Todos sabemos que o Papai Noel trabalha muito, apesar da idade. Do dia 24 para 25 de dezembro ele viaja o mundo inteiro, entregando os brinquedos e, durante o ano inteiro, junto com seus duendes, fabrica esses brinquedos.
Seus ‘covers’, em Manaus, também ‘ralam’ um bocado. Alex Sandro Machado, 45, é formado em administração e tem uma empresa de transporte escolar. Eduardo Roque da Silva, 39, é porteiro em um condomínio. Em novembro (Alex, desde 1997; e Eduardo, desde 2003) os dois incorporam a figura do bom velhinho e passam a alegrar crianças e adultos nos shoppings da cidade.
“Sempre gostei da figura do Papai Noel, incentivado, principalmente, pela minha mãe que contava toda aquela história dele vir à noite deixar os brinquedos para nós, eu e meu irmão. Ela nos levava até a janela e, olhando para o céu, dizia: olha, ele acabou de passar por aqui. Veio deixar os brinquedos de vocês. Nós corríamos para ver e, lógico, apenas acreditávamos que ele havia passado por ali”, lembrou Alex.
“Em 1997 eu trabalhava no Colégio Dom Bosco e todos os anos, no Natal, uma mulher se vestia de Papai Noel para os alunos. Me ofereci para ser o Papai Noel e assim foi de 1997 a 2001. Eu me personificava tão bem que nunca os alunos souberam que era eu, e eu fazia questão que eles acreditassem que eu era o Papai Noel de verdade”, contou.
“Um dia, na faculdade, umas colegas mexeram na minha mochila e descobriram uma foto minha como Papai Noel. Eu fiquei com muita raiva, mas surgiu ali a oportunidade de eu me profissionalizar. Elas contaram que a empresa Procomp estava precisando de um Papai Noel. Eu fui lá e eles me contrataram por R$ 150, por duas horas de apresentação. Eu ganhava um salário mínimo. Vi que poderia ser um bom negócio”, falou.
“E foram surgindo outras empresas, Bic, Honda, e todas me pagando muito bem. Em 2012 a TIM me contratou e eu me vesti de azul. Ganhei um dinheiro como nunca havia ganhado antes”, revelou. No ano seguinte Alex foi contratado pela Coca Cola e a empresa o levou para o Amazonas Shopping, onde ele está até hoje.
“Por volta de 15 de novembro já surge o Papai Noel e vou até 24 de dezembro. Recebo uma média de 600 crianças por dia e 1.500 nos finais de semana, no shopping. Quando me visto de Papai Noel eu me considero o Papai Noel e gosto que as crianças acreditem nisso. Minha barba é verdadeira e meu atual cajado eu ganhei do bispo Dom Mário Pasqualotto, em 2016”, contou.
“Diria que os adultos se encantam mais comigo. Eles não escrevem cartas. Pedem verbalmente o que querem: amor, paz e saúde para seus familiares. Triste é quando as crianças pedem coisas impossíveis. Ano passado um garotinho, cego de um olho, pediu que eu lhe devolvesse a visão”, lembrou.
Brinquedos de casa em casa
“Em 2003 eu estava desempregado e meu irmão falou que a empresa de diversões Jujuba & Cia. estava precisando de alguém para personificar o Papai Noel. Como eu sempre fui grande, acabei aceito e daquele ano até 2009 fui Papai Noel no Amazonas Shopping, Studio 5, Millennium”, falou Eduardo.
“A partir de 2010 resolvi trabalhar por conta própria em festas de aniversário, clubes, empresas, orfanatos e onde me chamassem. Como eu fui ficando conhecido, cada vez mais pedidos foram aparecendo. Em novembro eles começam”, esclareceu.
“De 2010 até 2014 não trabalhei em nenhum shopping, mas, em 2015, o Sumaúma me chamou. Como o pagamento era bom e dava para conciliar com os outros eventos, aceitei. Fui Papai Noel lá até 2016. No ano passado o Manaus Plaza me chamou, pagamento melhor, menos tempo de trabalho, aceitei. Este ano estou ficando lá somente às segundas-feiras, das 14h às 20h. Nos dias 22, 23 e 24 vou ficar direto. Quando saio de lá viro porteiro”, riu.
“Eu costumo dizer para as crianças que eu não sou um Papai Noel de verdade. Que só estou vestido dele e que elas devem fazer seus pedidos diretamente para Deus. Ensino que o Natal é o nascimento de Jesus e é isso que deve ser comemorado”, falou.
“Você precisa ter um controle emocional muito grande para ser Papai Noel porque aparecem todos os tipos de situações diante de você. Ano passado um homem chegou chorando até mim e disse que exatamente naquele dia estava fazendo um mês que sua esposa havia falecido. Ele queria tirar uma foto dos dois filhos, junto com a sogra, e eu, para homenagear a esposa. Também ano passado uma garotinha veio pedir que eu curasse sua amiguinha que estava doente. Eu falei para ela pedir diretamente para Deus. Dias depois ela apareceu, junto com a amiguinha, e disse que Deus tinha atendido o seu pedido”, lembrou.
Da mesma forma que o Papai Noel ‘de verdade’, Eduardo entrega brinquedos nas casas das crianças. “As famílias me contratam e das 19h do dia 24 até às 2h do dia 25 eu vou, de carro, e não de trenó, a umas sete ou oito casas. É uma festa quando eu chego, tanto para as criancinhas, que ainda acreditam na figura do bom velhinho, quanto para os irmãos maiores e os pais. Realmente a figura do Papai Noel transmite uma energia muito positiva e nós que o representamos sabemos muito bem disso”, finalizou.







