Marreiros.
Conhecer os clientes
Não saber qual o público alvo da empresa é outra preocupação dos especialistas para um ano mais competitivo, para Eduardo Storini, da Agência St (www.agenciast.com.br), as empresas que não investem em conhecer os seus clientes estão perdendo dinheiro. “Se os empresários não conhecerem seus públicos como saberão onde encontrá-los? A longo prazo, podem perder espaço para os concorrentes, com a evolução do meio digital, a comunicação entre empresas e consumidores acontece de maneira muito direta e você precisa ser capaz de conhecer os diferentes perfis para alinhar o discurso para cada um deles” resume.
Queda na confiança
Os ajustes econômicos programados para este ano causarão impactos na confiança dos pequenos e médios empresários, os empreendedores devem estar atentos a erros. O IC-PMN (Índice de Confiança do Empresário de Pequenos e Médios Negócios no Brasil), divulgado pelo Insper em parceria com o Santander, apontou que a confiança da categoria para o primeiro trimestre de 2015 atingiu 58,9 pontos, recuando 7,18% em relação ao trimestre anterior.
E a desconfiança já vem sendo motivo de desaceleração na abertura de novas empresas. O número de novas empresas caiu 9,2% em novembro em relação a outubro, pelo segundo mês consecutivo, para 145.048, de acordo com o último dado revelado pela Serasa Experian. Segundo a entidade, fatos ligados às incertezas com relação à política econômica do governo recém-empossado e o quadro de estagnação da economia pesaram negativamente sobre a criação de novas empresas.
Artur Mamede
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