O Colégio Amazonense Dom Pedro II está em festa, comemorando 156 da instituição criada em 14 de março de 1869 com o nome de Lyceu Provincial Amazonense, sendo regulamentada pelo então presidente da província João Wilkens de Mattos (1868/1870) e instalada nas dependências do Seminário Episcopal de São José, localizado onde hoje está o Banco do Brasil, próximo ao terminal de ônibus do Centro.

Pouco tempo depois o Lyceu passou a funcionar num sobrado à rua da Imperatriz (hoje Lobo D’Almada). Depois foi transferido para o casarão do comendador Francisco de Souza Mesquita, situado à rua da Independência (atual Henrique Antony) esquina com a rua Comendador Victório, de onde mais uma vez mudou-se agora para o prédio da Polícia Militar, atual Palacete Provincial, à praça da Constituição, hoje Heliodoro Balbi, a popular praça da Polícia.
Finalmente, em 4 de novembro de 1880, o presidente da província Satyro de Oliveira Dias (1880/1881) autorizou a construção de um prédio digno para o Lyceu. Quatro meses depois, em 25 de março de 1881, foi assentada a pedra fundamental do prédio, benta pelo vigário da freguesia de Nossa Senhora dos Remédios, padre João Rodrigues d’Assumpção, num terreno com frente para a rua Municipal (atual 7 de Setembro).
Em 5 de setembro de 1886, outra data festiva no D. Pedro II, o prédio foi inaugurado pelo presidente da província Ernesto Adolpho de Vasconcelos Chaves (1885/1887), com o nome de Gymnasio Amazonense, nos moldes do Colégio D. Pedro II, do Rio de Janeiro.
Em entrevista ao Jornal do Commercio, o professor Maurício Gonçalves Grillo, um apaixonado pelo Colégio, falou mais sobre a instituição. Maurício é formado em história pela Ufam, e uma das suas preocupações no Gymnasio, como ele chama o prédio, é resgatar a sua história, além de relíquias como fotos e documentos antigos. Nesse trabalho, Maurício conta com o apoio de outros professores e incentiva a participação dos alunos.
Jornal do Commercio: 156 anos depois e o CADP II (Colégio Amazonense Dom Pedro II) continua atual?
Maurício Grillo: Mesmo com um século e meio de existência e funcionando para as funções às quais foi criado, o Gymnasio caminha buscando sintonia com a atualidade pedagógica, seguindo orientações da Seduc. O gestor, eu e os demais professores, nos empenhamos para que seja sempre preservada a memória do Gymnasio, no que ainda resta, para contar e mostrar a sua história.
JC: Você tem ideia de quantos alunos passaram pelo CADP II nesses mais de 150 anos?
MG: Infelizmente essa é uma informação praticamente impossível de se saber pois, a cada nova direção, nunca houve quem se dispusesse a fazer tal controle nesses 156 anos. Por todo esse tempo aumentou-se e diminuiu-se o número de turmas e consequentemente de alunos, também, tornando difícil essa contextualização. O que posso garantir é que foram milhares. Só este ano temos mais de mil alunos matriculados no Gymnasio.
JC: Quem foram os principais formadores dessas gerações de alunos?
MG: Foram tantos que fica difícil listar todos, mas cito aqui alguns que tiveram bastante relevância em sua existência e deixaram um legado na educação do Amazonas: Paulo Jacó, Agnelo Bittencourt, Carmélia Esteves de Castro, Agenor Ferreira Lima, Júlio Silva, Fueth Paulo Mourão, Otávio Mourão, Etelvina Garcia, Mário Ypiranga Monteiro.
JC: E os alunos? Quem, depois, se tornou personalidade em Manaus, no Amazonas e no Brasil?
MG: Muitos tiveram destaques na mídia e ainda até hoje: Maneca (Manoel do Carmo Chaves), Norma Araújo, os empresários e políticos Josué Filho, Pauderney Avelino, Bernardo Cabral; e os governadores Gilberto Mestrinho, Omar Aziz, e Amazonino Mendes. Também é uma lista muito longa, que talvez nem caiba nessa entrevista.
JC: Na sua visão, o que mudou na educação no CADP II, pelo menos desde quando você começou a atuar como professor?
MG: Ao longo de 156 anos, muito mudou no CADP II: fardas, pedagogia, estrutura física, mas buscamos honrar o compromisso com a educação. Isso sim, nós professores comprometidos com o magistério, buscamos preservar desde sempre.
JC: Hoje, quantos alunos estudam no CADP II e em que se formam? O ensino do CADP II é de excelência?
MG: Atualmente o Gymnasio tem em torno de 1.200 alunos, que se formam no científico. Nós, professores catedráticos, oferecemos o melhor de acordo com o que nos é propiciado nas condições físicas e pedagógicas. Com certeza o ensino no Gymnasio é de excelência, pois entre as escolas públicas, é uma das que mais aprova nas universidades públicas, o que nos orgulha a cada ano.
JC: Atualmente quais são as grandes necessidades do CADP II para se manter como uma referência na educação no Estado?
MG: A boa manutenção do ensino em todos os sentidos, seja no pedagógico, administrativo, físico e na memória do colégio. Precisamos deixar para as gerações futuras, adultos formadores de opinião.








