O Japão que nunca se abate

Em: 22 de agosto de 2017
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Já faz seis anos do acontecido, mas até hoje as pessoas do mundo todo têm na lembrança as terríveis imagens de um tsunami invadindo a região de Tohoku, no Japão. Mas não são essas imagens que os japoneses querem mostrar para o mundo com a exposição “Tohoku -através do olhar dos fotógrafos japoneses”, que será aberta para o público no próximo dia 29, à partir das 19h, no Centro Cultural Palácio da Justiça.

Ao contrário do que se pensa de uma exposição que retrata o local de um cataclismo, é a beleza que será mostrada, conta ao Jornal do Commercio o vice-consul do Japão em Manaus, Yoshinari Oda. “Queremos mostrar o que há de belo em Tohoku”, disse. “A exposição é itinerante e começou cerca de um ano após a terrível tragédia. Desde então tem circulado por vários países. O mais recente foi o México e, em maio, chegou ao Brasil para percorrer quatro capitais: São Paulo e Curitiba, por onde já passou; Manaus e depois Recife, seguindo para os Estados Unidos”, falou Oda.

“Tohoku através do olhar dos fotógrafos japoneses” consta de 123 fotografias de Tohoku, a região nordeste do arquipélago japonês, que é dividida em seis províncias: Aomori, Iwate, Akita, Yamagata, Miyagi e Fukushima, esta, a mais falada após 2011, por ter sofrido um acidente nuclear sem precedentes ao ter um reator de usina nuclear atingido pelo terremoto que antecedeu o tsunami.Integram a mostra os registros de fotógrafos como Teisuke Chiba e Ichiro Kojima, com fotografias de Tohoku das décadas de 1950 e 1960; Hideo Haga, Masatoshi Naito e Masaru Tatsuki, com festivais e rituais de religiosidade popular de toda a região; Hiroshi Oshima e Naoya Hatakeyama, que combinaram suas histórias pessoais com as paisagens de suas regiões natais; Meiki Lin, que direcionou sua câmera para o belo ambiente natural; Nao Tsuda, que buscou a fonte do espírito japonês em relíquias e artefatos do período Jomon, desenvolvida por alguns dos primeiros povos a habitar o Japão; além de um grupo de fotógrafos liderado por Toru Ito, que criou a Sendai Collection, uma série de fotografias de cenas anônimas em Sendai, província de Miyagi.

Após o sismo
Em 11 de março de 2011, aquele que ficou conhecido como o Grande Terremoto do Leste do Japão, com magnitude 9, atingiu a região de Tohoku. Em seguida ao terremoto veio um tsunami com ondas de mais de dez metros de altura, causando destruição nas cidades e povoados por onde passou e deixando cerca de 20 mil mortos e desaparecidos. Ainda hoje há muitas pessoas vivendo em difíceis condições, em abrigos e habitações temporárias, nas áreas mais afetadas pelo terremoto e tsunami.

Apesar da superexposição midiática sobre o desastre, a região ainda é desconhecida em seus detalhes, explica o curador da exposição e membro da Fundação Japão, Kotaro Iizawa. “A cobertura da destruição pela mídia levou muitas pessoas a se familiarizar com os nomes das cidades e províncias de Tohoku, mas ainda desconhecem seu ambiente natural e cultural, como o clima, a história, o modo de vida, a população e outros aspectos da região”, falou Iizawa.

Segundo Yoshinari Oda, a exposição vem mostrar o outro lado desses fatos terríveis. “As fotos destacam a cultura, a natureza, a religiosidade, a história e o modo de vida das pessoas que habitam a região de Tohoku. Muito além dessas catástrofes, a região conta com imensa bagagem histórica e cultural. A exposição tem por objetivo preencher essa lacuna por meio do trabalho dos fotógrafos”, completou o vice-consul.

Tohoku tem o clima bastante frio, mas é favorecida por recursos naturais maravilhosos e abundante como mares, montanhas, rios e florestas, além de agricultura, pesca e extração madeireira prósperas. Possui três parques nacionais e dois sítios registrados como Patrimônios Mundiais da Unesco.

Cultura Jomon
A região, também, é um centro de cultura Jomon, que foi desenvolvida por alguns dos primeiros povos a habitar o Japão. Conhecida pelas formas de sua cerâmica semelhantes a chamas, a cultura Jomon floresceu em Tohoku entre 15 mil e 30 mil anos atrás.

Quando o centro do poder político e cultural se transferiu para Nara e Kyoto, no oeste do Japão, Tohoku foi colocada sob o controle do governo central e considerada uma região atrasada e primitiva, porém, essa área marginal manteve uma cultura espiritual vital que preservou o espírito Jomon.
A cultura Jomon é a essência mais profunda da cultura tradicional japonesa. Embora venha desaparecendo gradativamente, seu legado ainda vive e respira em Tohoku. Com os vislumbres da paisagem nativa do Japão, o objetivo é que a exposição proporcione aos visitantes conhecer os aspectos deste povo japonês, gerando uma importante reflexão sobre o futuro de Tohoku.

Um povo que renasce
A exposição não documenta os danos ou a recuperação da região de Tohoku, mas usa a fotografia para mostrar o ambiente natural e cultural de Tohoku junto com seu povo e modo de vida. As fotografias que compõem a exposição foram produzidas por nove fotógrafos individuais e um grupo de fotógrafos, de diferentes gerações e tendências, todos originários de Tohoku. As fotografias, tiradas nos anos de 1940, estarão ao lado de imagens do presente. Assim, apresentam as perspectivas pessoais dos fotógrafos, que representam passado, presente e futuro, introduzindo aspectos fascinantes de Tohoku para o mundo.

O QUE? Exposição ‘Tohoku através do olhar dos fotógrafos japoneses’
QUANDO? Terça-feira (29), 19h (abertura)
ONDE? Centro Cultural Palácio da Justiça (av. Eduardo Ribeiro, 901 – Centro) – Informações: 3232-2000

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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