O grande potencial para expansão da produção de açúcar e álcool no país, aliado ao crescimento na demanda mundial por energia de fontes alternativas, deu um novo dinamismo ao agronegócio brasileiro. O setor mais relevante da economia nacional, responsável por um terço do PIB (Produto Interno Bruto), vive uma corrida sem precedentes de investimentos.
Grandes grupos nacionais e internacionais estão sendo atraídos para o setor sucroalcooleiro, de olho, não só na produção do açúcar e do álcool, mas na possibilidade de agregar a esses insumos a produção de biocombustível e de bioeletricidade. O setor quer contribuir para evitar um futuro apagão energético. O grupo Odebrecht, tradicional no setor da construção civil, escolheu o Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do Estado de São Paulo, para criar seu pólo sucroalcooleiro.
A região ficou conhecida pelos conflitos entre fazendeiros e sem-terra, mas isso não inibiu a empresa: os investimentos podem chegar a R$ 3 bilhões. O plano da Odebrecht é estar entre os maiores grupos do setor no país em cinco anos. Para isso, adquiriu uma usina tradicional na região, a Alcídia, em Euclides da Cunha Paulista, e outra em obras, a Conquista do Pontal, no distrito de Cuiabá Paulista, em Teodoro Sampaio, e planeja a construção da terceira unidade em Presidente Epitácio, onde o grupo já adquiriu terras. Consolidado o pólo paulista, a Odebrecht pretende investir também nos Estados do Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais.
O projeto de uma usina em Rio Brilhante (MS) está em andamento. É uma das empresas que devem ser atendidas pelo álcoolduto que interligará as regiões produtoras ao terminal da Petrobras em Paulínia (SP) e ao porto Paranaguá (PR). A expectativa é de que, num prazo de dez anos, o setor sucroalcooleiro passe a representar até 25% do faturamento do grupo. O secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo João Sampaio disse acreditar que os investimentos irão contribuir para o desenvolvimento do Pontal do Parananapema. “Haverá geração de emprego qualificado e de renda.” Ele lembrou que a renovação dos canaviais, à razão de 20% ao ano, deverá estimular também a produção de grãos. Segundo Sampaio, a Odebrecht planeja agregar o biodiesel à sua produção no Pontal.
O projeto envolverá famílias assentadas pela reforma agrária. Os novos donos da Alcídia assumiram a parceria que a usina mantém com assentados do MST para a produção de cana-de-açúcar, sob a supervisão da Fundação Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo). A Cerona (Companhia de Energia Renovável) optou pelo sudeste do Mato Grosso do Sul para os investimentos pioneiros. Um de seus diferenciais será a geração de eletricidade a partir do bagaço da cana e do eucalipto.
O grupo recém-formado vai investir R$ 1,5 bilhão no projeto que prevê a construção de duas usinas em Nova Andradina e Baytaporã. Na entressafra da cana, as fornalhas serão abastecidas com um mix de bagaço, palha e cavaco de eucalipto. Numa segunda fase, serão construídas mais duas usinas em Jateí e Anaurilândia. Até 2014, serão criados 3.000 empregos diretos.
A Cerona é formada pela BEP (Brazilian Energy Partners), um fundo americano, especializado em energia renovável, que detém 95% da empresa, e por sócios locais. O grupo trouxe para a direção da empresa o ex-presidente da Henkel do Brasil, Klaus Behrens, e o ex-presidente das usinas Guarani, Guy Dupire.
A Cerona ingressa no setor com bastante disposição:
juntas, as duas usinas devem processar de 8 milhões a 10 milhões de toneladas de cana por ano, sendo 7 milhões de produção própria. A produção anual será de 700 mil toneladas de açúcar e 450 milhões de litros de álcool. Mas a grande aposta é na geração de energia. A Cerona espera dispor de 1 milhão de megawatts ao longo do ano. Além de atender ao consumo próprio, o excedente será vendido para o sistema elétrico nacional.
“Estamos falando de uma receita extra de R$ 140 milhões por ano” disse Dupire. Além da cana,







