O fies e a ganância das universidades

Em: 15 de maio de 2013
Alunos do curso de medicina da Universidade Nilton Lins estiveram reunidos ontem na Assembleia Legislativa com um representante da Caixa Econômica Federal e dirigentes das universidades instaladas na cidade
Alunos do curso de medicina da Universidade Nilton Lins estiveram reunidos ontem na Assembleia Legislativa com um representante da Caixa Econômica Federal e dirigentes das universidades instaladas na cidade

Alunos do curso de medicina da Universidade Nilton Lins estiveram reunidos ontem na Assembleia Legislativa com um representante da Caixa Econômica Federal e dirigentes das universidades instaladas na cidade, menos a “acusada”, para debater questões relacionadas ao fundo de financiamento estudantil (FIES) no Amazonas.
O estudante Eduardo Simon foi escolhido para falar pelo lado mais frágil. Ele é usuário do FIES, programa criado pelo governo federal para compensar a limitação de vagas nas instituições públicas. O contrato firmado com a Caixa garante ao rapaz um teto máximo de R$ 30 mil no semestre. A Nilton Lins fica com cerca de R$ 5 mil todo mês, mas cobra um resíduo que o próprio aluno tem de pagar.
O gerente Júlio César Souza, da Caixa, disse que não encontrou caso similar a esse nas outras filiais brasileiras e solicitou que os alunos levem os contratos às agências para uma avaliação. O representante da universidade não estava lá para se justificar.
A malandragem praticada pelas universidades privadas é a seguinte: eles usam alíquotas de mercado para reajustar mensalmente o valor que cobram pela mensalidade financiada. Seria mais ou menos como se o leitor comprasse um carro por R$ 30 mil, pegando o dinheiro no banco, mas a concessionária lhe cobrasse um plus mensal, além do financiamento.
O deputado Sinésio Campos (PT) encaminhou ofício no dia 8 para que a reitora ou um representante da Nilton Lins se fizesse presente à audiência pública de ontem, mas a instituição ignorou o convite. Talvez, com esta atitude, tenha admitido o erro.
No caso específico da Nilton Lins, existe o agravante de que o Estado precisa muito de médicos. Prejudicar a formação deles com exigências absurdas é prejudicial à sociedade. Se os nobres parlamentares forem a fundo, certamente descobrirão outros abusos em outras instituições.
Ao aceitar o FIES, uma universidade privada se beneficia do dinheiro público. Deveria devolver à comunidade aplicando regras mais honestas na relação com os alunos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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