‘O Brasil é a maior vítima do aquecimento global’

Em: 4 de junho de 2024
Philip Fearnside dividiu o Nobel da Paz de 2007 por pesquisas sobre o aquecimento global (Ascom/Inpa)

ENTREVISTA: Philip Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

Reconhecido como um dos maiores especialistas em mudanças climáticas no planeta, Philip Fearnside é referência quando se fala em aquecimento global. Prova disso é que dividiu o Nobel da Paz de 2007 com Al Gore e outros 3000 cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) pelas pesquisas sobre o aquecimento global. 

Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) ele também é membro da  Academia Brasileira de Ciências e possui associações com a Academia de Ciências de Chicago (CAS, na sigla em inglês), com a Sociedade Científica Mexicana de Ecologia (SCME), Sociedade Linneana de Londres e com o já citado IPCC.

Fearnside tem opiniões firmes sobre alguns projetos de desenvolvimento no Amazonas, como a BR-319, sendo um dos principais críticos da obra. Para ele, não há fundamentação nas propaladas vantagens econômicas da rodovia para o Amazonas. O pesquisador também afirma ser necessário adotar a redução das emissões com urgência, sob o risco de assistirmos, em breve, fenômenos ainda mais severos do que os registrados no Rio Grande do Sul e no Amazonas no ano passado. 

A seguir você acompanha a entrevista completa. 

Fred Novaes

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Jornal do Commercio – O senhor tem monitorado esse fenômeno da vazante severa que a gente viu no ano passado, com um impacto muito grande e já com informações sobre a ocorrência neste ano também. Eu queria que o senhor comentasse sobre as ações que estão sendo tomadas na tentativa de minimizar o impacto desse fenômeno. Elas contemplam aquilo que precisa ser feito para reduzir esse impacto? 

Philip Fearnside – Tem coisas que dá para fazer com o objetivo de minimizar o impacto quando acontece uma grande seca. Ter um plano para levar mantimentos para essas populações isoladas, que perdem o sustento e também ajudar a se deslocar a outro lugar, se for enchente e se mostrar necessário. Evidentemente isso não está acontecendo. Olha o desastre lá no Rio Grande do Sul. Todos totalmente despreparados, apesar dos avisos, etc. E a outra coisa que tem que fazer é frear o aquecimento global, que está por trás desse aumento nos eventos extremos. O Brasil, entre os países, seria a maior vítima do aquecimento global, se for sair do controle. E estamos muito perto disso, porque o problema é que o máximo que podemos fazer para frear o aquecimento global é não emitir mais nada. E feito propositalmente, por exemplo, queimando, combustíveis fósseis e desmatamento, etc. Essas são as coisas que são decisões humanas para fazer alguma coisa que emite gás de efeito estufa. Agora, também tem muitas coisas que não são propositais. Por exemplo, incêndios florestais, se tem Amazônia queimando, se tem Austrália, Califórnia, etc. no mundo, isso tudo emite gás de efeito estufa, mas não é uma coisa proposital. Você tem todos os solos no mundo esquentando e emitindo carbono. Inclusive, o solo embaixo da floresta amazônica, nosso grupo já mostrou isso. E tem a tundra derretendo e expondo os tufos que emitem gás, tem bóias de metano no Oceano Ártico, tem todos os oceanos esquentando e não absorvendo mais tanto CO2. Então, essas coisas não propositais são uma grande ameaça, porque se essas passam da quantidade que a gente emite propositalmente, não temos como parar o aquecimento global. Segundo o último relatório do IPCC, no Painel Intergovernamental do Clima, em 2019, que foi o último ano levantado, toda a sociedade humana emitia 12 bilhões de toneladas de carbono. Então, se queres aqui, o máximo que podemos fazer é não emitir esses 12 bilhões de toneladas, se não queima mais um litro de gasolina, não corta mais uma árvore, só 12 bilhões de toneladas. Então, se o que está saindo com os incêndios florestais, etc e tal, é mais do que isso, então a gente vai esquentando mais, se tem mais incêndios, não tem como parar o aquecimento global. E a Amazônia está no meio disso, o centro desse problema, porque temos um enorme estoque de carbono, centenas de bilhões de toneladas somados só com a floresta na Panamazonia. Então, a primeira coisa que tem que fazer é parar o desmatamento, isso é óbvio, mas tudo o que o Ministério do Meio Ambiente faz para fiscalizar e multar, etc, todo o resto do governo está do outro lado, estão fazendo coisas que emitem mais gás e que vão comprometer mais gás aí no futuro, por exemplo, construindo a BR -319, uma enorme área de floresta para invasões e desmatadores. Se tem petróleo, querendo fazer novos poços na foz do Amazonas, aumentando também o pré-sal e todo o Nordeste, e tem esse leilão, inclusive várias aqui no Amazonas, tem um plano para a grande área de petróleo e gás, áreas sedimentares de Solimões, o oeste do rio Solimões, o rio Purus, e tem todos os outros ministérios, Transportes e Minas e Energias tem a parte do INCRA legalizando as reivindicações no CAR e tudo mais, isso que leva a mais desmatamento, não menos, então tudo isso tem que mudar para não emitir essas gás, senão nós vamos ter inundações e secas muito piores ainda que estamos experimentando, então obviamente é uma loucura.

‘O Brasil é a maior vítima do aquecimento global’ - Floresta Foto Anselmo DAffonseca
Pesquisador afirma que já há informações mais do que suficientes para saber que é preciso uma mudança radical na relação com a floresta (Anselmo DAffonseca)

JC – O senhor tem se posicionado de maneira muito firme com relação à BR319, mas por outro lado há uma pressão grande por parte de setores econômicos que consideram essa rodovia essencial para o desenvolvimento do Estado, até mesmo como alternativa logística contra esses impactos da estiagem que limita o fluxo de cargas através da água. Como o senhor analisa essa questão? Como a gente pode, de certa forma, permitir o desenvolvimento econômico, que de certa forma tem ajudado também a preservar a floresta, como no caso da Zona Franca de Manaus. Como o senhor analisa esses argumentos que apontam caminhos para o desenvolvimento através de infraestrutura, através de opções logísticas? 

Philip – Bom, todo mundo quer desenvolvimento, mas a BR-319 é um caso muito diferente de outras, ela não tem o raciocínio econômico, inclusive é a grande obra que não tem o EVTEA, o estudo de viabilidade econômica, obrigatório para todas as grandes obras. Tem uma longa história de diferentes desculpas porque não tem isso, mas o atual que saiu nessa atual versão do Eia Rima é de que é necessário para a segurança nacional, não é uma coisa econômica. Por que não tem esse estudo? A razão verdadeira é de que não é econômica, é inviável. Vê outras obras como o BR-163, por exemplo, Santarém-Cuiabá, também a reconstrução de uma ou de vias que já existia, etc. Mas tem todo o estudo econômico, um monte de papel assim, do tamanho do Eia Rima. Mas é muito diferente, aí são milhões e milhões de caminhões de soja, que vai de Mato Grosso para outros milhares de Amazonas e outros, não tem nada parecido com a BR-319. Até o primeiro EIA da Rima, de 2009, admitiu que as indústrias na Zona Franca de Manaus, responsáveis, disseram que não era prioridade para a Zona Franca. Agora, de lá para cá, isso evoluiu, agora todos dizem que é muito importante, mas a explicação para isso não é que virou importante, porque as cargas da Zona Franca para mercados em São Paulo, por exemplo, mesmo pelo sistema atual, indo de Balsa até Belém, daí para o caminhão, é mais barato do que via BR-319. Tem uma tese da USP que mostra isso. E tem outros estudos econômicos que mostram que é completamente inviável. Mas se fosse ter portos adequados para levar a carga em contêineres, em navios oceânicos, por cabotagem, seria muito mais barato, mais do que o atual e, obviamente, mais do que a BR-319. Mas não tem espaço em Manaus para um porto maior, dava para fazer em Itacoatiara. Tem muito espaço lá com água profunda. Então, a razão de ser da obra é ganhar votos em Manaus. Todos os partidos estão a favor, porque quem for contra não poderá ser eleito em Manaus. Depois de mais de 20 anos, esse é é importante. Então, é muito importante repensar isso, porque o impacto negativo é enorme. Em termos ambientais, abrindo essa área, começam processos que estão fora do controle do governo. Pode ter todos os planos que quiser de governança, etc., como vai ter fiscalização, mas isso não resolve. Veja só o que aconteceu com a BR-319 e tinha um esforço muito maior do que a BR-319 em termos de montar um esquema de governança. Tinha um programa B3 sustentável, que foi justificativa para aprovar o projeto de reconstrução em 2005. Era o governo federal, mas tinham os melhores ambientalistas, acadêmicos.

Tinha todo mundo trabalhando nesse plano da BR-319 sustentável. E até a Marina Silva, que era a ministra do meio ambiente na época, falou que isso eram corredores de desenvolvimento sustentável.

Agora, o que aconteceu depois? Virou um dos maiores focos de desmatamento ilegal, de esforço armadilheiro ilegal, garampagem, invasão de terras indígenas, grilagem.

Realmente uma história totalmente oposta.

Então, mesmo com todo o esforço, foi isso que resultou. A coisa básica não é a mesma. Se abre a BR-319, abre a BR-366 para abrir a grande região do trânsito russo, as coisas simplesmente vão andando.

Inclusive, toda aquela rota do BR366 e o BR343 planejados ligando com o BR319 são tomadas por grileiros, são reivindicadas no CAR.

Essas grandes reivindicações no CAR não são dos ribeirinhos que moram lá, que nem tem internet para fazer uma coisa online, muito menos um nascimento para fazer uma reivindicação georreferenciada, uma coisa lá no interior.

Então, é tudo montado para um enorme surto de desmatamento que não seria controlado pelo governo. Então, isso tem um enorme impacto.

Agora, em termos dos outros benefícios para Manaus, não é tanto que estão se alegando. Por exemplo, Manaus tem uma situação em termos de emprego que é privilegiado não só por ter as fábricas da Zona Franca aqui, mas também pela falta da BR-319, porque é difícil chegar em Manaus.

Então, quando criar postos de trabalho, quem vai preencher os postos? Alguém que é residente de Manaus. Mas se tem livre acesso para o resto do Brasil, com desempregados chegando de ônibus, então isso muda o equilíbrio.

Então, se cada posto de emprego que cria, chegam dois ou três desempregados pela BR319, isso nunca vai chegar na frente do problema. Quer dizer, do ponto de vista desse de Manaus, tem um privilégio porque a maior fração da população tem um emprego, seja nas fábricas ou no comércio e tudo mais, onde as pessoas que trabalham na fábrica gastam dinheiro.

Então, é uma coisa privilegiada por ser isolada do resto do Brasil. Então, tem uma grande vantagem para manter essa situação.

Então, outras coisas. O roubo de carro, por exemplo, é uma coisa que menos existe aqui, obviamente, mas é muito mais difícil vender um carro roubado em Manaus do que São Paulo, onde aquele carro que é roubado vai ser levado para Paraguai, Bolívia e vendido inteiro lá.

Então, essas coisas mudam se você tem acesso com o resto do Brasil. Não são vantagens.

JC – Agora falando sobre esse ponto de vista, o senhor acha que há possibilidade de colocar em prática o desenvolvimento sustentável aqui na Amazônia, mais especificamente aqui no Amazonas?

Philip – Bom, primeiro, Amazonas tem diferentes cenários em diferentes lugares. Para a população que vive no interior, pequenos agricultores, etc., eles realmente têm opções de tirar florestas e ter maneiras de usar também o valor de manter a floresta. É uma coisa que eu venho tentando, esse peixe que eu tentava vender, mais de 30 anos desse valor da floresta, de evitar mudanças climáticas, de manter a biodiversidade, etc. Desmatando, mas tem que ser convertido em uma maneira de sustentar a população que mantém floresta. Não resolve o problema de Manaus, já resolve o problema de quem está lá.

Mas tem outros Amazonas que estão no sul, Apuí, Matupí, o sul do município de Lábrea, esses lugares são totalmente diferentes.

Tem grandes áreas de grilagem, de população, mas não o do Amazonas, tem de Rondônia e outros lugares. E é uma situação muito diferente, está virando grandes plantações de pasto.

E a tendência futura seria uma parte disso virar soja também. Mas essa aí é muito mais complicada em termos de propor um desenvolvimento sustentável.

Porque eles não vão plantar árvores florestas e parar de desmatar, a economia vai em outra direção. Então realmente essa precisa medidas fortes, porque não é uma coisa que vai simplesmente ocorrer nessa floresta.

JC – O fato de existir uma zona ainda cinzenta sobre informações no Amazonas dificulta você buscar esse desenvolvimento sustentável?

Philip – Existe falta de conhecimento, sempre precisa mais pesquisa, etc. Mas não é isso a desculpa por não agir. Que tem que esperar para ter mais pesquisa, para ter opção sustentável, etc.

Realmente já tem informações mais do que suficientes para saber que tem que ter mudança radical para esse avanço do desmatamento.

JC -Então no caso o que falta? É decisão política que falta?

Philip – Exatamente, a decisão política. E é evidente que não está acontecendo. Eu não falei. Fora do Ministério do Ambiente, todo o resto que está empurrando o desmatamento está aumentando e tem toda a política do governo, todos os níveis legais, etc. empurrando as causas desse desmatamento.

Então esse é o aspecto que tem que ser enfrentado. E não é uma questão de implantar pequenos projetos sustentáveis em villas de ribeirinhos, etc. Porque eles não são os grandes vilões do desmatamento. Obviamente é uma coisa que tem valor social, mas em termos de implantar desmatamento tem que ver esse avanço de grilagem, de pastagem, etc. que são coisas mais difíceis de controlar.

JC – O senhor está aqui na Amazônia há 46 anos. Nesses 46 anos o senhor vivenciou muita coisa, mas como é que o senhor analisa a diferença de quando o senhor chegou no final dos anos 70 para agora? O que mudou na sua perspectiva e na forma como as pessoas encaram a Amazônia?

Philip – Muitas coisas mudaram. Obviamente o desmatamento aumentou enormemente. A gente desmatou uma área muito maior do que a França, enquanto eu estou aqui, trabalhando com o problema. Então, ao mesmo tempo, do outro lado você tem mais pesquisa, você tem muito mais estrutura dos governos em diferentes níveis sobre o meio ambiente, tem muitas pessoas na área, etc.

São coisas positivas, mas a parte, a força da distribuição da floresta aumentou muito nesse tempo também.

E você tem as mudanças climáticas. Agora a população já está vendo com os próprios olhos que você tem as secas que aconteceram no ano passado, etc.

Não é só o Trump e os republicanos lá nos Estados Unidos, aqui no Brasil também tem isso.

E assim penetram, inclusive, esses ministérios de Energia, etc.

Ministro dizendo que se for um petróleo, até o Brasil se tornar um país rico.

É a fórmula para o desastre mundial.

O Brasil tem que ter liderança para frear isso, porque o Brasil vai ser uma das maiores vítimas.

JC – Qual é a sua expectativa para a COP 30, que agora vai acontecer aqui na Amazônia, no Pará? Você acha que de certa forma ela pode ser um instrumento para mudar essa visão política, para as decisões políticas de alguma forma estarem mais alinhadas a essa visão de valorizar a Amazônia, de valorizar essa rica biodiversidade?

Philip – Bom, espero que sim. Tem que fazer tudo para que sejam realmente tomadas decisões difíceis sobre diminuição dos gases. O país realmente tem que se comprometer a cortar rapidamente essas emissões.

No Brasil se tem desmatamento e grande emissão, mas não é só isso. Também tem a degradação da floresta, por exemplo, com a exploração madeireira, uma coisa que também leva a mais incêndios florestais. Nosso grupo, inclusive, tem feito estudos sobre isso, que mostram que a exploração madeireira aumenta muito o perigo de incêndio e também o dano do incêndio quando acontece.

E essas coisas, obviamente, precisam de uma mudança grande. E isso não aconteceu até agora.

O que aconteceu é só falar de reprimir, etc., fazer o que está sendo feito, mas não desistir de fazer estradas que abrem as áreas da floresta, desistir de expulsar o petróleo, etc.

E o mundo inteiro tem que cortar enormemente. É uma coisa que acho que a ficha não caiu ainda, apesar de todo o discurso. Nesse último Cop 28 foi lançado o chamado Stock Take, que foi um grande levantamento, como se fosse o inventário no supermercado.

Para ver todas as emissões de gás de efeito estufa e o que precisa ser feito, esse foi lançado na Cop 28 no final do ano passado. E calcular que para cumprir com o que foi acordado para não deixar a temperatura global passar de 1,5 graus Celsius acima da média antes da evolução industrial, para isso teria que cortar 43% das emissões até 2030, que é só daqui a seis anos, e teria que cortar 84% até 2050. Então é enorme.

E é um tipo de coisa que as pessoas não estão acostumadas, não estamos acostumadas a negociações diplomáticas e negociações de comércio, etc.

É sempre baseado em chegar ao meio termo, cumprir isso não. Por exemplo, se eu quero vender meu carro, eu posso dizer que eu quero X de reais, e alguém pode oferecer Y.

Então aí eu tenho duas escolhas, eu posso sentar e negociar, chegar ao meio termo e fazer um negócio, ou eu posso abrir as coisas e ir embora.

Mas com esse que está na frente do mundo, na Cop 30, de realmente cumprir essas metas, não tem nenhuma das duas opções.

Não pode simplesmente virar as coisas e ir embora, senão é uma catástrofe mundial.

E também, não posso dizer que eu não goste desses 43%, não quero que seja 33%, porque é simplesmente isso, a não ser que alguém faça outros estudos científicos que mostrem que deve ser um número diferente, não é uma coisa negociada.

Então realmente significa que tem que fazer esses cortes grandes, e esses cortes têm que ser agora.

Se deixar rolar mais, é muito mais difícil parar o aquecimento e, de fato, o perigo de escapar do controle humano sobe muito. Se passa desses 1,5 graus, o perigo de escapar do controle sobe muito rapidamente.

JC – Essa sua luta é uma luta histórica, tanto é que o senhor é reconhecido mundialmente por esse trabalho. Em razão disso, o senhor tem sido até vítima de xenofobia.  Como o senhor encara esse tipo de situação?

Philip – O caminho é fácil para quem não tem argumentos. Olha o sotaque dele, estrangeiro, tem que desconfiar, tem que dizer que veio dos Estados Unidos, os Estados Unidos devastou o país, etc., não tem moral para falar nada para outros países, mas isso não muda, não importa quem fala essas coisas, se continuar vai ter as consequências.

Por exemplo, se eu falar, você deve parar de fumar, se não tem perigo de morrer de câncer, você diz, mas você fuma então, se não tem moral para falar, você vai morrer de câncer da mesma forma, não faz nenhuma diferença de quem está falando.

Então você tem que olhar os fatos.

JC – Alguma mensagem final para a gente encerrar a entrevista?

Philip – Bom, eu acho importante as pessoas se conscientizarem de que eles, a população, são responsáveis, não é só o governo que está lá longe, etc., que faz besteira e você critica,

você não sente que você mesmo tem responsabilidade, mas realmente é uma extensão da população, então as pessoas têm que entender que tem as coisas que elas podem fazer individualmente na sua vida,para não emitir tantos gases, etc., usar menos energia de todas as formas. 

Então as pessoas querem entender que elas têm responsabilidade,

não é só os outros, os governadores, governantes do país e os que vão se reunir na COP 30, do mundo inteiro. É  a população mesmo que tem essa responsabilidade.

Fred Novaes

É jornalista
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