O namoro ainda existe?

Em: 12 de junho de 2013
O amor é para todos… sem preconceitos
O amor é para todos... sem preconceitos

Dia 12 de junho, data dedicada aos namorados, e comemorada um dia antes do dia em homenagem ao santo casamenteiro, Santo Antônio. A escolha foi estratégica e, apesar de o namoro parecer estar em crise, a cada novo Dia dos Namorados, novos casais apaixonados surgem dando provas de que, enquanto existir amor, o namoro persistirá.
Urias, 69, e Zélia, 68, representam bem o casal dos tempos em que o romantismo era a tônica dos casais e a vida a dois tinha um destino certo: namorar, noivar e casar ao longo de anos. Quanto mais tempo se conhecendo, melhor para a convivência futura.
Urias recorda que, na pequena cidade mineira de Muriaé, foi um adolescente namorador. “Era o auge do rock in roll e a juventude se libertava das amarras impostas pela sociedade, então tinha-se muita liberdade para namorar, pelo menos eu tinha, mas quando você queria ‘namorar sério’, aí a coisa mudava de figura. Eu e meus colegas preferíamos as meninas recatadas, e foi exatamente esse recato, essa pureza, essa ingenuidade, que me fez ficar atraído pela Zélia. Homem nenhum gosta de mulher fácil quando quer ter um relacionamento sério. Penso que isso seja assim até hoje”, conta.
Zélia concorda com Urias e lembra que ele foi seu primeiro namorado, que se tornou noivo e marido há 48 anos. “Nosso namoro consistia em andar de mãos dadas, na pracinha da cidade, mas só peguei na mão dela depois de uma semana de namoro. O primeiro beijo aconteceu depois de um mês de namoro, e foi apenas um beijinho. Quando namorávamos na casa dela era sob a vigilância dos pais ou de alguém adulto, e foi assim por três anos, até noivarmos”, lembrou.

Namoro, depois de dez anos

Celestino, 51, e Aline, 36, fazem dez anos de casados agora em junho. Quando começou a namorar, Celestino integrava uma geração que também passava por mudanças no comportamento dos casais, entre o final da década de 1970 e início da década de 1980. “O movimento musical das discotecas proporcionou isso, com os amigos organizando festinhas em casa regadas a ‘inocentes’ caipirinhas e namoros mais ousados. Penso que foi aí que começou esse negócio do ‘ficar’. Mas naquela época, os pais ainda procuravam saber com quem os filhos, principalmente as filhas, estavam namorando”.
Antes de Aline, Celestino já fora casado, mas quando a conheceu, houve o namoro entre os dois. “Nos conhecemos no bar de um amigo e depois nos encontramos muitas outras vezes lá. Saíamos para festas, cinema e barzinhos. Só paramos de fazer isso quando os filhos vieram. O dia a dia acaba com o romantismo, mas quando dá pra deixar as crianças com os avós, voltamos a namorar, a passear juntos, de mãos dadas”, completou.

Através do facebook
Jorge Rei, 16, e Válery, 15, vivem um momento em que surge a pergunta: o namoro ainda existe? Segundo eles, existe, tanto que há nove meses eles namoram, um namoro bem moderno para os padrões de 50 anos atrás. “Nos conhecemos através do facebook e acabamos vindo estudar na mesma escola. Aqui é proibido namorar dentro da escola, aí namoramos na praça que fica em frente, quando saímos, mas também namoramos em casa”, explicou Jorge. Sob as bençãos dos pais, tanto dele quanto dela, umas vezes Jorge dorme na casa de Válery, outras vezes ela dorme na casa dele. “Nós não ‘ficamos’, nós namoramos mesmo”, assegurou a garota.

O amor é para todos… sem preconceitos

A cantora Daniela Mercury causou polêmica recentemente ao assumir publicamente o relacionamento com a jornalista Malu Verçosa. Em uma era em que se fala tanto em liberdade de expressão, liberdade de pensamento, liberdade política…ainda ouvimos (e muito) a palavra preconceito!
Mas há quem levante a bandeira do amor sem limites, e assuma sem problemas sua opção sexual. Este é o caso do jornalista Gerson Freitas que vive uma relação estável há oito anos com o arquiteto Kleyton Marinho.
“Não levantamos bandeiras defendendo a causa. Apenas vivemos nossas vidas e assumimos nosso relacionamento, e fomos conquistando nosso espaço pouco a pouco. O amor não se difere, quando se ama de verdade”, conta o Gerson.
Para o jornalista as relações de hoje em dia então cada vez mais banalizadas. “Todo mundo só quer ‘ficar’. É tudo muito superficial. Há até quem busque a chamada ‘troca de casais’. Mas eu sou do tempo dos relacionamentos tradicionais”, revela.
Gerson explica que apesar de muitos acharem que há diferenças nos casamentos homoafetivos, nada muda quando o assunto é ‘discutir a relação’. “A construção de confiança, o ideal de futuro, as brigas…tudo funciona igual aos casamentos, ou namoros entre heterosexuais. A única diferença é que você dorme ao lado de alguém do mesmo sexo”, afirma.
E o amor entre o jornalista e o arquiteto já permitiu a realização do sonho de serem pais de uma menina. “Acompanhamos a Maria Eduarda desde a gestação até o nascimento, quando finalmente ela se tornou nossa filha. Hoje ela tem quase um ano, e as pessoas aceitam muito bem. Nunca sofremos preconceitos em relação a isso”, disse. Então, que viva o amor!

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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