O governo da Bolívia afirmou na terça-feira que nunca houve uma “ruptura” com a Petrobras, apesar de a empresa ter suspendido investimentos em novos projetos no país vizinho após a nacionalização decretada pelo presidente Evo Morales.
“Em nenhum momento houve ruptura (com a Petro-bras) nem tensões de nenhuma natureza”, disse o ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, em entrevista à televisão local “ATB”.
Villegas ressaltou que, nos últimos dias, conversou várias vezes com o ministro de Minas e Energia, Nelson Hubner, e o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, sobre a “necessidade de inaugurar uma nova fase” na relação bilateral, especialmente no âmbito energético.
A Petrobras, maior empresa estrangeira na Bolívia, foi uma das mais afetadas pela decisão do presidente de nacionalizar os hidrocarbonetos, em maio de 2006. Desde então, a empresa só realiza os investimentos necessários para manter suas atividades já existentes no país vizinho.
Além disso, em agosto o governo Morales fechou a compra das duas refinarias que a Petrobras administrava na Bolívia.
Atualmente, a companhia explora na Bolívia os campos de gás natural de Santo Antonio e San Alberto e é responsável pelo gasoduto Brasil-Bolívia.
Villegas reiterou que os equipamentos técnicos da Petrobras e da estatal YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos) “já estão trabalhando” no estudo dos novos investimentos.
Além disso, Gabrielli e o ministro Nelson Hubner vão à Bolívia na próxima semana a fim de manter as negociações.
Villegas disse também que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará Bolívia ainda este ano, como o próprio Evo Morales tinha anunciado na quinta-feira passada.
Garantias de retorno
O ministro de Minas e Energia, Nelson Hubner, disse que a Petrobras só voltará a investir na Bolívia caso o retorno seja lucrativo. Ele confirmou que a estatal avalia voltar a participar da produção de gás no país vizinho.
“Os bolivianos pediram mais investimentos, mas a decisão é da Petrobras. A estatal disse que poderá investir mas se forem garantidas as condições de retorno”, disse Hubner. O ministro disse ainda que é importante para a Petrobras voltar a operar na Bolívia para garantir o atendimento do mercado de gás no Brasil e também para manter “boas relações” com o vizinho, presidido por Evo Morales.







