O futuro está nas mãos deles

Em: 26 de outubro de 2012
No último dia 7 de outubro, os eleitores de Manaus deram um recado claro: querem a renovação na política
No último dia 7 de outubro, os eleitores de Manaus deram um recado claro: querem a renovação na política

No último dia 7 de outubro, os eleitores de Manaus deram um recado claro: querem a renovação na política. Na Câmara Municipal, dos atuais 38 vereadores apenas 18 se reelegeram; 20 deixarão o parlamento e serão substituídos por 23 novos parlamentares. Os números representam uma renovação de 54%. Já o candidato mais votado para a Prefeitura de Manaus, Artur Neto, do PSDB, apesar de velho conhecido dos manauaras, representa a ruptura com o atual grupo que comanda o Estado. Além disso, especialistas afirmam que um dos fatores que contribuíram com o sucesso da campanha tucana foi a indicação do jovem vereador Hissa Abrahão (PPS) como vice na chapa, o que, segundo as palavras dos próprios candidatos, representa uma aliança entre experiência e juventude.
Hissa é um dos representantes do novo cenário político de Manaus, o que não significa dizer, porém, que é um novato. Com uma biografia marcada por uma forte presença no movimento estudantil, ele conta que entrou para a política aos 16 anos, quando presidente do Grêmio Estudantil em sua escola e presidente da Uesa (União dos Estudantes Secundaristas do Amazonas) entidade que representa os estudantes dos ensinos fundamental e médio no Estado. Além disso, na faculdade, foi presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes) por duas vezes. Também foi eleito presidente da UEE (União Estadual dos Estudantes), que representa os universitários do Estado. Com 19 anos, resolveu dar um passo mais ousado e lançou seu nome, pela primeira vez como candidato a vereador. “Não ganhei a eleição, mas vi como funcionava a política mais profissionalmente. Depois fui candidato a vereador de novo e venci e sou vereador até hoje”, comenta, referindo-se às eleições municipais de 2008.
Entre essa eleição, na qual saiu vencedor, e a atual disputa, Hissa foi candidato ao governo do Estado em 2010, quando alcançou um surpreendente terceiro lugar, com quase 10% dos votos.
Hoje, aos 30 anos ele avalia sua caminhada política como uma trajetória natural de um jovem disposto a mudar o mundo. “Eu não tinha outro caminho a seguir, a não ser o político, por conta de toda a minha história no movimento estudantil. Essa vontade veio da minha inquietude em querer mudar o mundo. E para mudar o mundo eu precisava começar pelo meu bairro, pela minha cidade. Eu cavei o meu destino com as unhas. Ninguém pôs as mão em mim. Lutei muito para chegar até aqui. Não sou apadrinhado de nenhum político”, desabafa.

Fabrício Lima e Reizo Castelo Branco

Aos 36 anos, Fabrício, apesar de jovem, não é marinheiro de primeira viagem. Eleito para o quarto mandato consecutivo, ele conta com mais de 21 anos de militância. “Eu comecei no grêmio estudantil com 15 anos. Depois fui presidente da Umes (União Municipal dos Estudantes Secundaristas. Com 22 anos fui candidato pela primeira vez como deputado estadual”
Vereador desde 2001, Fabrício defende uma bandeira política que facilita a identificação com os jovens. “Meu plano ousado é contribuir com o desenvolvimento do esporte na cidade. Quero transformar Manaus em uma cidade esportista. Eu quero, através desta ferramenta, contribuir com o desenvolvimento da cidade, ou na política ou fora dela”. Na gestão Amazonino Mendes, Fabrício ocupou o cargo de secretário municipal de Juventude, Esporte e Lazer.
Ele afirma que a maior vantagem de sua carreira foi a convivência com diversas personalidades de Manaus e do Amazonas, dentre as quais ele cita o presidente do Jornal do Commercio, o jornalista Guilherme Aluízio.
“Ao longo da minha vida pude conviver com pessoas ilustres como Umberto Calderaro e Samuel Benchimol, que não estão entre nós. Conheci pessoas que movimentam a cidade como Guilherme Aluízio e Phelippe Daou. Convivi com o senador Gilberto Mestrinho, com o senador Jeferson Peres. Além deles tenho o prazer de conviver com o senador Artur, com o prefeito Amazonino, com o governador Omar. Todas essas figuras ilustres contribuíram de alguma forma com o meu aprendizado e amadurecimento político e pessoal”.
Mas, a maior surpresa do pleito, sem dúvida, foi a expressiva votação alcançada pelo vereador Reizo Castelo Branco. Aos 25 anos, ele se tornou o campeão de votos das últimas eleições, sendo reeleito com 18.109 votos.
Mesmo não tendo uma atuação nos movimentos estudantis, Reizo afirma que sua vocação política nasceu em casa, seguindo o exemplo dos pais -o deputado federal Sabino Castelo Branco e a deputada estadual Vera Lúcia Castelo Branco (ambos do PTB). “Essa vontade surgiu desde que eu comecei a ajudar a minha família a contribuir com a cidade de Manaus. Não precisamos ser vereador, deputado ou nenhum tipo de político para contribuir com a sociedade, contribuir com a nossa cidade. Basta querer, basta ser humano”, diz.
Reizo confessa que muitas vezes sofre preconceito por causa de sua pouca idade, mas diz acreditar que somente a juventude será capaz de mudar os rumos da política local: “Entendo que o maior projeto de um homem político é o posicionamento firme a favor da população da cidade de Manaus. Aquele que não se vende, não se desdobra e não se curva diante dos poderosos, prefeitura ou governo.”
Já sobre o futuro, Reizo prefere não entrar em detalhes, mas também não descarta seguir os passos dos pais.

Marcelo Ramos é a voz da oposição

Marcelo Ramos (PSB) é outro deputado que representa a renovação na Assembleia estadual. Aos 39 anos, ele afirma que não sabe em que momento a política entrou em sua vida. “Só posso dizer que foi muito cedo. Sempre fui o representante de classe, o capitão do time de vôlei, fui presidente do grêmio da minha escola e presidente do centro acadêmico da minha faculdade. Eu sempre tive uma atitude, não vou dizer de liderança, mas vou dizer de valorização do coletivo e isso sempre despertou em mim o interesse pela participação política”, explica.
Ele também acumula passagens pelo movimento estudantil e universitário: foi dirigente nacional da UJS (União da Juventude Socialista), na cidade de São Paulo. Em Manaus assumiu mandato como vereador em março de 2007, e dois meses depois se tornou presidente do Instituto Municipal de Transportes Urbanos (IMTU). No ano seguinte, se reelegeu vereador com mais de 5 mil votos. Dois anos depois, em 2010, foi eleito deputado estadual pelo PSB com 18.595 votos. Na Assembleia, preside a Comissão de Transportes e Mobilidade Urbana.
Recentemente, disputou o cargo de vice-prefeito ao lado de Serafim Corrêa, em chapa puro-sangue do PSB. Apesar de não terem obtido o sucesso esperado nas urnas, Marcelo Ramos já planeja o futuro. Ele não descarta uma nova disputa pelo Executivo municipal – e até mesmo estadual-, mas mantém o pé no chão.
“Os passos na política podem até parecer lentos; e os meus são lentos. Mas, eles são lentos porque são seguros e sólidos. Eu só enfrento o desafio quando me sinto absolutamente preparado para ele. Então, acho que o futuro vai me reservar a possibilidade de disputar a Prefeitura de Manaus, disputar o governo do Estado do Amazonas, mas tudo isso em um momento de maturidade, de conhecimento e de tranquilidade necessária para enfrentar esses desafios, que não são pequenos”, revelou.
Ainda na opinião do deputado, ser visto como uma das jovens esperanças de um futuro melhor para a cidade traz um misto de responsabilidade e alegria. “Eu sinto uma responsabilidade muito grande, mas, ao mesmo tempo me sinto muito feliz. Nasci em Manaus, constitui família em Manaus. Esta é a cidade que eu amo. Minha vida pública foi construída aqui e eu me sinto feliz em ser um dos depositários da esperança e da confiança das pessoas em que nós possamos construir um futuro melhor. Espero que eu tenha uma presença marcante no futuro da política na cidade de Manaus, não por vaidade pessoal, mas entendendo isso como a minha pessoa representando um instrumento para a melhoria da vida das pessoas e das condições da cidade.

Josué Neto segue os passos do pai e avô

Enquanto uns decidiram seguir a carreira política por influência da família, e outros por consequência de seu envolvimento no movimento estudantil, o deputado Josué Neto (PSD) diz que sua escolha se deu por um conjunto de fatores. Neto do jornalista Josué Cláudio de Souza, e filho do também jornalista Josué Filho, fundadores da Rádio Difusora de Manaus, ele conta que a convivência dentro dos meios de comunicação ajudou a criar nele a vontade de seguir esta carreira. “Eu nasci dentro de uma família política. Acompanhei grande parte da vida política do meu avô, com quem eu pude conviver até os meus 17 anos. Além disso, o dia a dia na Rádio Difusora é muito político”. Convivendo com grandes nomes da política desde a infância, Josué Neto também participou de movimentos estudantis durante a graduação. Filiou-se ao PFL aos 18 anos de idade, quando ainda era estudante. Em 2005 foi eleito vereador de Manaus, com 5.994 votos pelo PFL. Disputou as eleições de 2006 pelo PSB, tendo sido eleito com 15.876 votos. Foi reeleito em 2010, pelo PMN.
Aos 38 anos, ele é presidente da Comissão de Jovens, Crianças e Adolescentes na Assembleia. Para ele, a principal contribuição que pode dar como jovem e como político é justamente tratar dos temas transversais que tangem a juventude. “A juventude tem que estar preparada para o trabalho. As políticas para a juventude até então eram voltadas para a educação e esporte, deixando de lado temas como mercado de trabalho, iniciação sexual, gravidez na adolescência, prevenção às drogas e transporte público. Então a nossa função é enxergar esses problemas e propor soluções”, defende.
Inserido neste cenário de renovação, Josué Neto diz acreditar que este processo sempre ocorreu, mas que hoje se dá com maior velocidade. “Duas gerações políticas atrás a renovação na política era muito tardia. Acredito que essa iniciação política está acontecendo mais cedo e eu vejo com bons olhos. É o momento que a gente vive. A juventude tem hoje uma obrigação muito grande em participar da política. Mas, a política voltada para os jovens aqui no Brasil tem dado os seus primeiros passos”, diz o jovem deputado.

Bisneto segue exemplo do pai

Outro jovem político de destaque também ligado a Artur Neto é o deputado estadual Artur Bisneto (PSDB). Filho do senador, Bisneto conta que, apesar de vir de uma família tradicional na política local, seguir os passos do pai e do avô foi uma escolha pessoal dele. “Meu pai conta que ele, aos 5 anos, dizia que ia ser presidente. E comigo aconteceu a mesma coisa. Desde novo sentia a vontade de seguir a carreira política. Meu pai inclusive foi contra, até pela minha pouca idade. Comecei aos 20 anos de idade, larguei um início de faculdade nos Estados Unidos para seguir carreira política aqui em Manaus. Sei que fiz isso precocemente, mas é uma coisa da qual eu sempre gostei”, conta o jovem.
Vereador por dois anos, Artur Bisneto cumpre seu terceiro mandato na Assembleia Legislativa, onde preside a Comissão da Zona Franca, Indústria e Comércio Exterior. Em 2004, aos 25 anos, disputou uma eleição para a prefeitura sabendo que não tinha possibilidade de vitória. “Foi mais pra marcar o nome e falar sobre as propostas do PSDB para Manaus”, revela.
Hoje, aos 33 anos e com uma vasta experiência no parlamento, ele diz acreditar que a possibilidade de ter uma longa carreira política é uma das vantagens dos jovens políticos. “Começar ainda na juventude nos dá a possibilidade de termos uma carreira longa. Poucas carreiras públicas chegam a 40 anos. Ter uma carreira pública de dez anos é normal. Vinte anos acontece com algumas pessoas. Trinta anos é muito raro. Meu pai já tem 34. Eu comecei bem mais jovem que ele, com 20, e posso ir até os 60 anos”, enumera.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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